Crivella volta a defender isolamento social e diz que declaração de Bolsonaro não quis desprezar vidas

Prefeito Marcelo Crivella recebe tomógrafos no aeroporto do Galeão — Foto: Henrique Coelho - G1

O prefeito do Rio, Marcelo Crivella (Republicanos), voltou a defender nesta quarta-feira (29) o isolamento social na cidade.

Ele também minimizou a declaração da véspera do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), quando o país registrou recorde diário de mortes por Covid-19, chegando a 5.017.

“E daí? Lamento. Quer que eu faça o quê? Eu sou Messias [referência ao próprio nome], mas não faço milagre”, afirmou Bolsonaro na terça (28).

A declaração foi alvo de crítica no meio político. Questionado sobre a fala do presidente, Crivella diz que a intenção não foi menosprezar vidas.

“O que o presidente às vezes é mal interpretado é nesse desejo que ele tem que a vida volte ao normal. Há um desejo enorme de todo o povo brasileiro de voltar ao trabalho”, disse.

O prefeito afirmou que Bolsonaro é “generoso” e está preocupado com o impacto econômico causado pelo isolamento social.

“Eu sei que o presidente da república tem essas angústias todas. Eu e o Bolsonaro temos a mesma idade. Eu garanto pra vocês: talvez seja um dos brasileiros mais generosos que existe. Esse discurso que o presidente tem é de motivar a todos e plantar esperança no coração. Pode ter certeza que não temos manifestação do presidente no sentido de desprezar a vida das pessoas”.


‘Não podemos relaxar’
Diferentemente do presidente da República, que tem criticado o isolamento social, Crivella disse que a tendência é prorrogá-lo na capital fluminense até que a cidade tenha mil leitos disponíveis para os pacientes de Covid-19.

“Nesse momento as opiniões dos médicos que ouvimos são unânimes: não podemos relaxar no afastamento social. Já perdemos 300 vidas no Rio de Janeiro, sobretudo as pessoas com comorbidades. O afastamento social vai salvar essas pessoas”

As declarações do prefeito foram dadas em entrevista coletiva no setor de carga do Aeroporto Internacional Tom Jobim, o Galeão, onde desembarcaram tomógrafos que servirão para diagnosticar pacientes com coronavírus.

“Os tomógrafos que estamos recebendo, em dois ou três minutos conseguimos detectar o estado da pneumonia. Estamos colocando os tomógrafos, inclusive nas comunidades. A Rocinha vai ter o seu, Del Castilho também está começando a instalação. Em Bangu, Campo Grande, Santa Cruz e Madureira também vão ter tomógrafos”, disse.

Crivella também afirmou que, já a partir desta quarta-feira, médicos que estão de quarentena por causa do contato com pacientes suspeitos da covid-19 poderão fazer atendimento através de tablets. O primeiro hospital com o serviço será o hospital Souza Aguiar, no centro do Rio.

“Estamos lançando no Souza Aguiar a telemedicina. Esses médicos vão fazer consultas para os pacientes que vão aos nossos hospitais. São 40 médicos clínicos que das duas casas estarão conversando com os pacientes via computador”, pontuou Crivella.

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