fbpx

CPI da intolerância religiosa: Decradi precisa de nova dinâmica social

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Intolerância Religiosa, da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), que apura as causas e consequências da intolerância no estado, se reuniu remotamente nesta terça-feira (10/08). Presidente do Conselho Estadual dos Direitos dos Negros (Cedine), Luiz Eduardo Oliveira afirmou que a Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi) é “uma ilha”, crítica que teve concordância da presidente da CPI e ex-delegada de Polícia Civil, deputada Martha Rocha (PDT).

“O Estado encara as vítimas de violência religiosa como um bando de pretos e favelados. Essa é a posição dos policiais civis e militares, que não nos socorrem. A Decradi é uma ilha, que não consegue se aprofundar nas pesquisas e dar as respostas necessárias. Ela é uma ponta, mas todo o aparato estatal segue no sentido contrário”, declarou Luiz Eduardo. Para Martha Rocha, é preciso uma nova dinâmica social para conseguir enfrentar o problema. “A Decradi é mesmo uma ilha no deserto, uma em 150 delegacias no estado. Nós desejamos uma nova dinâmica da sociedade, que hoje não trabalha a questão da intolerância e do racismo religioso”, frisou.

Procurador Regional de Direitos do Cidadão do Ministério Público Federal no Estado (MPF/RJ), e atuante na Baixada Fluminense, Júlio José Araújo Júnior destacou as especificidades do tema no Rio de Janeiro e a necessidade de ampliação do debate. “Os ataques a terreiros têm acontecido de forma muito agressiva e direta. O debate está difícil, as pessoas estão com medo e se autocensurando. Precisamos de novas estratégias de enfrentamento e diálogo. Vejo esta CPI como uma virada no enfrentamento, valorizando o debate no campo das políticas públicas. A temática gera responsabilização e enseja atuação do Estado”, comentou.

Cerceamento de atividades em locais públicos

Inserido na discussão a respeito do papel do poder público na promoção da liberdade religiosa, outro tema que ganhou bastante relevo durante a reunião foi o cerceamento de atividades religiosas em locais públicos. Luiz Eduardo Oliveira relatou como os membros das religiões de matrizes africanas são tratados em locais como hospitais e presídios. “Muito se fala em sincretismo religioso no Brasil, mas isso não ocorreu em momento algum. Católicos e evangélicos podem ir ao hospital realizar a extrema-unção, e nós não podemos fazer isso. Não podemos ir aos hospitais cuidar de nossos enfermos, ou nas cadeias, cuidar de nossos jovens. Isso é uma forma de violência. Quero poder fazer um ebó em um hospital sem ser visto como um demônio”, declarou.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

%d blogueiros gostam disto: