Daniel Silveira diz que ministros do STF são antidemocráticos e que usaria menos xingamentos em vídeo

Em prisão domiciliar por ter ameaçado ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), o deputado Daniel Silveira (PSL-RJ) voltou a criticar nesta terça-feira os magistrados da Corte em sessão do Conselho de Ética da Câmara. Ao ser ouvido em audiência, o parlamentar tratou os ministros como antidemocráticos e disse que só se arrepende de ter usado muitos “xingamentos” no vídeo gravado ao vivo que motivou sua prisão.

Há três meses impedido de sair às ruas, Silveira chegou a ficar preso em Batalhão da Polícia Militar no Rio de Janeiro, mas agora está em casa, de onde prepara sua defesa para não perder o mandato de deputado federal. No vídeo publicado em suas redes sociais, com xingamentos e palavrões, dirigido ao ministro Edson Fachin e aos demais integrantes do STF, ele fez apologia a agressões.

Perguntado ao relator de seu caso, o deputado Fernando Rodolfo (PL-PE), se mudaria o seu estilo diante das repercussões de sua fala, Silveira disse que teria usado menos palavrões.

— Eu acho que os palavrões (não usaria). Eu tenho muitas senhoras idade que acompanham o meu trabalho e talvez isso as tenha decepcionado, tirado um pouco da credibilidade das palavras. Apesar do palavrão não ser crime, tira a credibilidade. Eu utilizaria mais de uma argumentação jurídica — disse o parlamentar.

Segundo o deputado do PSL, “pela força da situação”, será necessário “pisar em ovos” daqui para frente.

— Eu exagerei no vídeo, na internet, e já percebi, embora meu estilo de fazer política, que naquele momento, sim, eu saí um pouco do temperamento, mas dentro da Casa eu jamais fui descortês com nenhum deputado.

Embora tenha feito essa ressalva, Daniel Silveira voltou a criticar ministros e disse que há “coisas” que devem ser ditas “como elas são”.

— No momento que eu gravei estava na hora da raiva, pode ser que eu revisse alguns adjetivos que eu utilizei. Mas, na verdade, tem coisas que devem ser classificadas como elas são. Então, naquele momento, na hora que eu estava bem passional, eu falei aquilo que meu coração sentia.

O deputado argumentou ainda que queria deixar claro que tem o “direito e mais que a obrigação” de representar seus eleitores. No início de sua fala, ao citar o pedido de CPI da Lava Toga, que serviria para investigar o Judiciário, Silveira afirmou que as condutas dos ministros “há muito vem saindo da linha tênue da democracia”. Depois, retomou o ponto de vista citando suposta parcialidade de magistrados.

— ( Não há imparcialidade de juízes), uma vez que o (ministro) Alexandre de Moraes tanto quanto os ministros do STF são vítimas, acusadores e julgadores, ou seja, não são imparciais, são completamente parciais, o que é um perigo, já dizia o saudoso e minha referência jurídica Rui Barbosa, que a pior ditadura é a do Judiciário pois contra ela não há a quem recorrer.

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