CoronaVac: 44% dos frascos têm menos doses do que o prometido, diz análise

Pelo menos quatro em cada dez frascos de CoronaVac entregues em nove cidades paulistas têm menos doses do que o prescrito pelo Instituto Butantan, diz um levantamento do Cosems-SP (Conselho de Secretários Municipais de Saúde do Estado de São Paulo) e do Observatório Covid-19 BR. O instituto nega irregularidade no envase e alega que há “extração incorreta” das doses.

Em 12 de abril, o Butantan anunciou a revisão da bula da CoronaVac após queixa de cidades de 12 estados sobre frascos com menos doses. Goiânia, por exemplo, informou déficit de 4.016 doses, enquanto em Salvador foram mais de 21 mil frascos com rendimento abaixo do que o esperado.

Os relatos de municípios paulistas de que os frascos da CoronaVac não rendiam as dez doses conforme indicado pelo fabricante cresceram ao longo de abril, de acordo com o conselho. Frascos que no início da imunização rendiam de dez a 12 doses, em algumas cidades passaram a render entre oito e nove.

“Em situação de escassez de vacina e cobranças pelos órgãos reguladores para a correta utilização das doses enviadas, esta situação causou apreensão aos gestores municipais”, diz a entidade, que pediu aos municípios que indicassem alguma enfermeira para se responsabilizar pela avaliação nos postos de vacinação.

Nove cidades atenderam ao pedido e indicaram uma pessoa que preencheu um formulário para registro dos dados nas cidades de Araçatuba, Araraquara, Cravinhos, Descalvado, Francisco Morato, Franco da Rocha, Mogi Mirim, Santana do Parnaíba e Votorantim entre 16 e 23 de abril.

“Não havia interesse em analisar todos os município do estado separadamente, pois não é este o foco da análise, e sim os fracos”, diz a entidade.

“Temos um total de 338 frascos aspirados [vacina retirada do frasco], o que consideramos um bom número.” A conclusão é de que 44,4% dos frascos tem vacina insuficiente para as dez aplicações prometidas

Em 5 de março, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) concedeu autorização ao Butantan para reduzir volume do frasco multidoses (dez doses) da vacina CoronaVac de 6,2 ml para 5,7 ml. “Desde então, as equipes de vacinação passaram a relatar queda de rendimento dos frascos, com muitos rendendo menos que dez doses”, diz o conselho

As conclusões foram:

Seringas e agulhas de maior volume diminuem as chances de obter de doses do frasco. O modelo prevê que seringas de 1 ml com agulhas de até 25×6 maximizam a chance de obter dez doses, nesta amostra.

Ainda assim, há muita variação neste resultado, devido às marcas de agulhas e seringas. O tamanho da amostra não permite inferir quais seriam as marcas com melhor desempenho.

O volume interno da agulha de maior calibre utilizada (30×8) é 0,0042 ml. Assim, dez doses implicariam em uma perda de 0,042 ml por frasco.

Diante do resultado da avaliação, o Cosems comunicou e pediu providências ao Diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, mas “até o momento” não houve resposta, diz o conselho.

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