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Conselho do Flamengo pune Bandeira por 90 dias, e ex-presidente perde direitos políticos

O ex-presidente Eduardo Bandeira de Mello foi punido nesta segunda-feira em votação no Conselho de Administração do Flamengo. Por declarações sobre o incêndio no Ninho do Urubu, o ex-mandatário foi punido por 90 dias e perdeu os seus direitos políticos.

Desta forma, não poderá participar do próximo pleito, que ocorre até dezembro, e também pelos próximos cinco anos. Após deixar o plenário, Bandeira foi aplaudido por apoiadores, que cantaram o hino do clube.

No encontro participaram 84 conselheiros, e a votação terminou com 52 votos a favor, 30 contra, 1 branco e 1 nulo. A reunião contou ainda com a presença de adversários políticos de Bandeira na atual gestão, como Rodolfo Landim, BAP e Gustavo Oliveira.

Membro nato do Conselho, Marcos Braz também esteve presente e foi responsável pelo hasteamento da bandeira no início do evento. Já os ex-presidentes Marcio Braga, Kleber Leite, Patrícia Amorim e Helio Ferraz estiveram presentes em apoio a Eduardo.

Agora, Bandeira tem duas opções: entrar com recurso no Conselho Deliberativo ou ir à Justiça Comum para anular a punição. Na segunda hipótese, poderia recuperar seus direitos políticos. O recurso, pro sua vez, não tem efeito suspensivo, só se o presidente do próprio Conselho de Administração concedesse ao receber o recurso, o que não aconteceria.

Entenda o caso

O motivo da punição no Conselho é uma declaração dada no ano passado, sobre a tragédia com os dez jovens da base, no Ninho do Urubu, em fevereiro de 2019, quando Rodolfo Landim já estava à frente do Flamengo.

— Se eu ainda fosse presidente, tenho quase certeza de que não teria acontecido o incêndio. Fiquei lá seis anos, e não aconteceu nada. O que aconteceu ali, eu já não estava mais lá, e sinceramente não sei qual foi a causa. Mas espero que o Ministério Público chegue à verdade. Porque é muito desagradável se ter inocentes sendo acusados de maneira totalmente injusta. Um deles sou eu — disse Bandeira na ocasião.

A fala gerou reação da diretoria atual. Logo depois, o grupo político Vanguarda Rubro-Negra, baseado em dois artigos do Estatuto do clube, o 24 e o 49, deu entrada com o pedido de inquérito contra Bandeira. O 49 prevê suspensão de 360 dias ou eliminação do quadro social, por “veicular expressões desonrosas, por qualquer meio de comunicação, contra o Flamengo, ou os membros de seus Poderes, em campanha eleitoral, ou em razão de suas funções”.

Apoiadores de Bandeira sinalizam que a comissão de inquérito criada para dar um parecer sobre o caso no Conselho de Administração é toda formada por figuras aliadas da gestão Landim e contra o ex-presidente. Entre eles, Túlio Cristiano Machado Rodrigues, presidente da Comissão e primo de 1º grau de Landim. Os demais membros são Eduardo Carreirão (que já assinou outra representação contra Bandeira) e Marcelo Fraga de Oliveira.

Túlio já havia entrado com recurso para retirar o título de grande benemérito de Kleber Leite, mas o também ex-presidente foi absolvido no processo. E saiu em defesa de Bandeira em seu blog.

“Querer punir em primeira instância um ex-presidente – o tornando inelegível, para depois, quem sabe, alijá-lo do clube – é um plano diabólico, arquitetado por gente que pretende se perpetuar no poder. E o que fez Eduardo para provocar tanto ódio e revolta? Uma declaração, retirada do contexto, onde afirma – e é verdade – que enquanto ele esteve na presidência, ninguém morreu no Flamengo. Pergunto: Isto lá é motivo para se tentar expulsar do clube alguém que só nos fez bem?”, diz um trecho do seu texto, que revela que Bandeira não virá candidato no pleito de dezembro.

A proximidade do julgamento levou sócios do Flamengo a divulgar um manifesto contra a possível sanção. O grupo Fla, Tradição e Juventude emitiu uma nota de solidariedade, assinada pelo Desembargador Siro Darlan, citando o artigo 5 da Constituição Federal, que prega a liberdade de expressão.

“A lei define uma associação como uma união de pessoas que se organizam para fins não econômicos. Ultimamente, sobretudo nesse ano eleitoral, o Flamengo tem sido atingido em sua alma por ataques de ódio a essa união”, diz um trecho

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