Eduardo Bolsonaro comemora golpe contra Suprema Corte de El Salvador

O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), elogiou hoje a remoção de todos os juízes da Suprema Corte de El Salvador.

A nova Assembleia Legislativa de El Salvador, que tem maioria governista, aprovou ontem a destituição dos cinco juízes e do procurador-geral, que, recentemente, tomaram decisões contrárias ao presidente Nayib Bukele. Neste fim de semana, Bukele chamou a destituição de uma “limpeza da casa”.

Em publicação nas redes sociais, Eduardo Bolsonaro escreveu que “o Congresso destituiu todos os ministros da Suprema Corte por interferirem no Executivo, tudo constitucional”. Ele acrescentou que “juízes julgam casos, se quiserem ditar políticas que saíam às ruas para se elegerem”.

Em 2018, Eduardo Bolsonaro afirmou que “bastam um soldado e um cabo para fechar o STF (Supremo Tribunal Federal)”. Na época, Jair Bolsonaro ainda era candidato à Presidência —o vídeo veio à tona a uma semana do 2º turno.

Na gravação. Eduardo responde a pergunta sobre uma hipotética possibilidade de ação do Exército em caso de o STF impedir que Bolsonaro assuma a Presidência.

“Cara, se quiser fechar o STF, sabe o que você faz? Você não manda nem um jipe. Manda um soldado e um cabo. Não é querer desmerecer o soldado e o cabo, não”, diz. “O que é o STF? Tira o poder da caneta de um ministro do STF. Se prender um ministro do STF, você acha que vai ter uma manifestação popular a favor do ministro do STF, milhões na rua?”, afirma.

O ex-presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), reagiu à postagem de hoje de Eduardo Bolsonaro. Segundo ele, o comentário do filho do presidente é “muito grave”.

Nas redes sociais, o presidente Bukele pediu que a comunidade internacional não interfira na decisão. “Aos nossos amigos da comunidade internacional: queremos trabalhar com vocês, negociar, viajar, nos conhecer e ajudar onde pudermos. Nossas portas estão mais abertas do que nunca”.

Organizações da sociedade civil salvadorenha classificaram o ato como um “golpe de Estado”. A medida em El Salvador também está sendo questionada por órgãos de defesa dos Direitos Humanos.

Recentemente, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) também fez ameaças veladas ao STF. Em outra ocasião, Bolsonaro disse que seria “fácil impor uma ditadura no Brasil”.

Em 15 de abril, após lamentar a decisão do STF que tornou Lula elegível, o presidente Bolsonaro disse saber “onde está o câncer do Brasil”, sem ser claro em relação ao que se referia. “Eu sei onde está o câncer do Brasil, nós temos que ganhar. Se esse câncer for curado, o corpo volta à normalidade”, disse.

O comentário também sucedeu a notícia de que a ministra Cármen Lúcia questionou a Câmara dos Deputados sobre a abertura de processo de impeachment contra Bolsonaro. Não foi a primeira vez que Bolsonaro faz ameaças veladas contra o STF.

Em março, Bolsonaro repetiu que seria “fácil impor uma ditadura no Brasil”. Na ocasião, o presidente comentava sobre a reunião ministerial realizada em abril de 2020 —o vídeo foi tornado público pelo ministro aposentado do STF Celso de Mello.

No mês passado, o presidente Bolsonaro também disse a apoiadores que está aguardando um sinal da população para “tomar providências”. Ele comentava uma reportagem sobre o avanço da fome durante a pandemia do coronavírus.

“Só digo uma coisa: eu faço o que o povo quiser que eu faça”, declarou ontem, assim como já fizera anteriormente. Hoje, durante a live, Bolsonaro repetiu que é a população quem dita os rumos do Brasil e que vai agir dentro das “quatro linhas” da Constituição para reestabelecer a ordem.

Neste sábado, com o chamado “Eu Autorizo Presidente”, bolsonaristas organizaram atos em diferentes pontos do Brasil em suporte ao governo, que enfrenta críticas pela condução na pandemia do novo coronavírus.

Entre as pautas defendidas estavam ofensas a governadores e a ministros do STF (Supremo Tribunal Federal), pedidos e “autorizações” de medidas antidemocráticas e alguns dos pontos mais defendidos pelo governo, como crítica às medidas de isolamento social para conter a pandemia, como recomendam autoridades de saúde.

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