Em entrevista, secretário de Saúde de Petrópolis fala sobre o enfrentamento da covid-19 na cidade

A equipe do Diário de Petrópolis foi recebida pelo secretário municipal de Saúde, Aloisio Barbosa Filho, na tarde desta sexta-feira (02) na sede da Secretaria. Em pauta, algumas questões relacionadas ao enfrentamento da covid-19 no município. Ritmo da vacinação, ampliação dos públicos-alvo e flexibilização das medidas de contenção do vírus estavam entre os temas que foram discutidos na entrevista. Antes, vamos contextualizar o cenário da pandemia em Petrópolis. Até o dia 02 de julho, a cidade registrou 41.737 casos positivos da doença. Desse total, conseguiram se recuperar 38.844 petropolitanos. Infelizmente, 1.303 não resistiram. No momento, 115 pessoas estão internadas as taxas de ocupação estão em 28,79% dos leitos clínicos e 33,70% em leitos de UTI. O boletim da vacinação informou que 119.037 pessoas receberam a primeira dose da vacina, 40.782 completaram o clico de imunização com as duas doses e 1.120 pessoas receberam a vacina em dose única.

Ritmo da vacinação e ampliação da faixa etária

Diário de Petrópolis  – Um dos assuntos mais comentados nas redes sociais do Diário é o ritmo da vacinação na cidade. Muitos questionam por que a capital está em uma faixa etária menor do que a do município. Falam também que a vacinação na cidade está lenta. A vacinação em Petrópolis poderia estar mais avançada?

Aloisio Barbosa – “Petrópolis é um dos poucos municípios do Estado que não suspendeu a vacinação por falta de doses. Isso aconteceu porque houve um planejamento. Todos que se cadastram têm a dose garantida. Não vai acontecer de chegar ao posto e não ter a dose. A ampliação da faixa etária depende do envio de imunizantes pelo Governo Federal. Nós notamos que devido ao Plano Nacional de Imunização havia um grupo estimado para cada grupo prioritário da vacinação. Mas esse número estava defasado, pois usavam como base o IBGE de 2010. Nós solicitamos a readequação do envio de doses e fomos atendidos. Petrópolis recebia 1,36% de cada remessa de doses ao Estado. E agora vai passar a receber 1,86%. Isso vai aumentar nossa capacidade de vacinação. Com os estoques cheios a cidade teria capacidade para vacinar de 2.500 a 3 mil pessoas por dia. Só precisamos que a vacina chegue”.

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Flexibilizações em meio à pandemia

DP – Desde o começo da pandemia, o governo municipal vem editando decretos com medidas de contenção ao vírus. Mas, ao longo dos meses de enfrentamento à covid-19 as medidas vêm sendo flexibilizadas.  Há duas semanas as barreiras sanitárias foram suspensas na cidade e esta semana o horário de funcionamento do comércio foi normalizado. Essa foi a melhor decisão no momento, observando que a pandemia não acabou e a cidade está na alta temporada para o turismo?

AB – “Temos como critério o número de casos, o percentual de internação, o número de atendimento nos pontos de apoio. Esses índices norteiam nossas decisões sobre as flexibilizações. A gente trabalha com uma classificação de risco e a capacidade de saturação do sistema. A gente consegue prever em quantos dias eu vou atingir a capacidade total dos leitos. Por exemplo, com o boletim do dia 1° me dá uma matriz de risco de sete pontos. Isso significa um risco baixo e nossa previsão de esgotamento de leitos de UTI era de 124 dias. Nós já tivemos previsão de um dia para atingir a capacidade total. Esse monitoramento nos dá condições de planejamento das ações e consequentemente edição dos decretos.”

Rejuvenescimento da pandemia

DP – Um levantamento da Fiocruz mostrou que a faixa etária que vem positivando para covid-19 está diminuindo. Em Petrópolis, os números do painel covid mostram que os casos confirmados, até esta sexta-feira (02), por idade estavam assim: 8.503 pessoas com idade entre de 40 a 49 anos positivaram para doença. Já na faixa etária entre 50 e 59 foram 7.332. E com idade acima de 60 anos registravam 8 mil casos. Isso comprova o estudo da Fiocruz também aqui na cidade?

AB -“Essa é uma doença nova. Todo vírus sofre mutação do ambiente. Como a vacina da covid-19 está acontecendo de uma maneira lenta a nível nacional pela demora na aquisição e distribuição das doses, você acaba dando condições desse vírus se modificar e se tornar mais resistente. A capacidade que ele tinha de acometer apenas idosos acaba se transformando e ele acaba atingindo um público mais jovem, que a princípio tinha mais resistência. Isso faz com que haja o rejuvenescimento do contágio. A vacina é a causa desse processo, também. Como os idosos estão adoecendo menos, os que ainda não estão imunizados acabam adoecendo mais.”

Atendimento covid-19 x Outras doenças

DP – O enfrentamento à covid-19 acabou direcionando todos os esforços do município para o combate à pandemia. Mas, isso não põe fim às outras doenças. O atendimento não covid foi prejudicado na cidade, com a fila de espera por leitos “comuns” extensa, o que será feito para prestar esse tipo de serviço de maneira mais adequada? “

AB – Está faltando vaga de UTI comum. Essa é uma realidade de todas as cidades. Tivemos que destinar duas unidades de saúde para atendimento a covid. Todos os esforços foram destinados ao combate à pandemia que ainda não acabou. Vários serviços foram prejudicados. Isso na rede pública e na rede privada. A secretaria vem trabalhando para equacionar essas duas demandas. Estamos estudando um remanejamento das unidades de saúde próprias, que será possível por conta do baixo percentual de ocupação dos leitos. Isso vai aumentar a oferta de leitos não covid para atender a população.”

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