Defensor do legado de Eurico, Sérgio Frias quer fim de atrasos no Vasco: “Funcionários precisam ter prioridade”

Formado em direito e gestão esportiva, Sérgio Frias, de 50 anos, é o único dos cinco candidatos à presidência do Vasco que não faz questão alguma de se desvincular de Eurico Miranda. Ao contrário, diz-se um defensor do que chama de “legado histórico” do ex-presidente do clube. Dos ensinamentos que teve com Eurico, de quem é biógrafo inclusive, Frias destaca a credibilidade: “Um dos grandes méritos do Eurico Miranda é que as pessoas acreditavam nele”.

– Não abro mão de uma coisa: os funcionários têm que receber. Os funcionários administrativos e principalmente os funcionários mais humildes. Eles mantêm o clube em pé. Não estou dizendo que não vamos pagar os jogadores. Vamos pagar todos. Mas os funcionários precisam ter, em qualquer tipo de eventualidade, prioridade. Isso é muito importante.

OUÇA A ENTREVISTA COMPLETA!

Sérgio Frias é o quinto e último entrevistado na série do ge com os candidatos à presidência do Vasco. De sexta a terça, foi publicada uma por dia, sempre no início da manhã. As conversas também são gravadas em áudio. É só dar o play acima para ouvir o podcast com o candidato. As entrevistas com Alexandre Campello, Jorge Salgado, Julio Brant e Leven Siano já foram ao ar. Leia nos links abaixo.

Leia a entrevista com Frias

O senhor foi muito ligado ao Eurico Miranda. Outros nomes importantes de apoio ao Eurico estão em outras candidaturas, como Leven e Campello. Por que decidiu lançar sua candidatura?

– Porque entendi que outras candidaturas não tinham deixado algo desse legado, que não é apenas do Eurico. Tenho insistido nisso. É um legado histórico de Vasco, de preceitos de Vasco, não foi uma coisa inventada pelo Eurico. Foi uma coisa que ele, depois de 25 anos de um Vasco que não conseguia voltar para os grandes dias, os dias de glória, ele baseado em Cyro Aranha, em outros grandes nomes que pertenceram ao Vasco, de momentos como do Expresso da Vitória, quando o Vasco teve que brigar contra preceitos ou preconceitos sociais que atacavam diretamente o clube. Então não via em nenhuma outra candidatura a possibilidade de fazer algo nesse sentido. E preferi então lançar a própria candidatura, dando opção ao quadro social para que ele tenha isso como uma base para o voto.Sérgio Frias é candidato à presidência do Vasco — Foto: Paulo Fernandes

O senhor acha que representa esse legado? Vai trazer o que ele trouxe de positivo e não cometer os mesmos erros, coisas que considera que o Eurico não tenha feito de maneira tão correta?

– Cada candidato, cada pessoa, tem a sua singularidade. Eu tenho a minha. Segui muito daquilo que me foi apresentado pelo Eurico Miranda ao longo dos anos, muito daquilo que vi e li dentro da história do Vasco, sou uma pessoa muito ligada à história do Vasco e vi no presente, naquela época, a importância que tinha de determinados preceitos serem conservados. Não só a singularidade, como a própria possibilidade de ver um Vasco com amplas possibilidades de crescimento institucional e independentemente da crise que vive hoje. Isso me dá tranquilidade de saber que com as pessoas certas, nos locais certos, pessoas de futebol, ligadas com futebol, e com esse preceito institucional fundamental, nós temos que fazer com que o Vasco cresça muito nesse triênio.

O senhor demorou a lançar a candidatura, e alguns nomes do antigo Casaca – hoje no grupo Fuzarca – estão com Leven. Por que acha que isso aconteceu?

– No momento em que as pessoas fazem opção por sair, formar outro grupo, normalmente elas pensam de forma diferente, uma forma política de pensar diferente. Então é absolutamente normal que vão para outra chapa, que vão buscar outro tipo de entendimento no que diz respeito ao Vasco. Não há problema algum porque o Casaca, na sua maioria esmagadora, manteve-se coerente e junto da forma como se vê o Casaca há cerca de 20 anos.

Hoje está muito claro para a maioria esmagadora dos torcedores que não era uma coisa simplesmente focada no próprio presidente Eurico Miranda, mas extravasava isso, respeitando e levando em consideração muito daquilo que foi produzido por ele. Porque normalmente nós concordamos com muitas das coisas que ele fez, embora em uma ou outra nós discordássemos. Então esse movimento hoje não há nenhum problema, nenhuma discussão maior. Quem resolveu sair, saiu e foi buscar outro caminho natural na política.

Sérgio Frias é candidato à presidência do Vasco — Foto: Paulo Fernandes

São 20 anos de maus resultados dentro de campo, e o Eurico foi presidente durante 11 desses 20. Quais foram os maiores acertos do Eurico, e aí abordando apenas a presidência dele, e os maiores erros?

– Em primeiro lugar, temos que fazer essa separação, que é muito importante para elucidar. Inclusive a própria imprensa deve ter esses dados que vou citar aqui com muita tranquilidade. Nós temos aqui no Rio quatro grandes clubes. Vasco, Flamengo, Fluminense e Botafogo, como é sabido, Eurico teve 10 anos e meio nesse período. Vou dar alguns dados: o Vasco batendo chapa, como se diz popularmente, com Flamengo, Fluminense e Botafogo, ganha dos três nesse período de 10 anos e meio. Batendo chapa nos outros nove anos e meio, ele perde para dois: para Flamengo e Botafogo.

No Brasileiro, que é competição mais forte no futebol brasileiro, o Vasco, fora o período do Eurico na presidência, ganhou zero partidas do Flamengo. Com Eurico, ganhou nove e perdeu cinco, portanto ganhou quase o dobro. Nesse período todo aconteceu de o Vasco, independentemente de títulos, dentro do estado do Rio, ter posição forte. Os títulos, ao longo do século, o Vasco ganhou quatro, Flamengo ganhou seis – digo quatro porque no início de 2001 ganhou aquele título do São Caetano. O Botafogo menos, o Fluminense menos. Se comparar o restante do período, sem Eurico, o Vasco é o que menos ganhou.

Então isso leva a pensar o seguinte: claro que com todas as dificuldades, o Vasco começou o século com problema muito sério no que diz respeito ao parceiro Nations Bank. O Vasco denunciou o contrato em fevereiro de 2001, contrato que deixou de ser cumprido em julho de 2000, portanto na gestão anterior à chegada de Eurico ao poder. Quando em janeiro Eurico assumiu o Vasco, devia meses de salários atrasados, direitos de imagem, a dívida era muito grande porque já havia problema muito sério com esse parceiro. Esse fim de parceria e problemas oriundos da discussão com a TV Globo, que durou um ano ou um ano e meio, discutindo problemas contratuais, evidentemente fragilizou o clube. Mas ele foi recuperado. Grande problema institucional se deu de fato na saída do Eurico, e o grupo que assumiu o Vasco sem a devida condição de assumir e em menos de seis meses pegou clube que há 108 rodadas não ia para a zona de rebaixamento – era o clube do Rio com a menor participação no chamado Z-4 até então – para ir a um rebaixamento diante de realidade que não era realidade da época.

O Vasco foi assumido com salários em dia, com as certidões, dentro do ato trabalhista, na Timemania… Enfim, as dificuldades que Eurico teve se deram em função daquele início, de escolha em determinado momento entre 2003 e 2004 para que o Vasco retomasse seu poder de liderança e reequacionasse sua dívida de maneira que o Vasco tivesse possibilidade, em período de cinco, seis anos, voltar a fazer investimento – isso foi respeitado até 2008 – e aí sofreu quem? O futebol.

Quando você começa a tentar equacionar o clube, ser mais responsável, pagar salário em dia, você tem esse problema com futebol. O futebol é o primeiro a ser atingido. Então não foi possível a montagem de grandes times. Segundo período dele, de 2015 a 2017, é exemplar no seguinte sentido. O Vasco manteve certidões negativas com efeitos de positiva de dezembro de 2014 até 30 de setembro de 2017. Ele se manteve no âmbito esportivo com dois títulos e deixado na Libertadores, lembrando que pegou o Vasco saindo de terceiro lugar da Série B sem liderar uma rodada sequer. Ele teve volta do basquete, do remo de alguma maneira, outros esportes olímpicos sem causar grandes danos – no sentido da questão financeira.

Houve pagamento de série de dívidas, houve recuperação de patrimônio, mas houve grande problema que tivemos nesse período é que havia já forma de pensamento do Eurico que muitas vezes atrapalhava determinadas situações para o clube emergir em ações de investidores, marcas, coisas nesse sentido. Mas mesmo assim o Vasco conseguiu entre 2015 e 2017 manter patrocínio master geral de R$ 11,5 milhões, via Caixa, conseguiu Viton 44, entre outros produtos, marcas que se atrelaram ao clube, verbas de governo que foram possíveis com que o Vasco tivesse suas obras.

Grande questão do Eurico, sendo pessoa muito personalista, e os chamados erros etc, estão no fato de que as frases dele, com algum tipo de infelicidade, criavam ecos muito fortes e se tornavam interpretativas e literais agressivas ao público, agressivas à própria imprensa. E isso atrapalha, porque quando você tem relação com imprensa que em determinado momento vira relação de duelo, a imprensa tem forma de pensar que aquilo ali precisa ser visto de outra maneira. É natural, é um aprendizado de vida de você lidar com as pessoas sabendo que as pessoas estão ali do outro lado fazendo seu trabalho, buscando a melhor informação. Tem juízo de valor, como todos nós temos, mas a coisa precisa ser tratada de maneira mais amena. E esse tratado de maneira mais amena leva a imprensa também a entender que ela pode ter relação seja com presidente de clube, diretor, relação de absorção das ideias da pessoa que está ali trabalhando, querendo o melhor para o clube.

Eurico comemora vitória sobre o Flamengo no Maracanã — Foto: Raphael Zarko/GloboEsporte.com

O senhor fez uma longa explanação, mas queria saber de forma mais direta, se possível, os dois maiores acertos e os dois maiores erros da gestão Eurico Miranda.

– Acertos: a questão de enfrentamento e manter o Vasco em primeiro lugar nas cotas de TV junto com Flamengo, Corinthians, Palmeiras e São Paulo. Enfrentamento com principais adversários, fundamentalmente o Flamengo. Os erros acho que foram em relação ao tratamento que muitas vezes não condizia com aquilo que o Eurico era. Ou era em um dos piores momentos do Eurico na hora da fala, isso atrapalhava, como estou te falando. A interpretação vem da fala, não adianta.

O segundo momento, entendo que a força que o Vasco tinha antes das discussões políticas começou a diminuir, então determinados atores políticos foram colocados em posição de destaque pelo próprio Eurico porque eram oposição a ele, e ele entendia que não poderia ser. Então ele não só os citava… Mas isso acabou atiçando a curiosidade de muitos outros e criando problemas pessoais de ordem política em determinado momento com figuras que poderiam até, tendo visão de Vasco, ser aliados no futuro. Essa questão de estar de um lado político, de outro lado, isso é questão de tempo. A gente cansa de ver que hoje um acha que tem que estar numa chapa, outro acha que tem que estar em outra, hoje pensa de uma maneira, observa num triênio, isso poderia ser levado dessa maneira. Então essa questão muitas vezes pessoal, que ele dizia que isso não poderia ser falado assim, de jeito algum, “porque essa pessoa e tal”. Isso acaba criando protagonismo dentro do Vasco e ao mesmo tempo isso fazia com que a pessoa se tornasse adversária das mais complexas do próprio Eurico e dentro da política do Vasco. Isso se transformava num burburinho, numa pequena confusão.

Eurico Miranda comemora vitória nas urnas — Foto: André Durão

O senhor citou o rebaixamento de 2008 e que, quando o Eurico voltou, o time tinha acabado de ficar em terceiro na Série B de 2014. Mas queria que comentasse o Brasileiro de 2015, na gestão Eurico. Rebaixamento com o pior início de clube grande na Série A (13 pontos em 23 jogos). O que deu errado?

– Não participei diretamente no futebol, mas procurei ajudar no momento da crise. Acredito até que pude ajudar com algum tipo de indicação, embora minha participação tenha sido muito pequena. Entendo o seguinte: historicamente o Vasco foi um clube que ao longo do tempo soube reagir a situações adversas. Isso é histórico no Vasco, se pegar as grandes campanhas, os grandes momentos. O Brasileiro de 2015 é um exemplo disso. O que aconteceu ali foi o seguinte, jamais o Vasco teve – e vou falar sobre as questões administrativas – e isso para mim é o fundamental, um prejuízo tão grande de arbitragem. É um tema chato de falar, mas foi muito grande o prejuízo. O Vasco teve 14 pontos de prejuízo de arbitragem.

Numa entrevista exclusiva que um dia vocês vão me dar, vou provar ponto por ponto e vou provar por A mais B, foram 14 pontos de arbitragem tomados do Vasco. E 11 exatamente no período que o Vasco reagia, nas últimas 15 rodadas. Aquilo desmancha qualquer tipo de reação. Todos se lembram da belíssima reação do Fluminense em 2009, que a princípio parecia impossível, e foi uma reação em que o Fluminense não teve prejuízo de arbitragem em jogo algum. Ao contrário, teve até um pequeno benefício, se não me engano contra o Palmeiras. Mas é natural quando o time grande começa a reagir, por ser grande, cria-se um clima de crescimento e reage, mas isso foi freado no Vasco. Foram três pontos tomados no primeiro turno e 11 no returno. Esse é o fator fundamental na minha cabeça.

Agora, nos fatores outros, o Vasco começou o Brasileiro muito mal. O grande emblema do rebaixamento virou o Celso Roth. Eu entendo que Celso deveria ter saído depois da derrota para o Corinthians, ali o Vasco teria 10 dias para treinar e jogaria contra Joinville em casa, Santos fora e Coritiba em casa. Ali naquele momento, se trocasse treinador, teria condições de somar mais pontos e não teria caído.

Há outra questão: se o primeiro treinador, que tinha acabado de ser campeão carioca, o Doriva, tivesse somado percentualmente o mesmo número de pontos que o Celso Roth somou, o que já é uma coisa muito ruim (risos), o Vasco também não teria caído. O Vasco teve naquele período uma grande dificuldade porque precisava de fato precisava manter os salários em dia e o elenco era muito barato. As contratações que foram sendo feitas, do Nenê, do Jorge Henrique, elas foram sendo feitas de forma que não estourasse orçamento. Maior salário do Vasco na época era R$ 150 mil, o Nenê veio ganhando um pouquinho mais. E isso de fato foi grande preocupação, porque imaginávamos “vai dar esse ano para nos mantermos com esse time” e isso não foi acontecendo e algumas contratações tiveram que ser feitas no meio da competição.

Então eu acredito que é um pacotão de fatores secundários, que foram esses que falei. Há um fator fundamental, eu acompanho o Vasco e faço anotações, estou nos anos 1940 para cá, o que aconteceu em relação à arbitragem… O Vasco em 2001 tinha tido um grande prejuízo de arbitragem no Brasileiro, quando perdeu, se não me engano 11 pontos. Catorze pontos de prejuízo, como em 2015, jamais aconteceu na história do Vasco. O Vasco precisava de três para não ser rebaixado e foram subtraídos 14 pontos. Então esse foi o fator fundamental. Mas o ano de 2015 não pode ser resumido apenas nisso. O Vasco estava há 11 anos sem ganhar o Carioca e ia bater seu recorde negativo sem ganhar o Carioca, eliminou o Flamengo, de quem não ganhava há inúmeros jogos. Eliminou e abriu ali uma enorme invencibilidade. E venceu na final o Botafogo, o que não acontecia em final há 50 anos, porque a Taça Guanabara de 1965 era um campeonato à parte e o Vasco venceu. Em 1967 venceu o turno do Botafogo, mas se o Botafogo vencesse a partida teria jogo extra, não considero decisão.

Você lançou por último a candidatura. Foi estratégia quando tentou na Justiça o adiamento do pleito, para tornar-se mais conhecido? Acha que seu conhecimento de Vasco é um diferencial da sua candidatura?

– Essa questão do adiamento, antes de lançar candidatura eu já tinha dito isso, que os prazos no Vasco estavam errados na Assembleia Geral Extraordinária, embora o tema fosse tranquilo, mas os prazos estavam errados e foi repetido isso na Assembleia Geral Ordinária. A grande questão é a seguinte: nós não podíamos entrar com ação, e isso precisa ser entendido, houve comunicado e não designação de data do presidente da Assembleia Geral, conforme está no estatuto. Então quando ele fez o comunicado, pensei que tinha que esperar a lista com as devidas impugnações para entrar com ação dizendo que precisa ter prazo de 60 dias, independentemente da questão da própria candidatura. Era um atropelo em relação ao estatuto do Vasco. Do mesmo jeito que entrei com outros pedidos, pessoas ligadas ao Casaca entraram com outros pedidos, como na questão do sócio geral que pode pagar todo seu débito com o clube, a partir do artigo 42, ganhar na Justiça…

Busco essa questão de o Estatuto do Vasco ser respeitado, porque entendo que quando se respeita o estatuto as coisas ficam mais harmônicas dentro do clube. Então, quando aconteceu isso, já havia essa ideia. Tomei todas as precauções, nós tentamos lançar a chapa no dia 26 de setembro. O clube não permitiu, porque a lista final não chegou. Se a lista não chegou, como estamos em campanha? Você coloca os 60 dias justamente para a partir do primeiro dia possível você poder registrar a chapa – até o 30º dia dos 60 – e iniciar a campanha.

Fizemos dois pedidos ao Vasco para ter a lista, com ofício na secretaria, depois de registrar a chapa, e que fosse nos dada a lista com telefones, e-mails, endereços das pessoas para que pudéssemos fazer campanha. Nós recebemos inúmeras mensagens de SMS e nós não podemos fazer pesquisa de SMS porque não temos telefone de associados. O quadro social do Vasco tem mais de 8 mil votantes e ficamos numa posição que não foi de equidade, então reclamamos disso, a isonomia. Então não foi estratégia. Foi ideia desde lá de trás que dissemos que aquele comunicado era nulo, baseado no que estava previsto no estatuto do Vasco. A mesma coisa aconteceu na Assembleia Geral Ordinária.

No que diz respeito à questão do futebol, precisamos entender uma coisa, o passado, presente, futuro do futebol se conectam. Você aprende no passado, tenta executar no presente e vislumbra que pode obter no futuro. O Vasco precisa entender o seguinte: o futebol é hoje completamente diferente do que era. Você tem que pegar o aprendizado do que era e trabalhar cientificamente, tem que trabalhar com disciplina, tem que ter excelente comissão técnica, jogadores comprometidos, tem que ter divisão de base forte, tem que ter espinha dorsal, tem que saber utilizar a base, ter a transição de maneira adequada. Ter harmonia de quem executa, quem gere, o executivo remunerado, aqueles da parte científica, aqueles que observam jogadores.

O Vasco tinha projeto na gestão Eurico Miranda chamado CIA Vasco, que era muito bom. Observava jogadores do mundo. Essas observações eram levadas aos treinadores que em determinado momento viam peça que não estava encaixada e podiam encaixar no Vasco. Se fizer trabalho sério relacionado a isso, você tem espinha dorsal, grupo de base e jogadores chamado funcionais. Eles se encaixam em determinados times e não se encaixam em outro, se encaixam em determinado esquema tático e não se encaixam em outro. Se encaixam com determinado treinador e não se encaixam em outro. Não são jogadores fora de série, são jogadores que precisa ter entrosamento, sentido coletivo e absorção do jogo, ideia do jogo do treinador. O Vasco, que na minha opinião contratou treinador capaz neste momento, na gestão do Campello, independentemente de ser oposição, preciso reconhecer que esse treinador (Sá Pinto) é capaz. Ele precisa ter elenco que se coadune com aquilo que ele pensa. Precisa ter forma de jogar que esteja coadunada com a cabeça dos atletas. E o Vasco precisa ter isso como espécie de guia para enfrentar seus adversários de igual para igual e não ficar preocupando quanto é o orçamento, quanto é o custo mensal para você pagar o time de futebol. Tem que ser eficiente e pode enfrentar seus principais adversários com coordenação, com disciplina e com o devido espírito coletivo.

Quais são seus planos para o futebol? Qual será a estrutura? Você já tem nomes do VP de futebol e do executivo? Existe a possibilidade de manter alguém da pasta da atual gestão?

– Claro que, se houver gente da atual gestão com capacidade, não há o que discutir. Não se pode politizar as coisas. Claro que em toda gestão há pessoas competentes e você tem que ter essa percepção. Senão muda tudo a cada gestão por conta de compromissos. Eu não fiz compromisso com ninguém. É claro que tenho nomes na cabeça e converso com pessoas. É natural. Sobre a estrutura, você tem que tem um gestor de futebol. É claro que teremos VP, mas você tem que ter a figura do diretor executivo, a pessoa do vestiário, a pessoa responsável por contratar. Mas não simplesmente contratar porque quer. Você tem que partir desse ponto da análise científica dos atletas, da situação financeira do clube. Isso também faz parte da responsabilidade do comitê gestor.

Também precisamos de pessoas que façam a ligação entre a base e o profissional. São fundamentais. Muitas vezes você lança um jogador de forma equivocada e perde o jogador. É importante ter alguém para avaliar se é necessário segurar mais um pouquinho, dar dois, três meses ao jogador. Isso é muito importante. E também, muito próximo delas, teremos pessoas para representarem o Vasco junto às federações. É fundamental observar o que a comissão técnica deseja. Claro que a comissão pode desejar que você contrate um jogador que não tem a menor condição. Mas a comissão técnica, quando está devidamente alinhada com a direção do clube, percebe aonde pode ir, aquilo que pode fazer, com aquilo que a direção pretende do clube quanto a pagamento para o plantel.

A ideia de um vice de futebol como era o Eurico Miranda, naquela época, era absolutamente plausível. E a figura dele também fazia com que fosse plausível. Hoje não dá mais. Você tem que buscar um núcleo de pessoas que possam fazer no futebol um ambiente com esse entrosamento e essa harmonia. E aí vamos escolher as pessoas, baseado no preceito, de que essa harmonia seja obtida durante a gestão.

Sérgio Frias, candidato à presidência do Vasco — Foto: Divulgação

O atraso de salários tem sido um problema central e constante no Vasco. Como o senhor pretende acertar isso e colocar os salários em dia?

– A primeira coisa que você tem que fazer quando entrar no clube é mostrar para parceiros e possíveis investidores que o clube tem, a partir daquele momento, uma unidade política e credibilidade. Você tem que buscar os credores, não pode ignorá-los. É mais simples olhar para o que está para frente. Mas não pode ser assim. O Vasco é um clube que deve, tem salários atrasados nesse ano, então temos que mostrar que nossa responsabilidade será pagar. Podemos abrir mão de ter determinada coisa para pagar.

E eu não abro mão de uma coisa: os funcionários têm que receber. Os funcionários administrativos e principalmente os funcionários mais humildes. Eles mantêm o clube em pé. Não estou dizendo que não vamos pagar os jogadores. Vamos pagar todos. Mas os funcionários precisam ter, em qualquer tipo de eventualidade, prioridade. Isso é muito importante. No que diz respeito à forma que vamos fazer, você pode até estourar em determinado momento seu orçamento, desde que você tenha lastro.

O que mais acontece no futebol é você fazer um planejamento, os resultados não acontecem, as pessoas te cobram e você começa a gastar para resolver o problema. Então você tem que ter muita segurança do elenco que você montou. Ele pode não estar em um bem, em um momento de crise, mas tem que ter capacidade. Aí você busca resolver o problema. E não achar que resolve a crise demitindo alguém ou contratando. Se o Vasco tiver isso na cabeça, ele consegue se manter. O fundamental então é escolher muito bem, priorizar o que tiver que priorizar e trazer confiança para jogador e funcionário. Um dos grandes méritos do Eurico Miranda é que as pessoas acreditavam nele. No momento que ele dizia que ia resolver o problema, as pessoas acreditavam. O jogador de futebol se comunicam, se falam, e percebem quando um dirigente busca de fato fazer e sabe quando o outro não está nem aí. Você tem que ter esse comprometimento.

Vamos falar de estrutura. Quais seus planos para São Januário e Maracanã?

– Em relação aos jogos em São Januário, sou daqueles que são a favor de que os jogos do Vasco sejam em São Januário, até por questão de valorização do sócio torcedor. A não ser em partidas de fato que vá ter público muito além da capacidade do seu estádio e que possa levar para o Maracanã. Mas o problema do Maracanã é que encolheu muito. Nós até 2009 levávamos mais de 90, 100 mil pessoas. Depois começou a diminuir, diminuir… nesse período que encolheu, você muitas vezes vai ter, se São Januário coubesse 30 mil pessoas, metade da capacidade do Maracanã. O grande problema de São Januário é que a capacidade é diminuta em relação ao tamanho do próprio estádio. Hoje são liberadas 21 mil pessoas. O Vasco tem condições de fazer sua reforma, reforma ampla, como tem condições fazer pequena reforma inicial em que ele aloje a torcida adversária naquele local, não exatamente atrás do gol, mas ali naquele canto do estádio. Aí fica todo o estádio da arquibancada para a torcida do Vasco. Com isso você aumenta um pouco mais a capacidade e resolve problema de segurança de torcedores visitantes. Isso é uma forma de fazer algo enquanto você não tem a própria reforma do estádio.

São Januário precisa de reforma? Precisa. De ampliação? Precisa. Pode ter projeto que se coadune com entorno de São Januário? Fundamental. O entorno tem que ter estrutura para o Vasco crescer da maneira como quer crescer dentro do seu complexo no que diz respeito à capacidade de público. Quando o Vasco, num eventual acordo, não tiver São Januário local para ter seus jogos, você tem que ter outro em mente. Essa empresa ou esses investidores para São Januário têm que garantir o Maracanã seja no valor monetário, seja dando opção do Vasco nos jogos fora de São Januário.

Na nossa ótica, o Maracanã é do Vasco como é dos outros três grandes clubes do Rio. Isso é um preceito nosso. Também é do América, Bangu, dos outros clubes. Então, dentro dessa lógica, se tiver cobrança no Maracanã, se for muito alta para o Vasco, eu faço as contas e penso, mas como estou em obra aqui e não posso jogar, “olha só quanto eu vou gastar”. Isso tem que fazer parte do acordo. O Maracanã deve ser alicerce para você ter gasto, além do gasto que você já tem normalmente com relação ao futebol.

No que diz respeito a questão dos jogos serem em São Januário ou Maracanã, quero só fazer determinada colocação. Há jogos que você ganha em qualquer lugar. Há jogos em que a possibilidade de ganhar no seu estádio é muito maior. Você tem que pesar aspecto técnico quando vai atuar em SJ ou no Maracanã. O Vasco venceu Libertadores em São Januário. Se não fosse talvez não vencesse por melhor que fosse a equipe. Então isso tem que pesar, agora não dá para imaginar hoje, como em 1998, 40 mil pessoas no jogo. Hoje você põe 21 mil pessoas. Então tem que ter de alguma maneira estrutura para aumentar a capacidade do estádio e fazer com que jogos de maior porte possam ser realizados lá.

São Januário ficou lotado contra o Goiás antes da pandemia — Foto: Agência Estado

E em relação a CTs, qual a ideia?

– Uma coisa importante para entendermos é que vai chegar determinado momento em que todos os clubes da Série A vão ter CT e um vai ficar em primeiro, outro em vigésimo com CT ou sem CT. Então a verdade é que se o CT não for bem aproveitado é simplesmente um espaço para treinar. Claro que tem que ter a proximidade da base com atleta profissional, isso é evidente. Hoje você tem dois ambientes, o de Caxias e o novo CT. Tem que se dar um espaço para o futebol feminino treinar. O Vasco tem várias categorias de futebol feminino, pode ser em Caxias, pode ser em outro local. Mas tem que ter. O fundamental é você entender que o jogador tenha concentração naquilo, fora do ambiente do estádio, do jogo. O CT serve para isso. É o momento que você pega o jogador profissional, o de base, um observa o outro, o da base aprende coisas ali. E a forma como faz a transição de uma categoria para outra fica adequada ao conhecimento de que você já tem de como funciona o profissional. O CT é um grande ganho, não há dúvida alguma. Mas tem que saber usar o CT.

Para o tamanho da sua torcida, o Vasco arrecada pouco (cerca de R$ 215 milhões), está ali em 11º lugar, com a quinta maior torcida do país. O que fazer para mudar esse quadro?

– Temos dificuldade muito grande quando se faz essa análise de torcida é porque São Paulo é muito grande, as torcidas de São Paulo são enormes e o estado de São Paulo é muito maior do que o Rio. Mas, proporcionalmente, Vasco e Flamengo são imbatíveis no Brasil inteiro. Vasco e Flamengo têm torcidas no Brasil inteiro de forma muito alavancada, o que não acontece com os times de São Paulo, embora, evidentemente, isso tenha crescido nos últimos 30 anos. Anteriormente os veículos de comunicação do Rio chegavam muito mais.

O Vasco tem missão para ser absorvida. O que aconteceu com o Vasco no final do ano passado demonstra o tamanho da paixão que essa torcida tem pelo clube. Não se coloca 150 mil torcedores no momento que o Vasco estava vivendo. É claro que existe a questão pelo momento que o principal rival está vivendo, mas não é fácil dar essa resposta da maneira avassaladora como a torcida do Vasco deu. Fazer essa resposta no CT, que parecia ideia louca, que não seria nunca possível e a torcida fez o que fez. Esse é o maior patrimônio que o Vasco tem. Se o Vasco souber tratar a torcida, se o Vasco souber trazer a torcida para dentro do Vasco, se o Vasco souber entender que a torcida só quer ver títulos, só quer ver vitórias, o Vasco vai ter, com certeza, aumento de receita, novos parceiros. Pessoas que vão olhar, “olha o tamanho dessa marca, olha o comprometimento com esse clube”. Isso é o fundamento, o Vasco tem que usar a sua história, que é belíssima, tem que entender que a forma dele captar receita tendo, evidentemente habilidade política, preceito institucional, que isso é o grande sustentáculo do Vasco. Não é fácil você viver situação em que você quer ajudar e não sabe como.

A torcida do Vasco quer ajudar. Isso foi comprovado e isso é uma grande lição da torcida do Vasco para todos aqueles que militam no mundo político, no mundo social, no mundo vascaíno em geral.

No dia 16 de janeiro de 2018, três dias antes da eleição da Lagoa, o Vasco anunciou patrocínio da Lasa. O Casaca, seu grupo, até então unido, fez muitas loas em público a essa realização da gestão Eurico. No dia 22 de janeiro, Campello tomou posse, e a Lasa sumiu. O que aconteceu? O Casaca participou da negociação?

 A questão é a seguinte, houve um contato iniciado no final do ano, acho que dois meses antes do fim de 2017. Havia um grupo de pessoas, que hoje já não fazem mais parte do Casaca, que estavam fazendo trabalho para busca de patrocínios, de recursos para o Vasco. E houve vários contatos. Quando bateu ali fim de dezembro, se não me engano a data é essa, foi perguntado para o grupo que, teoricamente, seria o grupo que assumiria o Vasco, o do Julio Brant, o que eles tinham de patrocínio para que não esbarrasse uma coisa na outra. Foi falado, “Olha, temos uma possibilidade, o valor é muito grande. Mas vocês têm alguma coisa?” “Não, não temos”. Quando houve a entrevista do Julio e que ele já se posicionou como presidente do Vasco, o que foi um erro estratégico dele, ele disse na ocasião que ele chegava ao Vasco, mas não tinham nada. O objetivo era chegar ao número de sócios do Benfica, que era chegar a 200 mil, e isso a torcida do Vasco fez sem nenhum dirigente. Isso coaduna de fato com aquilo que foi dito, que não tinham nada. A mesma coisa com relação ao material esportivo na época.

Então o valor era considerável, foi feita a negociação com a Lasa, foi publicada no site do Vasco. Um mês e meio depois, com o dinheiro não tendo entrado, ficou absolutamente livre para qualquer outro.

Aí houve um erro estratégico, ao meu ver. O Vasco tinha há três anos a Caixa, se tivesse novamente as certidões teria possibilidade de mais um ano. E o Vasco, em abril, recebeu valor enorme em relação ao Paulinho. Ali você poderia ter análise de possibilidades. Olha, posso voltar a ter as certidões, como é que eu faço? A verdade é que o Vasco passou o ano de 2018 sem nenhum patrocínio master. O ano todo. Então, em termos de prejuízo, o Vasco anunciou a Lasa no site, não anunciou em nenhum outro lugar. Há uma ação que o Vasco cobra, se não me engano R$ 2,6 milhões, e independentemente de não ter dado certo, ficou espaço liberado mês seguinte. Em termos de prejuízo, não vi.

Não houve prejuízo à imagem do clube?

– Eu entendo da seguinte maneira: a imagem do clube teria sofrido prejuízo se tivesse feito grande propaganda daquilo. Quando você fez aparecer a Lasa no site oficial só uma vez… Claro, o presidente do clube deu lá uma entrevista e disse “É, pode ser etc. É um parceiro”. E eles vieram aqui, o presidente da Lasa conversou… Você me perguntou se eu tive participação. Não tive nenhuma participação. Pessoas do Casaca, que hoje não são mais do grupo, fizeram isso. Não tive, mas soube. “Está acontecendo isso, aquilo”. E, independentemente da forma como as coisas ocorreram, entendo que poderia ter a partir de fevereiro, se já tivesse alavancado outra coisa, poderia ter outro patrocínio. Mas o Vasco não tinha nada.

O grande problema se pararmos para ver é o seguinte: você vai para uma eleição em 2017 e você diz que você vai arrebentar. E você não tem nada. Porque teria grande prejuízo para o Vasco em novembro e dezembro e “puxa vida, estava com coisa alinhavada, aí apareceu uma empresa e atrapalhou isso”. Mas não tinha nada. Essa que é a realidade. Então acho que havia vislumbre da Caixa, creio eu que, se tivesse havido reeleição, o Vasco teria fechado com a Caixa, pós-não fechamento com essa empresa. Depois de não ter feito esse acordo com essa empresa, o Vasco teria entrado com ação contra ela e teria condição de manter a Caixa. Como não foi possível aquilo, deveria haver um plano B, mas não havia plano B algum no Vasco. Essa que é a realidade, que acabou atrapalhando. E os patrocínios que o Vasco obteve ano passado e esse ano, comparados aos de 2015 a 2017, são ridículos. A média era de R$ 11,5 milhões de patrocínio em três anos. Hoje, é algo em torno de R$ 4 milhões. Três vezes menos.

Como avalia a gestão do Campello? Ele teve o voto do seu grupo na eleição na Lagoa.

– Sim, demos apoio no dia 18 (de janeiro de 2018) e eu tive preocupação logo em seguida de dizer, “nós temos que buscar a unificação do clube”. Disse que o Vasco precisava estar minimamente unificado para poder vivenciar esses próximos três anos. Nas mídias do Casaca, eu procurava falar sobre isso, porque eu entendia o seguinte: nesse momento temos um grupo antagônico político a nós, que é o Identidade Vasco, e o Campello era desse grupo. Nós temos o Conselho de Beneméritos que conseguiu se coadunar com aquele grupo naquele momento, o próprio Eurico que era um líder desse grupo, e o Casaca, da mesma maneira, pensava que era momento de unificar, de fazer entrosamento. Houve um problema muito sério, que aconteceu também na gestão do Dinamite quando ele entrou, que é o fundamento institucional que diferencia o Casaca de qualquer outro grupo. Houve não respeito do princípio da continuidade administrativa.

Quando não respeita isso, você põe tudo abaixo do que foi feito. Eurico saiu do Vasco, e os últimos meses foram muito difíceis por causa da instabilidade eleitoral, os parceiros muito preocupados se iriam ou não receber se Eurico saísse… Então houve momento de atraso de funcionários e jogadores, que estavam em dia ou praticamente em dia – às vezes com pequeno atraso de 10 dias. Isso durante período de dezembro de 2014 até setembro de 2017. E também pagou salários que haviam sido deixados pela gestão anterior, décimo terceiro e etc.

Acordos o Vasco fez aos montes e foi cumprindo. Alguns deixou de cumprir nos últimos meses. Faltava alguma coisa naquele final de gestão. Quando houve a chegada do Campello, naquele momento Eurico conseguiu entrada inicial de R$ 11 milhões. Ele aumentou a multa rescisória do Paulinho de 10 milhões para 30 milhões de euros. E em menos de 90 dias entrou aquele dinheiro todo. Havia questão de bom senso do Vasco de entender que era hora do clube, para a imprensa, para os torcedores, de dizer “olha, houve aqui grande esforço, vamos continuar esse trabalho, infelizmente o final não foi da maneira adequada, mas vamos dar continuidade ao nosso trabalho e aí mostrarmos nossa singularidade, nossa forma de pensar Vasco etc, mas dentro desse preceito”.

E o que se fez foi exatamente o contrário. Para fazer ou para dar possibilidade de absolvição de quaisquer problemas futuros, foi levado para aquele passado recente, “olha que situação que o Vasco foi deixado”. Ignorando-se tudo que foi feito durante aquele período de dois anos e nove meses de gestão. E todos sabiam as dificuldades que foram encontradas. E fizeram uma carta que não foi nem escrita pelo Campello, mas pelo grupo que hoje está ligado ao Jorge Salgado. Essa carta nós achamos insidiosa no que diz respeito à situação que o Vasco vivia.

Daquele momento em diante, eu liguei para o Eurico e falei: “olha, a partir de agora nós somos oposição a essa gestão, porque ela está desrespeitando não só a você, mas todos aqueles que trabalharam e nós sabemos a dificuldade que foi vivenciar isso em três anos”. Então a partir dali nos tornamos oposição, mas nunca oposição devastadora, pelo contrário, fomos oposição que foi muito mais perseguida por muito pouco que se opunha, porque na verdade já havia um métier ali de “olha, vamos deixar do jeito que está, está tudo bem”. E nós não aceitamos. Era algo para nós muito caro. Então quando você vai assumir um clube, como em qualquer outra entidade, tem que assumir os problemas que recebeu, cuidar desses problemas de forma prioritária, principalmente o que diz respeito a salários, porque aqueles funcionários e atletas permanecem no clube e eles precisam receber aquele valor.

E você, dentro de uma receita que você recebe em menos de 90 dias, deveria ter uma preocupação e não houve. Isso para nós foi devastador para o Vasco em 2008, se simplesmente cumprissem o que estavam cumprindo, o Vasco não cairia de divisão de jeito algum. Aquilo foi tentativa de choque de gestão, quando não era necessário. Era necessário aprender com o que foi deixado de gestão, aprender e fazer as devidas mudanças que se achassem adequadas. E foi exatamente o mesmo erro ocorrido 10 anos depois. Nós vimos isso ocorrer e nos tornamos oposição. O grande problema veio disso. As outras coisas foram consequência. Houve péssima visão política do presidente do Vasco, que brigou com o próprio grupo que era ligado a ele, o Vasco ficou praticamente dividido, muitos grupos, muitas visões. E ao longo da sua trajetória ele não conseguiu se mostrar captador de recursos. Com isso, o Vasco atrasou salários de outubro de 2018 até o presente momento. Tanto é que já fez acordo para 2021.

A torcida do Vasco ajudou muito essa gestão, mas a gestão em si não se ajudou. E o presidente do clube não conseguiu criar base política para ele. Tanto é que ao longo do tempo não conseguiu obter por parte de grupos políticos do Vasco satisfação com a gestão dele. Muitos o apoiavam por questão institucional etc, dentro do Conselho de Beneméritos, mas sem se satisfazer com a gestão dele. A gestão foi entendida como ruim ao longo do tempo e assim permaneceu durante três anos. Claro que toda gestão acerta e erra e, se alguém quiser defender o Campello, vai achar acertos, sem dúvida. Mas o fundamento da história se perdeu da não continuidade administrativa. Um erro lá de trás que trouxe a série de erros cometidos posteriormente.

Perguntas finais. Existe chance de união com outra candidatura?

– Para me apoiar, sim.

Será candidato até o dia 7?

– Sim.

Qual sua posição sobre voto de sócio-torcedor?

– Desde que tenha programa de sócio-torcedor como teve no Vasco entre 2003 e 2007, que você pagava por 36 meses a mensalidade e depois se tornava sócio-proprietário, tinha essa opção, você pode fazer programas nesse sentido. A fidelização pode levar a isso, dependendo do valor que se pague.

Defende reforma do estatuto?

– Claro. Não só defendi como fui partícipe dela.

Em caso de derrota, faria parte da gestão de algum outro candidato?

– Em princípio, não.

Defina os candidatos com uma frase ou uma palavra:

Sérgio Frias

– Vascaíno apaixonado.

Alexandre Campello

– Decepção enquanto gestão.

Jorge Salgado

– Partícipe de gestões fracassadas no Vasco, com exceção ao período que teve Eurico Miranda nelas.

Julio Brant

– Não mostrou ao que veio até hoje.

Leven Siano

– Prejuízos inúmeros causados ao Vasco no passado.

Recado final para a torcida e associado.

– Acreditem no Vasco, acreditem na possibilidade e na força de vocês, porque essa força de vocês é que pode alavancar o Vasco futuro.

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