Durcesio garante “total autonomia” a novo diretor do Botafogo, mas blindagem política é desafio

O Botafogo deu os primeiros passos rumo ao profissionalismo no futebol com a apresentação do novo diretor, Eduardo Freeland, na última terça-feira. Essa é a promessa, que precisa ser colocada em prática. Para isso, o novo presidente Durcesio Mello terá trabalho para conter pressões externas e internas que sempre influenciaram as decisões alvinegras.

Durcesio e o vice-presidente Vinícius Assumpção prometeram “total autonomia e liberdade” ao dirigente recém-chegado, que será o profissional na ponta da estrutura de todo o departamento de futebol do Bota. A garantia é de que as decisões serão técnicas e mais afastadas de dirigentes amadores, ou seja, nomeados e não remunerados.

– O Freeland é um profissional do mais alto nível, um dos maiores vencedores das categorias de base no Brasil. Vai trazer muito nessa reestruturação do Botafogo. Ele vai ter total autonomia e liberdade para fazer tudo no futebol do Botafogo – disse o presidente, que acumula a vice-presidência de futebol por questões estatutárias e que é o dono da caneta.

Eduardo Freeland conversou com o elenco na terça-feira — Foto: Vitor Silva/Botafogo

Para transformar a promessa em prática, o grande desafio está na blindagem política. Redes sociais, apoiadores, conselheiros, vice-presidentes… Todos são agentes que influenciam em decisões (o que é regra no Brasil, não só no Botafogo). A intenção dos novos dirigentes é justamente evitar que as atitudes amadoras voltem a se repetir em um clube que tem pouca ou nenhuma margem para erro.

A própria chegada de Freeland é exemplo. Antes mesmo de assumir, o diretor já é pressionado a demitir o técnico Eduardo Barroca e o gerente de futebol Tulio Lustosa. Há poucas semanas, o discurso era de apoio ao treinador e garantia de permanência ao menos até o fim do Brasileirão. Hoje, a tendência é o caminho contrário, com chance de rompimento antes do fim do campeonato. A pressão interna e externa é grande, mas a diretoria sabe que a intenção de mudar a cultura do clube sofrerá resistência.

Cautela e promessas

Bombardeado com dúvidas sobre técnico, dirigentes e jogadores, já que falta pouco para a temporada 2021, Freeland teve pouco espaço para apresentar os métodos de trabalho. O novo diretor fez questão de não dar definições na entrevista de apresentação. As promessas ficaram por conta de mais critério e método nas decisões do futebol.

– O torcedor é uma peça fundamental no processo, é a razão de existir do clube. Mas é fundamental, também, a gente ter uma análise fria e criteriosa de toda decisão que a gente vai tomar. Seja na contratação de treinador, jogadores… Precisamos ter um norte, saber o que queremos com embasamento, para que a possibilidade de erro diminua – afirmou Freeland.

Eduardo Freeland deu entrevista coletiva virtual no dia da apresentação — Foto: Vitor Silva/Botafogo

Freeland, Durcesio e Vinicius conversaram com o elenco nesta terça-feira. Além de se apresentar aos jogadores, o diretor de futebol comentou que irá avaliar o departamento como um todo e se colocou aberto para o diálogo. O dirigente sabe que mudanças serão necessárias, mas ainda terá um pouco de tempo para tentar realizá-las da maneira mais analítica possível.

Após a avaliação, Freeland irá elaborar um plano de ação a ser apresentado para a diretoria sobre o que fazer na pasta. A tendência é de que essas diretrizes sejam exibidas em até duas semanas, dada a corrida contra o relógio para a próxima temporada.

A chegada do diretor de futebol contrasta com o que foi o planejamento (ou a ausência dele) na atual temporada. Sem um profissional dedicado exclusivamente para a parte de gestão da principal área do clube entre fevereiro e outubro, a intenção é que 2021 seja feito de maneira diferente.

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