Covid-19: Polônia flexibiliza lockdown e reabre hotéis, cinemas e teatros

Polônia é um dos primeiros membros da União Europeia a flexibilizar as restrições mais recentes para conter a pandemia de coronavírus. A reabertura ocorre em meio à ameaça de uma “terceira onda” e à revolta do setor gastronômico, que permanece fechado.

Os estabelecimentos deverão reabrir com apenas 50% da capacidade e um protocolo sanitário restrito. O governo também autorizou a prática de esporte ao ar livre e a reabertura de pistas de esqui. Já os restaurantes e bares continuarão fechados e só poderão fazer entregas. Segundo o governo, a flexibilização tem caráter experimental e deverá ser reavaliada dentro de duas semanas.

No começo do ano, o governo polonês já tinha autorizado a volta às aulas para as três primeiras séries do ensino fundamental. Em fevereiro, os shoppings centers reabriram as portas, além de museus e galerias de arte, com um número limitado de visitantes.

Os números da pandemia têm diminuído na Polônia, mas a situação ainda não é estável. O país registrou uma queda na média semanal de novos casos de coronavírus, que passou de 9 mil em meados de janeiro para menos de 5,5 mil.

Entretanto, a média de mortes no período de sete dias em decorrência da Covid-19 caiu pouco, e estabilizou em torno de 300 por dia desde o Natal. A Polônia tem cerca de 38 milhões de habitantes, que corresponde a menos de um quinto da população do Brasil, que, nas últimas 24 horas, registrou 1.300 mortes diárias.

Apesar do elevado número de contaminações pelo coronavírus, Polônia reabre cinemas e teatros, entre outras atividades — Foto: Janek Skarzynski/AFP

Risco de “terceira onda”

Especialistas alertam para o perigo de uma “terceira onda” da pandemia, ainda mais severa, atingir a Polônia – como ocorreu em Portugal, por exemplo –, já que casos da variante mais contagiosa do vírus foram detectados no país. Por isso, o governo ressalta que a flexibilização é parcial e tem a validade de duas semanas, podendo ser reavaliada no fim do período.

A reabertura é uma tentativa de baixar a pressão crescente do setor econômico polonês, duramente afetado pela crise do coronavírus. Donos de restaurantes e bares protestam, pedindo o fim do lockdown. Eles se reuniram em uma iniciativa para resistir às restrições da pandemia, reclamando que não recebem auxílio financeiro suficiente do governo.

Justiça reverte multas

Centenas de estabelecimentos gastronômicos em todo o país estão abrindo as portas, clandestinamente, desafiando as atuais restrições. O movimento, chamado Otwieramy (que quer dizer “vamos abrir”), conta com o apoio de grupos de advogados que atuam voluntariamente.

Membros da iniciativa “Juristas pela gastronomia” prestam assistência aos comerciantes durante fiscalizações e também recorrem na Justiça contra as multas aplicadas pelo funcionamento ilegal de restaurantes – que podem chegar a até cerca de R$ 43 mil.

Dezenas de comerciantes e associações do setor gastronômico têm conseguido suspensão de multas nos tribunais.

Os juízes consideram o fechamento dos estabelecimentos como uma restrição aos direitos civis dos cidadãos que, segundo a Constituição polonesa, só é possível após o decreto do estado de emergência. Também argumentam que tais restrições só podem ser impostas através de lei aprovada no parlamento e não por decreto do governo.

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