Espanha impõe restrições para conter aumentos de casos de Covid-19 na Páscoa

País com forte tradição católica e intenso movimento de turistas, a Espanha adotou uma série de medidas restritivas para tentar evitar que o feriado de Páscoa provoque uma nova escalada na pandemia de Covid-19. O temor das autoridades é que a celebração da Semana Santa leve a um aumento significativo no número de contágios da doença, assim como ocorreu após o Natal.

As tradicionais procissões de Páscoa da Espanha, que costumam atrair multidões de fiéis e turistas, não vão acontecer neste ano, como já era esperado. Mas até as pequenas celebrações em família estão sendo afetadas por uma série de medidas que têm como objetivo evitar uma aceleração dos casos de Covid-19.

A principal restrição é a de mobilidade entre as comunidades autônomas, que impuseram controles para evitar a entrada de pessoas vindas de outras regiões do país. Comparando com o Brasil, é como se as viagens entre um estado e outro ficassem proibidas. As únicas exceções são as ilhas Baleares e Canárias, que também se fecharam para o turismo local, mas permitem a entrada de moradores que estejam voltando do continente e pessoas que cumpram outras condições bem específicas.

Procissão com tambores, na Sexta-feira Santa, acontece de forma restrita na Espanha em 2 de abril de 2020 — Foto: Susana Vera/Reuters

Procissão com tambores, na Sexta-feira Santa, acontece de forma restrita na Espanha em 2 de abril de 2020 — Foto: Susana Vera/Reutershttps://tpc.googlesyndication.com/safeframe/1-0-38/html/container.html

Além disso, entrou em vigor um toque de recolher que vai das 22h ou 23h, dependendo da comunidade, até as 6h da manhã. As aglomerações continuam vetadas, porém com regras mais rígidas. As pessoas estão proibidas de receber visitas em casa e, na rua, os encontros foram limitados a grupos de seis pessoas ao ar livre ou de quatro em lugares fechados.

Ao contrário de outros países europeus, no entanto, bares e restaurantes continuam abertos. Ontem, em Madri, muita gente aproveitou o dia de sol para beber e comer nas mesas externas dos estabelecimentos. Trata-se de um cenário muito distinto do verificado na Páscoa do ano passado, quando o país estava no auge do confinamento e basicamente só se podia sair de casa para comprar comida ou trabalhar em serviços essenciais. Ainda assim, são restrições importantes, especialmente em um país em que a Semana Santa coincide com as férias escolares e é um período típico de viagens em família.

Restrição a viagens nacionais causa polêmica

Essa restrição às viagens domésticas causou especial insatisfação porque não foi acompanhada por medida semelhante em relação ao turismo internacional. Dizendo seguir recomendações da União Europeia, o governo espanhol optou por não fechar as fronteiras com os países do chamado Espaço Schengen. Ou seja, diversos cidadãos europeus, especialmente franceses e alemães, estão aproveitando o feriado à beira das belas praias espanholas, enquanto os próprios espanhóis estão proibidos de fazer o mesmo, a não ser que vivam perto delas.

No caso desses viajantes europeus, a única exigência para entrar no país é que apresentem um teste negativo para Covid realizado no máximo 72 horas antes do embarque no avião ou navio. Os que vêm de carro, caso de muitos franceses, acabam escapando desse controle. Uma vez dentro da Espanha, eles não podem se deslocar de uma comunidade a outra e têm que seguir as mesmas regras que os moradores locais.

Já os turistas de fora da União Europeia enfrentam restrições mais rígidas, que variam de acordo com a situação epidemiológica de cada país. No caso do Brasil, por causa das novas variantes do vírus, só está permitida a entrada de voos com cidadãos ou residentes da Espanha e de Andorra, ou então aqueles que tenham como destino outro país e que façam uma escala de menos de 24 horas em território espanhol.

Essas medidas foram tomadas em meio ao temor de que a Espanha esteja entrando numa quarta onda da pandemia. A incidência acumulada nas últimas duas semanas chega a 154 casos por cem mil habitantes. Quando esse número supera os 150, considera-se que existe um alto risco de contágio por coronavírus.

O último dado divulgado pelo governo foi de 7.041 casos confirmados nas 24 horas anteriores, e esse número vem mostrando uma tendência contínua de alta nas últimas semanas — em 14 dias, o crescimento da média diária foi de quase 30%. Apesar de esse aumento não ter chegado ainda na taxa de internações, quatro regiões têm níveis preocupantes de ocupação de UTIs, inclusive Madri.

No total, desde o início da pandemia, foram registrados cerca de 3,3 milhões de casos e 75.541 mortes. A população do país é de aproximadamente 47 milhões de habitantes. A vacinação contra a Covid-19 começou em dezembro de 2020, mas tem ocorrido de forma mais lenta do que o previsto. Até agora, foram aplicadas 8,3 milhões de doses das vacinas. O percentual da população que já recebeu as duas doses chega a 7%.

Nesta semana, no entanto, o país recebeu novos carregamentos de imunizantes e a expectativa é que esse ritmo se acelere. A meta traçada pelo governo é que até o fim do verão, em setembro, 70% da população esteja vacinada contra a doença. O feriado de Páscoa, porém, não ajuda nesse sentido: a comunidade de Madri decidiu suspender por quatro dias a vacinação nos postos de saúde para permitir o descanso dos profissionais.

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