Especialista alerta sobre o aumento do endividamento das famílias brasileiras

O percentual de endividados no país fechou 2020 em 66,5%, segundo estudo anual da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), considerado o maior patamar de endividamento familiar em 11 anos. Em 2019, por exemplo, os endividados eram 63,6% das famílias brasileiras.

As famílias inadimplentes, ou seja, com contas ou dívidas em atraso, chegaram a 25,5% no ano passado, acima dos 24% de 2019. Já as famílias sem condições de pagar as dívidas em atraso somaram 11% em 2020, percentual também superior ao ano anterior, de 9,6%. O percentual de pessoas que se disseram muito endividadas subiu de 13,3% em 2019 para 14,9% em 2020. As principais fontes de dívidas são cartão de crédito (78,7%) , carnê (16,8%) , financiamento de carro (10,7%) , financiamento de casa (9,5%) e crédito pessoal (8,5%).

Segundo a educadora em finanças pessoais, Carol Stange, para quem está nessa situação, o primeiro passo é evitar novas dívidas. “Ficar endividado, inadimplente e receber ligações de cobradores, ter o nome registrado nos órgãos de restrição ao crédito e correr o risco de perder bens, é um pesadelo que vem acontecendo com muitos brasileiros”. E ainda tem o lado emocional que fica muito abalado e só é possível mudar com novos comportamentos de consumo. A seguir, confira algumas dicas simples que podem mudar esse cenário de descontrole das finanças.

 A primeira dica é entender suas dívidas. Se você está inadimplente nas contas básicas (água, luz, gás e supermercado, por exemplo), provavelmente está pecando no básico das finanças pessoais vivendo em total desconhecimento sobre seu dinheiro. E ainda, se você fez dívidas por falta de controle na hora de comprar, imprevistos, chegou a hora de encarar suas finanças e criar consciência financeira. 

 Para colocar os gastos sob controle, você não precisa começar com nada muito elaborado, mas precisa pelo menos saber o quanto ganha, o quanto gasta e para onde está indo seu dinheiro. Encontrar uma planilha amigável ou começar a usar regularmente um app para anotação das despesas pode fazer uma grande diferença. Depois, é hora de estabelecer seus limites de gastos e estipular metas para outras despesas.

 A segunda dica é buscar um padrão de vida adequado à renda. Feito o passo número 1, chegou a hora de analisar seus números. Os gastos estão adequados ao seu salário? Quanto falta ou sobra ao final de cada período? Com quanto você já entra “devendo” todo mês, considerando as despesas fixas e parcelamentos realizados?

Para quem não sabe como começar, a especialista tem duas sugestões:

 1 – Dividir o orçamento doméstico em semanas, separando metas de gastos para esse período. É um bom jeito de controlar gastos e fazer remanejamentos mais rápidos, caso seja preciso.

2 – Usar a regrinha 50 – 30 – 20. Essa regra ajuda principalmente aqueles que não sabem por onde começar a dividir o seu orçamento. Simplificando, sugere-se dividir a receita mensal da seguinte forma:

•50% do orçamento deve ir para despesas fixas, que são aquelas que têm seu valor fixo mensalmente, como aluguel, condomínio e mensalidades escolares;

•30% do orçamento deve ser destinado para as despesas variáveis, que como o próprio nome diz, são as despesas que sofrem variação de acordo com o uso, como lazer, alimentação fora e compras não essenciais;

•20% do orçamento deve ir para investimentos, sejam eles de curto, médio ou longo prazo.

A terceira dica é planejar as compras rotineiras. Comprar por impulso seguidamente, mesmo que sejam valores pequenos, pode ser um “buraco negro”. Se você gosta de tomar um café ou comer um lanche quando tem vontade ou comprar pequenos mimos para si ou para outros quando vê uma boa oportunidade, estipule metas semanais para esse tipo de gasto.

Outra opção é fazer todos os gastos em dinheiro. A psicologia comportamental explica que gastos feitos em dinheiro vivo causam “dor” e aumentam a consciência financeira, o que ajuda bastante no controle das compras por impulso.

 Antes de aceitar uma prestação como companhia por longos meses, certifique-se de que ela cabe no seu orçamento e se faça algumas perguntas, como “é possível esperar e acumular recursos para comprar o item à vista, com desconto?”

E por fim, construa sua reserva financeira. Se você fez dívidas porque passou por imprevistos que fizeram você gastar além do normal, chegou a hora de realmente começar a sua Reserva Financeira (também chamada de Reserva de Emergência), nem que seja poupando e investindo de pouquinho em pouquinho.

 A Reserva Financeira serve justamente para evitar que, ao enfrentar acontecimentos fora do comum, dívidas sejam feitas por falta de recursos para pagar à vista. Além disso, essa reserva pode ser usada também para aproveitar oportunidades.   

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

%d blogueiros gostam disto: