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Diego Loureiro revela parceria com Gatito no Botafogo e tira peso de falhas: “Acertamos muito mais”

Diego Loureiro curte no Botafogo o que considera ser o melhor momento da ainda curta carreira. Titular aos 23 anos e com apenas 30 jogos como profissional, o goleiro se isolou das redes sociais e mudou hábitos dentro e fora do clube para tentar passar por cima da desconfiança.

Diego Loureiro em treino do Botafogo — Foto: Vitor Silva/Botafogo

Ao ge, o cria alvinegro explica o processo para sair de terceira opção para titular em 2021. Tudo começa com a perda do avô Julio, em 29 de julho de 2019. É também um dos motivos de Diego usar a camisa 29 no Botafogo. Como o goleiro já havia comentado em outras ocasiões, o choque o fez mudar o comportamento para melhorar a saúde física e mental.

– O processo todo começou quando eu perdi o meu avô, que era a pessoa que me acompanhava. Isso me abalou bastante. Não tinha mais alegria para treinar, não soube lidar com o momento. O Paulo Ribeiro, psicólogo, começou a trabalhar comigo. Resolvi virar a chave, e foi no momento em que minha esposa revelou que estava grávida. Aí, percebi que não podia não dar 100% – disse.

– Eu tinha que ser o meu melhor todos os dias. Comecei a trabalhar com o meu preparador, Zilmar Quadros, mas com todo o acompanhamento aqui do clube. Hoje, estou no meu melhor tanto na parte física quanto na mental. Melhor percentual de gordura, melhor peso – completou.

Julio Cardoso, avô de Diego Loureiro — Foto: Arquivo pessoal

A mudança de hábitos foi fundamental para a titularidade do goleiro, mas o espaço se deu também pela lesão de Gatito Fernandez, principal nome da posição e que está fora há mais de um ano. Diego Loureiro está tranquilo com o retorno cada vez mais próximo do paraguaio.

– Gatito é um amigo meu, conheço a família dele e ele conhece minha família perfeitamente. A gente está sempre junto quando pode fora do clube. A competitividade é dentro de campo, mas o Gatito é um cara experiente, que tem uma história muito bonita aqui. Ele sempre conversa comigo, me explica algumas coisas, me dá ensinamentos para poder crescer, como fazia o Jefferson quando estava aqui.

– Se o Gatito tiver que voltar mais à frente a ser titular, eu tenho total respeito por isso, pela decisão do treinador, e tenho que entender perfeitamente, até pela história que tem o Gatito. Ele é um amigo meu e eu vou torcer para ele como ele torce para mim hoje. Ele vem, fica feliz quando eu faço boas partidas, quando eu falhei ele me abraçou, conversou comigo e disse que eu tinha muito a crescer – afirmou.

Na entrevista exclusiva, Diego explicou as mudanças na vida e na carreira após a chegada da pequena Maitê, nascida há pouco mais de uma semana, e também comentou como lida com as críticas após algumas falhas cometidas em jogos da Série B.

ge: Há praticamente um turno você é titular absoluto. Está curtindo essa fase?

Diego Loureiro: Eu penso que não tem lugar garantido. A gente está titular, é uma coisa momentânea. Eu não sou titular, não sou dono da camisa, acho que nenhum outro jogador aqui é dono da camisa. A gente tem que aproveitar a oportunidade quando ela aparece, venho fazendo um bom campeonato, venho crescendo.

Sou jovem ainda, seguindo passo a passo, buscando evoluir e trabalhar para poder chegar ao objetivo de ter uma regularidade, de poder me tornar um atleta que seja referência para outras pessoas.

A chegada de Enderson te consolidou na posição. Qual foi a importância do treinador?

O Enderson, junto com o Flávio Tenius (preparador de goleiros), eles procuram todos os dias conversar comigo, me passar segurança e confiança para o jogo. Me dizem o que vale a pena e o que não vale a pena dentro de campo. Até por ser jovem, às vezes tenho o ímpeto de fazer alguma coisa que talvez no momento não seja certo.

(Enderson) É um treinador muito didático, procura estar explicando e ensinando, fala e repete quantas vezes precisar. Uma característica muito importante, isso ajuda bastante o atleta, creio que ele tem uma grande parcela nesse meu processo de partidas boas e de crescimento na carreira.

Diego Loureiro, Gatito Fernandez, Douglas Borges e Igo Gabriel em treino do Botafogo — Foto: Vitor Silva/Botafogo

O torcedor pegou no pé em alguns jogos em razão de falhas do sistema defensivo. Como lidou com isso? Acompanha as redes sociais?

Eu geralmente não acompanho, nem quando é bom, nem quando é ruim. A gente trabalha todos os dias para acertar. A posição defensiva é um pouco mais complicada, porque quando a gente falha o erro é muito maior. Nós falhamos talvez um, dois jogos. Eu falhei um jogo contra o CSA, que não foi uma falha normal, eu me cobro bastante. Só que a gente acertou muito mais do que errou. As cobranças são normais, fazem parte da nossa posição.

Vem cobrança da imprensa, da torcida, e a gente tem que saber lidar com a crítica. Quando a gente falhar a torcida vai nos cobrar, quando a gente tiver uma boa atuação a torcida vai nos elogiar, então a gente vai crescendo com isso também. É buscar a regularidade para manter um bom padrão de jogo, não só a parte defensiva, para a gente ir crescendo junto.

A gente percebe que você fala bastante com os companheiros nos jogos. Apesar de jovem, você se vê como um líder dentro de campo?

Junto com alguns atletas, a gente faz uma boa liderança. Eu me vejo como um dos líderes do grupo, consigo ajudar, mas a minha liderança é mais tentando apoiar, tentando orientar dentro de campo. Para mim o capitão do time é o Carli, o Kanu, o Gatito quando voltar. Liderança e capitão são coisas diferentes.

Acho que dentro de campo você ter uma liderança, saber orientar em um determinado momento na parte tática é importante, ainda mais para o goleiro, que vê o jogo de trás. Então eu procuro sempre prestar bastante atenção quando Enderson fala sobre essa situação tática de jogo, pra eu poder ajudar, falar alguma coisa dentro de campo.

Diego Loureiro orienta os companheiros nos jogos do Botafogo — Foto: Vitor Silva/Botafogo

Além de Gatito, outros grandes goleiros também passaram pelo clube desde que você subiu para o profissional. Como tenta aproveitar isso no início de carreira?

Sou muito observador. A gente consegue tirar muito só observando. Fiz isso com o Jefferson, com o Cavalieri, e faço isso com o Gatito. Com o Jefferson, lembro dele nos treinos, das conversas que ele teve comigo. São jogadores que ajudam a gente sem saber. O Gatito é muito rápido, o Jefferson era muito forte, o Cavalieri tinha uma leitura de jogo sensacional. Cada um tinha ou tem as suas qualidades. A gente vai tirando um pouco de cada. Não posso renegar as minhas características, mas isso até ajuda a criar uma identidade sua.

Mesmo não sendo da posição, outra grande referência do time é o Carli. Ele também serve de inspiração?

O Carli é uma referência para todo mundo. Não só dentro de campo, mas fora também. É um dos capitães mais presentes desde que eu cheguei aqui, quer sempre dar um suporte. Dentro de campo, ele comanda mesmo. Sabe a hora de acelerar, a hora de controlar mais o jogo. Sabe dar bronca e sabe dar força. É essencial nesse momento. Temos outros jogadores competentes na posição, mas o Carli é um cara excepcional.

O Botafogo está bem na Série B, mas o campeonato está chegando ao fim e a ansiedade vai aumentando. Como vocês fazem para controlar isso?

A gente pensa no próximo jogo sempre como o mais importante. É o que a gente faz para controlar a ansiedade, para não pensar no que vai acontecer no final do campeonato, lá na última rodada. O adversário mais importante é sempre o próximo.

Gosto de acompanhar (outros jogos), até por ter adversários que a gente ainda vai enfrentar. Para conhecer mais os times, os jogadores… É importante para preparar, porque a gente não depende de mais ninguém para classificar. Precisamos estar preparados no momento de enfrentar cada um.

Você se tornou pai há pouco mais de uma semana. Como está curtindo esse momento? É mais fácil ser goleiro ou pai (risos)?

A questão de formar a família foi importante, mas deu um frio na barriga. E o clube foi superimportante nessa hora, estava preocupado de largar a concentração porque eu fui convocado para o jogo (CRB), mas eles falaram que era o momento mais mágico da vida e me liberaram para eu poder acompanhar o nascimento da minha filha. Foi sensacional. Olhar para ela me dá motivação para seguir em frente e ser melhor todos os dias.

É mais fácil ser goleiro, mas estou tendo um suporte muito bom da minha família. Meus pais e meu irmão estão ajudando minha esposa para ela não ficar sozinha nesses primeiros dias. Me dão esse apoio para eu poder descansar e trabalhar bem no dia seguinte. Por enquanto está dando um trabalhozinho essa pequena Maitê, mais que os atacantes adversários (risos).

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