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Dono de empresa suspeita de pirâmide financeira será intimado a prestar depoimento em dois inquéritos sobre fraude

Investigado por crimes contra a economia popular e contra a ordem tributária e por estelionato, o empresário Rogério Cruz Guapindaia, dono da empresa de investimentos Alphabets, que funcionava em Cabo Frio — o negócio, que se apresentava como voltado para o mercado de apostas esportivas, fechou as portas na quarta-feira, dia 8 — será intimado a prestar depoimento na próxima semana em inquéritos que apuram o funcionamento de uma pirâmide financeira. Atualmente, o investidor é alvo de investigações na 125ª DP (São Pedro da Aldeia) e 126ª DP (Cabo Frio).

Nos últimos dias, pessoas que afirmam ser vítimas da empresa têm procurado a polícia em busca de ajuda para tentar reaver os investimentos aplicados.

— Os registros de ocorrência estão sendo despachados (aqui) como crime contra a economia popular. As pessoas estão prestando depoimento, e muitas delas contam que ficaram sabendo da empresa por terceiros ou pela internet e acharam interessante a proposta dele. Vamos intimá-lo na próxima semana para prestar depoimento — afirmou o delegado Milton Siqueira Junior, titular da 125ª DP.

Por sua vez, o delegado Carlos Eduardo Pereira Almeida, da 126ª DP, explica que Rogério Cruz Guapindaia também está sendo investigado por outros dois crimes:

— Ele está sendo investigado por crimes contra a economia popular, contra a ordem tributária e por estelionato.

Em seu site, a Alphabets se apresenta como “o primeiro robô de operações esportivas do Brasil” e promete lucros de 1,2% a 3,2% ao dia, de segunda-feira a sábado. Ainda de acordo com o site, a empresa fornece um “software gratuito de alta performance objetivando lucros e renda no mercado de apostas esportivas”. Para começar a apostar, é preciso escolher uma modalidade de licença: são oito disponíveis, com valores que variam de R$ 100 a R$ 100 mil.

Escalada de investimentos

O gerente de tecnologia da informação W., de 36 anos, morador de Cabo Frio, conta que conheceu Rogério Cruz em março, deste ano, quando ele esteve na cidade balneária. Ele lembra que, à época, o empresário foi lhe apresentado por amigos próximos. Num primeiro momento, ele fez um aporte de R$ 100. Entretanto, W. diz que “como o investimento rendeu bem” e ele passou a fazer investimentos maiores, chegando a R$ 22 mil no último mês.

— Fui apresentado a ele por uns amigos, em março. Mas eu só fui investir em abril. Eu coloquei R$ 100 para ver, porque fiquei desconfiado. Comprei uma licença mínima de R$ 100. Rendeu bem e no segundo mês coloquei mais R$ 3 mil. Depois mais R$ 2 mil, e foi rendendo. Eu saquei uma parte e depois reinvesti mais R$ 3.700. No mês passado, coloquei mais R$ 12.500 – enumera ele.

O investidor diz que Rogério Cruz “usou pessoas conhecidas” para crescer rapidamente na cidade.

— Ele usou amigos conhecidos, pessoas influentes na cidade, para passar uma boa imagem. Ele usava essas pessoas para mostrar sua influência. Além disso, ele fala bem, mostrava o que comprava. Então, as pessoas passaram a achar que era verdade aquilo. Que não podia dar errado. Além disso, ele sempre bateu na tecla que não tinha a intenção de ficar com o dinheiro da gente, que a Alphabets não precisava de aporte para pagar os investidores — recorda-se W., que hoje luta para reaver o montante investido.

Assim como o gerente de TI, uma administradora de 31 e seu marido, um segurança de 37, investiram R$ 133 mil na empresa. O objetivo era usar os rendimentos do investimento para a realização de um sonho: a construção de uma casa própria em São Pedro da Aldeia. A mulher não sabe se o desejo será concretizado.

— Eu conheci a empresa em maio, através de uma amiga que virou gerente executiva lá. Naquele momento, era tudo boca a boca, porque tudo estava mega conhecido aqui na cidade. Naquele mês, eu fiz o primeiro investimento: R$ 23 mil. Dois meses depois, coloquei mais R$ 15 mil. Nos primeiros meses, a gente recebia duas vezes: 1º e 16 de cada mês. Como estava tudo direito, eu puxei o meu marido. Em julho, ele fez um empréstimo de R$ 57 mil, juntou com um montante que tinha, e o valor chegou a R$ 65 mil. Investimos — diz a administradora.

A mulher conta ainda que o marido pegou R$ 30 mil do saque e investiu novamente, somando R$ 95 mil de aporte.

— Eu ainda disse que era para ele ficar com o valor recebido. Mas ele quis investir. Esse dinheiro seria usado para a construção da nossa casa em São Pedro da Aldeia.

Questionada se ela não notou nada estranho, já que a promessa de lucro era muito grande, a investidora conta que “Rogério passava 100% de confiança”.

— Ele foi um ótimo ator. Passava 100% de confiança. Mostrava a família, os pais, os amigos. A todo momento, falava em Deus.

Dezenas de vítimas em busca de ajuda

O advogado Luciano Régis da Costa, que defende a administradora, diz que dezenas investidores o procuraram para processar o empresário.

— Além dela, temos clientes que investiram R$ 500 mil. São pessoas de diversas cidades da Região dos Lagos, Baixada Fluminense, Rio de Janeiro, São Gonçalo, Niterói e até do Nordeste do país. As pessoas querem o investimento de volta. Algumas delas ainda até acreditam que vão receber. Mas, infelizmente, não vão. Por isso, muitas delas têm vergonha de vir a público e contar que foram vítimas desse golpe – explica ele.

O GLOBO não conseguiu localizar a defesa de Rogério Cruz Guapindaia.

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