Eduardo Leite aceita convite e será próximo presidente do PSDB

O governador eleito do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, aceitou um convite para ser o próximo presidente nacional do PSDB. Ele comunicou a decisão à cúpula do partido na noite de terça-feira (29).

Com isso, Leite deve assumir o comando da sigla nos primeiros meses de 2023. Ele vai se reunir com o atual presidente da legenda, Bruno Araújo, na próxima quarta (7), em Brasília, para acertar os detalhes de um processo de transição.

Leite se tornou uma das principais forças políticas do PSDB, principalmente depois da derrota dos tucanos na disputa pelo Governo de São Paulo.

Após os resultados da eleição de 2022, marcada também pela decisão de não lançar um candidato à Presidência da República pela primeira vez desde a redemocratização, o PSDB anunciou que buscaria um processo de renovação interna.

Esse movimento começou ainda no intervalo entre o primeiro e o segundo turno, sob a articulação de Araújo. Nas últimas semanas, ele reuniu dirigentes e ex-presidentes do PSDB para costurar o apoio ao gaúcho.

Leite já havia dado sinais claros de que aceitaria o comando do partido, mas pediu tempo para bater o martelo e acertar os primeiros detalhes de seu retorno ao Governo do Rio Grande do Sul.

O gaúcho é tratado há tempos por uma ala do PSDB como possível líder desse projeto de renovação. Ainda no ano passado, ele foi incentivado por esse grupo a lançar uma candidatura à Presidência da República.

Leite disputou prévias no partido e foi derrotado por João Doria, em novembro de 2021. O gaúcho ainda manteve a intenção de concorrer ao Palácio do Planalto, renunciou ao Governo do Rio Grande do Sul e cogitou mudar de legenda para entrar na disputa nacional —mas acabou permanecendo no PSDB e decidiu se lançar à reeleição como governador.

O mandato de Araújo só termina em junho de 2023, mas a intenção dos tucanos é aprovar uma antecipação desse calendário para permitir a eleição de uma nova direção para a legenda.

Além da substituição de Araújo, os tucanos precisarão decidir se toda a cúpula do partido vai renunciar a seus cargos para que Leite possa indicar nomes de sua confiança nos postos mais relevantes. A tendência é que ele abra espaço para outros integrantes de peso da sigla.

Leite não deve assumir o comando do PSDB de maneira imediata porque está trabalhando na montagem de seu governo. A ideia é que ele passe a se dedicar às atividades do partido depois da posse e das primeiras semanas de gestão.

Quem vai representar Leite nesse processo de transição nos próximos meses é o prefeito de Santo André (SP), Paulo Serra (PSDB). Ele foi um dos defensores da candidatura do gaúcho à Presidência, embora fosse um tucano com atuação política num estado governado por João Doria.

Leite tem afirmado em declarações públicas e entrevistas que o papel do PSDB deve ser a organização de um bloco político de centro, com o objetivo de criar caminhos alternativos às principais forças que se manifestaram na eleição deste ano: o PT e o bolsonarismo.

Um dos planos é discutir a ampliação da federação que o PSDB criou com o Cidadania. Há propostas para convidar para o bloco o Podemos e o MDB.

Por trás desse movimento está a tentativa de criar condições para que o partido volte a disputar a Presidência da República em 2026. Na visão dos tucanos, Leite seria um candidato natural nesse cenário.

O gaúcho deve liderar um partido que passa por um deslocamento de seu eixo de poder interno. Nos últimos anos, a força acumulada por tucanos de São Paulo e Minas Gerais se dissipou, com uma desidratação do partido no cenário nacional.

Em 2022, o PSDB teve o pior resultado eleitoral de sua história. Após ter chegado a uma bancada de 99 deputados, em 1998, conseguiu apenas 13 cadeiras na Câmara.

Os três governadores eleitos pela legenda neste ano não eram nomes que frequentavam os círculos de decisão do partido até então. Além de Leite, venceram em seus estados Raquel Lyra (Pernambuco), ex-prefeita de Caruaru, e o empresário Eduardo Riedel (Mato Grosso do Sul).

Em outubro, Leite se tornou o primeiro governador do Rio Grande do Sul a conquistar a reeleiçãoO tucano teve 57,12% dos votos válidos, contra 42,88% do bolsonarista Onyx Lorenzoni (PL).

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