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Em visita ao Congresso, Moro evita senadores e perguntas incômodas

Pré-candidato à Presidência pelo Podemos, o ex-ministro Sergio Moro esteve no Senado ontem à tarde para fazer coro ao discurso do seu partido contra a aprovação da PEC dos Precatórios. O projeto, em tramitação na Casa, se aprovado, adiará o pagamento de dívidas da União e ampliará o limite de gastos públicos em 2022. A passagem de Moro foi curta, discreta e blindada.

Ele circulou acompanhado por correligionários e não teve contato com personagens de outras legendas, o que rendeu uma brincadeira. Ao vê-lo cercado por Eduardo Girão (CE), Oriovisto Guimarães (PR) e Marcos do Val (ES), um parlamentar do próprio Podemos disse que o ex-juiz estava sendo escoltado por seus seguranças. Nenhum senador se aproximou para cumprimentá-lo.

Alguns curiosos, entre eles o deputado Luiz Carlos Hauly (PSDB-PR), apareceram para ver a movimentação na sala onde Moro se reuniu por alguns minutos com os aliados. Ao sair, Hauly disse que foi lá apenas para “assuntar” o que se passava, sem revelar o que viu ou ouviu.

Moro concedeu uma rápida entrevista coletiva e aproveitou os microfones para criticar o governo do presidente Jair Bolsonaro, o qual integrou. Afirmou que a parte da população está passando fome em consequência de uma política econômica equivocada. Questionado sobre sua participação na gestão que agora ataca, ele argumentou que seus poderes estavam restritos aos limites do Ministério da Justiça, que ele comandou entre 1ª de janeiro de 2019 a 24 de abril de 2020.

O ex-ministro defendeu ainda a manutenção do nome “Bolsa Família”, principal programa da transferência da renda do Executivo federal, criado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que será rebatizado como “Auxílio Brasil”. Ele classificou a mudança, sonho antigo de Bolsonaro, como “erro de política pública”.

Depois de fazer considerações a respeito de temas econômicos, Moro se esquivou de assuntos embaraçosos. Questionado por jornalistas sobre a possibilidade de lidar com políticos investigados pela Operação Lava-Jato, como o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), ele respondeu:

— Eu vim aqui para falar de precatórios.

A presença de Moro foi praticamente ignorada pelos outros senadores, titulares da Casa onde o ex-juiz jamais encontrou amparo. Parte deles viu aliados entrarem na alça de mira do Moro quando ele comandava a 13ª Vara da Justiça federal em Curitiba. O senador Omar Aziz (PSD-AM), que presidiu a CPI da Covid, resumiu o sentimento majoritário no Senado ontem, ao ser perguntado sobre o que achou a presença do visitante.

— Moro? Qual Moro? Não conheço nenhum Moro.

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