Comissões da Alerj vão produzir documentos sobre operação no Jacarezinho

As Comissões de Direitos Humanos e de Segurança Pública realizaram, nesta quinta-feira (17/06), a primeira escuta temática com representantes dos equipamentos públicos em funcionamento no dia da operação policial na comunidade do Jacarezinho que resultou na morte de 25 pessoas. “É importante ouvirmos quem estava no local naquele dia 06 de maio para tentarmos entender o que de fato aconteceu. Vamos fazer três escutas temáticas para que as duas comissões possam produzir um relatório para ajudar na apuração dos fatos e possível responsabilização de quem esteve naquela operação”, esclareceu a presidente da Comissão de Direitos Humanos, deputada Dani Monteiro (Psol).

A coordenadora da secretaria municipal de Direitos Humanos do Rio, Márcia Accioly, se emocionou ou lembrar dos pedidos de socorro das famílias que buscaram o Centro De Referência Assistência Social (Cras) Caio Fernando Abreu. “Eu me solidarizo com as famílias e também sofro os efeitos daquela brutalidade”, relatou.

Ângela Amaral, diretora do Cras Caio Fernando Abreu, disse que o Centro está atendendo às famílias de 18 das 25 vítimas da operação. “Por mais que o equipamento público esteja sucateado, fizemos nosso papel de acompanhamentos das famílias que estavam sofrendo. No dia seguinte, prestamos toda a assistência às famílias no Instituto Médico Legal e seguimos dando todo apoio possível”, destacou.

Os impactos da operação também foram sentidos nas crianças da comunidade do Jacarezinho. Fernanda Araújo, da Creche Jacarezinho, relatou que as crianças têm chegado à creche muito assustadas. “Eles chegam contando tudo que viram. Se eles escutam algum barulho choram e tentam se esconder. Eles estão muito nervosos e assustados”, contou.

Eduardo da Costa, um dos fundadores do coletivo cultural PAC´Stão, e Thiago Nascimento do Lab Jac, Laboratório de dados da favela do Jacarezinho, cobraram mais investimento em Arte e Cultura na comunidade. “No “grafitasso” que fizemos após a operação percebemos a necessidade daquela comunidade de ter acesso a equipamentos culturais. Só a Arte e a Cultura podem salvar essa juventude horrorizada”, defendeu Nascimento.

Na próxima quinta-feira (24/06) serão ouvidas as famílias das vítimas da operação no Jacarezinho e na primeira semana de agosto, os trabalhadores das forças de segurança. Também participaram da reunião o presidente da Comissão de Segurança Pública, deputado Delegado Carlos Augusto (PSD), e os deputados Carlos Minc (PSB), Coronel Salema (PSD), Enfermeira Rejane (PCdoB) e Waldeck Carneiro (PT).

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