De execrado a exaltado, Marcelo Chamusca vive montanha russa em 20 jogos pelo Botafogo

Três meses parecem pouco tempo, mas, na maratona do calendário brasileiro, é possível encaixar jogos suficientes para condenar ou aplaudir um trabalho. E até sair de uma situação para a outra, como é o caso de Marcelo Chamusca no Botafogo.

Apresentado no fim de fevereiro, o treinador estreou pelo clube em 3 de março, no Campeonato Carioca. Passado o Estadual e iniciada a Série B, já foram 20 partidas na nova casa em um intervalo de 113 dias. Tempo em que o profissional sobreviveu a campanhas na internet pela demissão para ser elogiado pelas boas atuações no campeonato nacional.

Nesta temporada, o Botafogo disputou, em média, um jogo a cada cinco dias, com oito vitórias, nove empates e três derrotas. O time marcou 28 gols e sofreu 12.

Chamusca vai do inferno ao céu em poucos meses e encontra estabilidade no momento certo — Foto: Infoesporte

Primeira impressão gera bronca

O início de Chamusca no Botafogo foi turbulento. Depois de boas apresentações nas primeiras partidas com direito a duas goleadas (Resende e Moto Club), as eliminações no Campeonato Carioca e na Copa do Brasil causaram uma primeira impressão ruim, que fez os torcedores perderem a paciência rapidamente. Nas redes sociais, foram frequentes os pedidos de demissão do treinador antes da estreia na Série B.

O barulho externo passou a ecoar para dentro dos muros do Nilton Santos, e a demissão também foi debatida entre os dirigentes. A decisão foi pela continuidade. Um mês depois, a temperatura diminuiu, os bons resultados começaram a aparecer e a histeria perdeu espaço.

Douglas Borges (16 jogos), Kanu (16) e Jonathan (13) formam o pódio de jogadores mais vezes titulares com Chamusca. O técnico já utilizou 38 atletas em 20 jogos.

Mais do que as derrotas, o temor era pelo diagnóstico de falta de evolução da equipe na primeira parte da temporada. No Estadual, foram apenas cinco vitórias em 15 jogos. O momento mais crítico foi a eliminação na segunda fase da Copa do Brasil para o ABC, clube da quarta divisão. Nem mesmo a despedida do Carioca com vitória sobre o Vasco amenizou o clima.

Chamusca se segurou pelo apoio do diretor de futebol Eduardo Freeland e pelo consenso de que o elenco ainda estava em formação e precisava de reforços. Venceu o argumento pela necessidade de tempo para formar um grupo quase do zero. Afinal, 18 jogadores chegaram e 21 saíram. Dos titulares de 2020, apenas o zagueiro Kanu continua para disputar a Série B.

Time encontra encaixe

A chegada de novos reforços e o encaixe do time coincidiram com o bom início da Série B. Após o Carioca, seis contratações foram anunciadas, e duas das caras novas já são titulares: o volante Luis Oyama e o atacante Chay. Além deles, a expectativa é de que Rafael Moura, estreante do último domingo, também ganhe a posição.

Com os últimos movimentos no mercado, a diretoria corrigiu algumas falhas na montagem inicial do elenco. Principalmente para ter opções de volantes e atacantes de velocidade. Com a saída de Zé Welison, o Bota ficou sem jogadores defensivos no meio de campo. Mais à frente, os primeiros reforços não deram conta e o time ganhou novas opções.

A carência era tanta que Oyama foi titular dias depois de chegar ao Nilton Santos. Com ele em campo, Chamusca deixou de sobrecarregar nomes como Pedro Castro e Ricardinho. No ataque, Chay assumiu o lado esquerdo e liberou Marco Antônio para jogar na posição de origem, como meia.

– O Botafogo está em um crescimento. No jogo do Vila Nova a gente merecia um resultado melhor pelo que a gente mostrou e pelo que o Vila Nova também jogou. Contra Coritiba e Remo, o time cresceu, está consistente (…) A gente evoluiu na consistência defensiva e os jogadores começaram a crescer e se entender melhor. Nossa transição começou a entrar mais e a gente evoluiu na fase ofensiva – comemorou o treinador.

Chegada de novos reforços ajudou Chamusca a melhorar desempenho do Botafogo — Foto: André Durão/ge

A montanha russa que Chamusca embarcou parece ter encontrado um caminho de estabilidade no momento em que o Botafogo mais precisava. Os sete pontos em nove disputados nas primeiras partidas da Série B deixam o clube em situação confortável para enfrentar uma maratona de viagens a partir da quarta rodada, contra o Londrina, no Paraná. Os próximos compromissos serão desgastantes e com pouco tempo para treinos, o que promete mais emoção para o treinador.

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