Comissária da ONU para Direitos Humanos pede investigação independente sobre mortes na Colômbia

A Alta Comissária da ONU para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, expressou preocupação neste domingo (30) com os confrontos na cidade de Cali, na Colômbia, que deixaram mais de 10 mortos, e pediu diálogo e uma investigação independente.

Alta Comissária para os Direitos Humanos da ONU, Michelle Bachelet, durante reunião do Conselho de Direitos Humanos em Genebra, na Suíça, em 2020 — Foto: Trezzini Marcial / Keystone via AP

Alta Comissária para os Direitos Humanos da ONU, Michelle Bachelet, durante reunião do Conselho de Direitos Humanos em Genebra, na Suíça, em 2020

“É essencial que todas as pessoas que supostamente provocaram ferimentos ou mortes, incluindo funcionários do Estado, sejam submetidas a investigações rápidas, eficazes, independentes, imparciais e transparentes, e que os responsáveis respondam à lei”, afirmou Bachelet em um comunicado.

Cali, cidade de 2,2 milhões de habitantes, é o epicentro de violentos protestos e bloqueios de rodovias que exasperam parte da população.

Pressionado pelos protestos, o presidente colombiano, Iván Duque, intensificou a presença do exército na cidade sob a figura da assistência militar que permite aos soldados apoiar a polícia nas tarefas de vigilância.

Treze pessoas morreram em vários episódios, incluindo um funcionário do Ministério Público que matou com sua arma dois manifestantes que bloqueavam uma avenida. A multidão avançou contra o homem, que foi linchado.

A Alta Comissária indicou que seu gabinete recebeu informações sobre indivíduos armados, incluindo o oficial do MP que não estava em serviço, que teriam atirado contra os manifestantes, jornalistas e pedestres, assim como sobre a morte do funcionário público.

“Peço o fim de todas as formas de violência, incluindo o vandalismo, e que todas as partes continuem conversando, para que se garanta o respeito pela vida e a dignidade de todas as pessoas”, afirmou a ex-presidente chilena.

Bachelet fez um apelo por diálogo para atender as demandas dos manifestantes e dos que são contrários aos protestos, ao mesmo tempo que elogiou “o compromisso expressado por vários atores, em Cali e a nível nacional, de encontrar uma solução negociada e pacífica”.

O escritório do Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos na Colômbia indicou ter recebido informações sobre pelo menos 30 pessoas detidas em 28 de maio. Bachelet pediu a garantia de “julgamento justo” e e prevenir os desaparecimentos.

Desde 28 de abril, os colombianos protestam diariamente contra o governo por abusos policiais e a gestão da crise econômica provocada pela pandemia.

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