Da decepção à final: Inglaterra e Itália buscam superar dores com o título da Eurocopa

Para os ingleses, uma espera quase interminável por um novo troféu. Para os italianos, o renascimento de uma das equipes mais tradicionais do futebol mundial, após crise de mais de uma década. A final da Eurocopa, hoje, às 16h, recompensará uma de duas das torcidas que mais sofreram nos últimos anos. Das piadas inglesas ao orgulho italiano, os 60 mil presentes em Wembley testemunharão uma final carregada de emoção.

O período de vacas magras e decepções da Inglaterra é explicado em números. Caso conquiste a Euro, encerrará o maior jejum de títulos entre as campeãs mundiais. São 55 anos de espera. A última e única vez que o “English team” disputou uma taça em uma decisão foi em 1966, quando levou a Copa do Mundo.

— O sentimento é tanto de pavor quanto de excitação. A maioria das pessoas da minha idade não estava viva quando ganhamos o Mundial, então é algo realmente especial — afirma o jornalista Chris Thorpe, do site Football League World.

É muito pouco para um país que se gaba de ter inventado o futebol — e tem até música para isso. A canção Football’s coming home (“O futebol está voltando para casa”) tem trechos que brincam com as eliminações inglesas e mostra como a ironia virou uma forma de apoio e protesto. E não faltaram gerações de craques para fazer a Inglaterra sonhar com uma conquista. Lineker, Beckham, Gerrard e Lampard são alguns dos que sequer chegaram a bater na trave, longe de finais.

— Essa equipe parece não ser afetada pelas falhas anteriores. Eles não se lembram da Copa do Mundo de 1990, da Euro de 96, nem mesmo das Copas de 2006 ou 2008. Depois de tantos anos, acho que os torcedores começaram a esperar menos dos jogadores da seleção — afirmou o jornalista Sam Lee, do site Goal.

Caso o título venha, a expectativa é que um feriado nacional seja oficializado no Reino Unido, ideia de torcedores em petição que já conta com mais de 239 mil assinaturas. O premiê inglês Boris Johnson não descarta a possibilidade.

— Eventos como o casamento real de 2011 foram sísmicos na Inglaterra, mas a seleção nacional vencer uma grande competição estará em outro nível — compara Dylan Walsh, da GRV Media.

Do céu ao inferno

Caso o título venha, a expectativa é que um feriado nacional seja oficializado no Reino Unido, ideia de torcedores em petição que já conta com mais de 239 mil assinaturas. O premiê inglês Boris Johnson não descarta a possibilidade: “Acho que isso provocaria o destino, vamos ver o que acontece”.

— Eventos como o casamento real de 2011 foram sísmicos na Inglaterra, mas a seleção nacional vencer uma grande competição estará em outro nível — comenta Dylan Walsh, da ‘GRV Media’.

Longe do tamanho do martírio inglês, a Itália também viveu seu drama particular. Desde que se tornou tetracampeã do mundo em 2006, na Alemanha, a seleção afundou em um doloroso processo de transição de gerações que parecia interminável.

Substituir à altura nomes como Del Piero, Pirlo, Totti e Cannavaro era uma tarefa complicada, e resultou em caos e irregularidade no cenário internacional, ao mesmo tempo em que o tradicional Campeonato Italiano entrava em declínio.

— Emplacar uma sequência com Baggio e Totti coloca o sarrafo muito no alto. Os jovens acabaram sentido muito a cobrança por protagonismo, o que acabou sendo bem prejudicial — diz Henrique Mathias, do site Calciopedia, sobre a dificuldade em revelar jogadores ofensivos no país.

Durante esse período, a Itália enfileirou fiascos em Copas. Amargou eliminações na fase de grupos em 2010 e 2014. Uma derrota por 1 a 0 para a Suécia, em 2017, deixou a azzurra fora de um Mundial pela terceira vez na história.

— Aquilo foi o ápice de um ciclo bem ruim do futebol italiano, uma série de eliminações dolorosas. O desânimo naquele momento se intensificou, mas já nos dez anos anteriores a Itália tinha deixado a desejar — explica o jornalista brasileiro radicado na Itália Anderson Marques, do site MondoSportivo.

A azzurra chegou a ser finalista da Euro em 2012, mas acabou goleada por 4 a 0 pela Espanha, então campeã do mundo. Foi a chegada do técnico Roberto Mancini, em 2018, que mudou o cenário. Uma equipe mais jovem, carismática e talentosa envolveu os torcedores e virou as expectativas a favor da azzurra. O resultado já se via antes da Euro: são 33 jogos seguidos sem derrotas.

— Os italianos tinham medo de fracassar mais uma vez, mas Mancini conseguiu manter um grupo unido, chegando à Euro com a moral alta. Trabalhou muito tanto no lado tático quanto no lado humano, tendo bons resultados e sendo querido por jogadores torcida — diz Marques.

Para Mathias, a valorização dos jovens, o trabalho tático de técnicos como Conte, Sarri e Allegri no Campeonato Italiano e o protagonismo assumido pelos volantes e meias centrais no cenário doméstico foram outros fatores importante no renascimento da azzurra.

— O nível coletivo da liga subiu e isso foi ajudando a seleção.

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