Entre os que reprovam Bolsonaro, maioria é mulher, jovem e tem ensino superior

Em meio ao avanço da CPI da Covid, a rejeição ao presidente Jair Bolsonaro atingiu o índice mais alto desde o início do mandato, segundo pesquisa Datafolha divulgada ontem. De acordo com o levantamento, 51% dos eleitores classificaram o governo como ruim ou péssimo, o pior resultado registrado pelo chefe do Executivo em 13 levantamentos do instituto desde 2019.

A reprovação era de 45% no questionário anterior, aplicado em 11 de maio. A margem de erro é de dois pontos, para mais ou para menos. A pesquisa foi feita de forma presencial em 146 municípios nos dias 7 e 8 de julho. Responderam ao questionário 2.074 pessoas acima de 16 anos. O levantamento pode medir o efeito de notícias que envolvem o governo em suspeitas, como a revelação de áudios da ex-cunhada do presidente, a fisiculturista Andrea Siqueira Valle, que afirma que, quando era deputado federal, Bolsonaro demitiu o irmão dela porque ele se recusou a devolver parte do salário ao mandatário, prática conhecida como “rachadinha”. O período do questionário abarca, ainda, depoimentos na CPI que levantam suspeitas sobre a compra da vacina Covaxin e manifestações contra Bolsonaro que levaram até partidos de centro às ruas, ao lado da esquerda.

Na série histórica do Datafolha, a rejeição a Bolsonaro só não é pior que a de Fernando Collor, que, em 1992, enfrentava 68% de ruim ou péssimo meses antes de renunciar. De maneira geral, quem reprova o governo é mulher (56% avaliam a gestão como ruim ou péssima), tem entre 16 a 24 anos (56%), e cursou ensino superior (58%). Por outro lado, o desempenho de Bolsonaro é considerado mais positivo entre aqueles que têm mais de 60 anos (32% o classificaram como ótimo ou bom), entre quem ganha entre 5 e 10 mínimos (34%) e entre moradores do Centro-Oeste (34% aprovaram o governo).

O levantamento mostra ainda que a maioria dos entrevistados considera o presidente Jair Bolsonaro “despreparado” (62%), “incompetente” (58%), “desonesto” (52%), “pouco inteligente” (57%), “falso” (55%), “indeciso” (57%) e “autoritário” (66%). Além disso, 55% dizem nunca confiar nas declarações do presidente e 70% acreditam que há corrupção no atual governo.

Em junho de 2020, quando os pesquisadores fizeram o mesmo tipo de pergunta pela última vez, o percentual dos eleitores que consideram Bolsonaro desonesto era de 38%. No mesmo período, caiu de 48% para 38% o número daqueles que responderam que acham o presidente honesto. Numa pergunta correlata, 55% disseram que acham mandatário falso, enquanto 39% o chamam de sincero. Já a parcela da população que acha o presidente incompetente passou de 52% para 58% do ano passado para cá, segundo o Datafolha.

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