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De Gabigol a Sheik, Tite a Jesus, Arão relembra histórias do bi pessoal em busca do tri pelo Flamengo

Em uma final tão equilibrada para prognósticos, uma coisa é fato: o duelo entre Flamengo e Palmeiras, sábado, no Centenário, em Montevidéu, consagrará tricampeões. Os dois clubes lutam para ingressar em um grupo seleto que conta com São Paulo, Santos e Grêmio, e em campo Willian Arão é o único entre os 22 titulares que tem a chance de chegar ao topo da América pela terceira vez. Bagagem adquirida com dois dos times mais dominantes do Brasil no Século: o Corinthians de 2012 e o Flamengo de 2019.

Willian Arão pode se tornar tricampeão da Libertadores — Foto: Reprodução Instagram da Conmebol

Em momentos bem distintos da carreira, Willian Arão viu de perto conquistas com personagens e momentos marcantes e similares. Flamengo e Corinthians tiveram heróis com dois gols em finais (Gabigol e Sheik), goleiros protagonistas com defesas decisivas (Diego Alves e Cássio), técnicos icônicos (Jorge Jesus e Tite) e rivais argentinos (River e Boca).

Em bate-papo com o ge, o volante rubro-negro abriu o baú de memórias dos títulos que carrega em quadros na parede de casa. Antes, porém, falou sobre o que esperar do duelo de sábado com o Palmeiras, e a experiência o faz refutar de cara qualquer comentário profético a respeito do encontro entre os dois últimos campeões da América:

– Cabeça fria para não fazer besteira. É um jogo só, muita coisa pode acontecer. O cara pode tomar uma decisão errada, porque é ser humano, acontece, e mudar o destino da partida sendo expulso, um gol cedo pode mudar o destino do jogo. Muita coisa pode acontecer. Acompanhei muita coisa que falaram de favoritismo, mas é 50% para cada um. Pode parecer clichê, mas é verdade. O Palmeiras é o atual campeão e não chegou duas vezes na final à toa. Nós fomos campeões em 2019 e não chegamos aqui à toa.https://e2f5b42c8659e13f46391b3633c04df3.safeframe.googlesyndication.com/safeframe/1-0-38/html/container.html

“Ninguém deu nada para nós e nem para o Palmeiras. Foi tudo conquistado. Então, nós temos os méritos. E é preciso equilíbrio. Vai ser um jogo com pecinha de xadrez, dominando e explorando aqui e ali. Quem controlar melhor as ações e aproveitar as chances vai sair campeão”

Willian Arão comemora título de 2019 — Foto: André Mourão / Foto FC

De garoto que sequer entrou em campo na campanha comandada por Tite há quase uma década a peça de equilíbrio no time dos sonhos montado por Jorge Jesus, Willian Arão vive momento de lua de mel com o torcedor. Ao entrar em campo para encarar o Palmeiras, sábado, sabe que a mira das críticas está distante do seu peito. Realidade que ainda está se acostumando e trata com bom humor.

– Vou te falar que ainda não (acostumou com os elogios). Quero viver essa fase por muito tempo, ainda não estou acostumado, não (risos). Quando vem a crítica, parece que dura muito tempo, anos e anos e anos. E quando vem o elogio parece que é tudo tão rápido. Me mantenho centrado. Estou feliz com meu momento, por corresponder em campo e não passar dúvidas para a torcida. Vou seguir trabalhando. Isso não vai mudar. Vou dar meu máximo hoje, amanhã, depois de amanhã, para seguir correspondendo e sendo elogiado. É muito bom.

Willian Arão comemora título Mundial pelo Corinthians — Foto: Daniel Augusto Jr/Ag. Corinthians

Jogador mais experiente no que diz respeito ao Flamengo no elenco atual, com mais de 300 jogos, Arão voltou no tempo para falar da mistura de sensações nas conquistas contra Boca Juniors e River Plate. Títulos marcantes, com trajetórias distintas, mas especiais. Cada um ao seu jeito.

– É o mesmo (sentimento). Claro que todo jogador quer jogar, todo jornalista quer cobrir uma Copa, todo narrador quer narrar um jogo da Seleção… É natural, mas temos que entender o processo. Entender que naquele momento, naquela altura, ser campeão jogando ou não… Obviamente que eu queria estar em campo, mas reconhecia que tinha jogadores que eram melhores naquele momento para o treinador e o time.

“Ajudei como pude nos treinamentos colocando pressão para que não relaxassem, para que estivessem sempre no melhor nível. É a mesma coisa. Se fosse para escolher, escolheria 2019 por jogar. Mas são dois títulos que me deixam muito orgulhoso e feliz”

Em resenha descontraída com o ge, Willian Arão comparou campanhas, momentos, heróis e adversários. Uma forma de voltar no tempo e se inspirar para o jogão de sábado, às 17h (de Brasília), no Centenário. Do lado do Palmeiras, dois jogadores também buscam o tricampeonato particular, mas não começam jogando: Willian Bigode e Marcos Rocha, que está suspenso. Confira o bate-papo!

Corinthians 2012 x Flamengo 2019

– Se eu pudesse pontuar uma coisa em comum, seria a amizade dentro e fora de campo. Foram times muito amigos. Tenho amizade até hoje com o pessoal do Corinthians. No Flamengo, apesar de ser a mesma base, mantemos o contato com os que já foram embora, a amizade é muito grande. Diria que a parceria é o que com certeza dá resultado. Claro que ninguém é obrigado a ser amigo de ninguém, todo mundo está ali para ganhar, mas quando você tem um grupo amigo, seu parceiro se doa um pouco mais por você, te ajuda na hora que precisa, reconhece fragilidades e fraquezas para dar um socorro. No final de tudo, quem ganha é o time. É assim com o Flamengo e foi assim com o Corinthians.

Defesa do Cássio x Defesa do Diego Alves

– Ali é torcer e torcer para o goleiro fazer um milagre, como eles fizeram (risos). Não tem mais o que fazer. O companheiro mais perto no Corinthians era o Alessandro, no caso do Everton era o Rodrigo Caio. O jeito é dar força para o parceiro tentar chegar e atrapalhar, gritar no campo para tentar desestabilizar, criar uma confusão na cabeça do adversário. Mas fico feliz pelo resultado das duas jogadas, que foram defesas dos dois excelentes goleiros.

Boca 2012 x River 2019

– Adversários muito potentes. O Boca era do Riquelme, que não era mais aquele jogador que foi, já com uma certa idade, mas ainda decisivo. Sou muito fã dele, consegui trocar a camisa com ele na final e está aqui em casa enquadrada. Então, era um time que dependia muito. O time do Gallardo já não era um time de um jogador específico, era um conjunto. Na época do Corinthians, conseguimos anular bem o Riquelme, apesar de ter outros jogadores muito bons e uma defesa sólida. Com o River, que tinha o Palacios, o Enzo, não era só um jogador, era um conjunto, e conseguimos controlar bem o jogo depois de um começo conturbado.

Gols do Sheik x Gols do Gabigol

– Foi totalmente diferente. No Corinthians, foram gols durante o jogo, não foi aquele clima no finalzinho. Sabíamos que estávamos jogando em casa, com o Pacaembu lotado e a chance era muito maior de sair com o título. Na minha opinião, nosso time era melhor e fez por merecer, com dois gols do Sheik, que foi decisivo como é o Gabriel. Em 2019, foi totalmente diferente com 1 a 0 contra, final única, campo neutro, tudo contra.

Eu lembro que no banco só falava que íamos ganhar o jogo. Acho que poucas vezes falei isso, mas quando saí só ficava repetindo: “A gente vai ser campeão! A gente vai ser campeão!”. Não conseguia parar de falar. O treinador de goleiros estava do meu lado e falva: “Willian, a gente vai ser campeão”. E eu repetia: “Eu sei, a gente vai ser campeão”. Aí, saíram os gols e emoção foi muito grande. São momentos distintos, emoções distintas, mas com final feliz. Espero que agora seja novamente.

Tite x Jorge Jesus

– O Tite me ensinou muita coisa. É um treinador fantástico, que tem uma visão extraordinária defensivamente, sabe anular os pontos fortes das outras equipes, sabe neutralizar, controlar bem as partidas. Por característica, são equipes que sofrem poucos gols. Aprendi bastante em questão de posicionamento. Até mesmo com Ralf e Paulinho, eu observava muito o que o Tite gostava. Era outra fase da minha carreira, iniciando, e estava aprendendo, sugando tudo que podia. Vendo, perguntando, sendo curioso, treinando bastante.

Em 2019, foi um outro estágio de carreira com o Mister e outros ensinamentos defensivos e ofensivos. Apesar de eu jogar de primeiro volante, com movimentações que para ele eram importantes, mas aqui no Brasil eu não estava acostumado. Foi mais uma lapidada com alguns toques e muitos ensinamentos. São dois grandes treinadores e foram os dois melhores que tive na minha carreira.

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