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Com talento garantido, Brasil tenta acertar o encaixe diante da Colômbia

A comparação foi inevitável. O Brasil encarou a Venezuela e teve atuação sofrível. No mesmo dia, muito longe dali, a França derrotou a Bélgica por 3 a 2 em uma partida cheia de emoções. A conclusão do contraste veio à reboque: entre contestações ao trabalho de Tite, a sensação de que falta talento ao grupo que caminha a passos largos rumo à vaga na Copa do Qatar.

Há, porém, pelo menos um dado que relativiza essa ideia. Hoje, quando a seleção enfrentar a Colômbia, às 18h, em Barranquilla, questionada muito mais pelo desempenho em campo do que pelos números, terá um grupo ainda com forte presença na elite do futebol.

O cruzamento entre os convocados pelas dez seleções mais bem colocadas no ranking da Fifa e os 20 clubes que lideram o coeficiente da Uefa mostra apenas a Inglaterra com mais jogadores nos elencos dos times mais fortes do mundo. São 16, contra 14 no grupo de Tite. Levado em consideração o fato de que seis das 20 equipes da lista são inglesas, a vantagem do British Team é bem pequena, na verdade.

Na equipe titular que o Brasil terá hoje, Alisson, Danilo, Thiago Silva, Marquinhos, Fabinho, Neymar e Gabriel Jesus defendem times entre os dez mais bem colocados na lista da Uefa. O treinador ainda se dá o luxo de ter no banco de reservas outros integrantes dessa nata europeia: Ederson, Eder Militão, Alex Sandro, Fred e Vinícius Júnior. Completam os 14 brasileiros Emerson Royal, do Tottenham, e Antony, do Ajax.

O problema é a dificuldade que Tite vive hoje para encontrar um encaixe entre as peças. Em relação à equipe que venceu a Venezuela, o treinador terá o retorno de Neymar. Raphinha e Antony entraram bem na partida e pedem passagem. Jogadores como Gabigol, Everton Ribeiro e Gerson não conseguem passar firmeza quanto à titularidade.

No outro lado do Atlântico, a geração francesa reluz como ouro a cada vitória. Entretanto, quando comparados ao grupo à disposição de Tite, os jogadores de Didier Deschamps possuem a mesma presença nos 20 times mais fortes do mundo. Com uma diferença: são 11 no top-10, um a menos que o Brasil.

Se a comparação é doméstica, a superioridade do status do elenco brasileiro fica evidente. A Argentina, segunda colocada nas Eliminatórias, possui 13 jogadores entre os 20 times mais fortes da Europa, mas apenas seis entre os dez, os verdadeiros donos da bola no Velho Continente: Bayern de Munique, Manchester City, Liverpool, Chelsea, Barcelona, PSG, Real Madrid, Juventus, Atlético de Madri e Manchester United. A Colômbia, adversária esta noite, tem apenas quatro entre a elite europeia.

Com nove vitórias em nove partidas pelas Eliminatórias, a seleção brasileira avança sem jogar bem justamente pelos lampejos individuais de seus jogadores. Marquinhos empatou contra a Venezuela com um gol de cabeça, reforçando uma de suas principais virtudes, tantas vezes à serviço do Paris Saint-Germain. O número incontável de vitórias do Brasil graças a soluções improvisadas por Neymar são outro exemplo.

— Eu falei para os jogadores no intervalo: “Vocês precisam melhorar o desempenho individual de vocês”. Estrutura e equilíbrio são comigo. Mas vamos elevar o nível técnico — explicou o técnico Tite depois da virada sobre a Venezuela.

A ainda forte presença de jogadores brasileiros nos times mais poderosos da Europa representa prestígio, não necessariamente protagonismo. Quando a discussão toma esse rumo, apenas Neymar desponta como alguém realmente decisivo em seu clube. É nessa hora que comparações com franceses, com Mbappé e Benzema, e com belgas, com De Bruyne e Lukaku, pesam contra a atual geração brasileira, mais operária do que brilhante na Europa.

Na coletiva de ontem, Tite pela primeira vez tratou o Brasil como “virtual classificado” para a Copa do Mundo. Se confirmou a volta de Neymar, não disse quem sai e deu a entender que poderia fazer mais mudanças.

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