Creches conveniadas à Prefeitura de São Gonçalo sofrem por falta de pagamento

“Temos feito atividades pedagógicas, mas mesmo assim a Prefeitura não libera nossa verba. Estamos desesperados! Não é de hoje que temos passado por isso, mas na pandemia a nossa situação piorou muito. Estamos em um momento de extrema necessidade e eles com esse descaso, se recusando a pagar. Não temos condições de pagar contas e nem de melhorar a infraestrutura da instituição. É um direito que deveria ser nosso”, esse é o relato emocionado de Débora Baptista Mendonça Braga, professora da creche ‘Obra Social Cotta Almeida – Creche Escola Coelhinho Azul e Branco’. Ela é apenas uma das funcionárias das 33 creches comunitárias conveniadas à Prefeitura de São Gonçalo que relatam que estão há seis meses, desde o início da pandemia, sem receber seu pagamento. 

Segundo informações, a verba é originalmente do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (FUNDEB). O valor é repassado da instituição para a Prefeitura de São Gonçalo, essa última, então, é a responsável por entregar a verba para as creches comunitárias. Segundo Rosemery da Costa Cotta de Almeida, de 56 anos, diretora da creche Coelhinho Azul e Branco, essa verba está sim sendo repassada da FUNDEB para a Prefeitura, mas a Prefeitura não está entregando esse valor para as creches. A justificativa da Prefeitura para o não-repasse é que as creches não estão funcionando durante a pandemia.A 'Obra Social Cotta Almeida - Creche Escola Coelhinho Azul e Branco' é uma das 33 creches que sofre com a falta de pagamentos   

“Estamos há seis meses sem receber a nossa verba. A verba tem chegado do FUNDEB, mas o município não tem repassado. Não estamos sem conseguir pagar nossos funcionários. Todos eles têm carteiras assinadas e, com isso, eles não podem recorrer ao auxílio emergencial e estão sem conseguir pagar suas contas. Tudo que a Prefeitura tem pedido, todas as atividades que eles mandam, nós fazemos para as crianças, mesmo assim o prefeito José Luiz Nanci recusa a nos pagar”, contou Rosemery.

Após sofrerem por alguns meses com essa situação, as diretoras das creches conveniadas ao município resolveram entrar com um pedido na Justiça. “Conversamos com o prefeito e ele falou para entrarmos com esse pedido na Justiça, pois só assim ele conseguiria nos pagar e assim fizemos. Ele ( Nanci) disse que com o juiz decretando ele vai nos pagar. Na Justiça, dois juízes já pegaram a nossa causa, mas o processo foi transferido. Estamos aguardando! Somos 33 creches pedindo socorro. A situação dos meus funcionários é de doer o coração. Imagina seis meses sem pagar água, sem pagar luz, sem pagar aluguel, a nossa situação está muito difícil”, relatou Rosemery. 

Na suposta conversa entre Rosemery e Nanci, a qual a diretora se refere acima, o prefeito afirma, segundo ela, que as creches não estão funcionando e, por isso, ele não pode pagar as instituições. De acordo com o que teria sido dito por ele, pagar algo que não está funcionando pode prejudicá-lo judicialmente, fazendo com que ele seja processado ou cassado como prefeito. Ele afirma, segundo ela, que não pode pagar por um serviço que não foi feito, ou seja, o não-atendimento das crianças nas creches comunitárias em meio à pandemia. 

Procurada a Prefeitura de São Gonçalo ainda não respondeu. 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

TV Prefeito