Colegas e amigos se despedem de Tarciso, recordista de jogos pelo Grêmio

Os gremistas amanheceram de luto nesta quarta-feira, consternados com a morte de Tarciso Flecha Negra, aos 67 anos, um dos maiores ídolos da história do Grêmio. Os torcedores não se despedem apenas do jogador que mais vestiu a camisa tricolor ou do segundo maior goleador do clube. Mas de um atleta que parecia predestinado a viver glórias com as cores azul, preto e branca.

Mineiro de São Geraldo, José Tarciso de Sousa nasceu em 15 de setembro de 1951, justamente no dia do aniversário de 48 anos de fundação do Grêmio. O início da carreira ocorreu no América-RJ, mas foi em solo gaúcho que viveu as maiores glórias, a ponto de ficar raízes no Rio Grande do Sul.

Tarciso chegou ao Grêmio em 1973, época de vacas magras, e ajudou a forjar o time multicampeão na década seguinte. Tudo começou com a conquista do Gauchão de 1977, que quebrou a hegemonia de oito anos do Inter no Rio Grande do Sul. A partir daí, Tarciso enfileirou títulos coma a camisa gremista: ergueu o Brasileirão de 1981, a Libertadores e o Mundial em 1983. Ao todo, foram cinco campeonatos gaúchos (1977, 1979, 1980, 1985, 1986).

A morte do ex-jogador pegou até os amigos mais próximos de surpresa. Ele lutava contra um tumor ósseo, mas mantinha a o doença em sigilo. Ele passou cerca de uma semana internado no Hospital São Lucas da PUCRS e recebeu alta na última sexta-feira. Na última segunda, seu estado de saúde piorou e ele foi novamente internado. O falecimento ocorreu na madrugada desta quarta.

Tarciso deixa três filhos e dois netos e a mulher, Jônia. O velório começa às 8h desta quarta-feira, na Câmara de Vereadores de Porto Alegre. O sepultamento será no Cemitério Jardim da Paz, a partir das 18h. O prefeito Nelson Marchezan Jr. decretou luto oficial de três dias na cidade.

Confira abaixo a repercussão entre os gremistas:

– Além de ter sido um jogador exemplar, representou o povo gaúcho como parlamentar em Porto Alegre. Era uma figura ímpar, singular, humilde, generosa, solidária. Valia a pena conviver. O Grêmio não tinha apenas um representante nas quatro linhas. Era profundamente identificado com o Grêmio fora de campo. Ele chegou em 1973, eram anos difíceis. Foi campeão gaúcho em 1977, campeão brasileiro, da Libertadores e do mundo. É uma trajetória como poucos. A identificação é própria de quem adota os valores e a cultura do povo gaúcho – afirma o presidente Romildo Bolzan.

– O Tarciso desde o primeiro momento que ele chegou ao Grêmio, teve essa identificação. Ele ficou na terra, ficou gremista e honrou a camisa do Grêmio. Foi um cara que deixa coisas marcadas para todo mundo. E merece todas as homenagens. Tem pessoas que deixam exemplo no que fazem, no futebol. O exemplo maior ele deixa na política, pela honestidade, pela forma como ele respeitou o voto de todas as pesssoas que votaram nele – diz Valdir Espinosa.

– Com o cara vivo, tinha um monte de elogios. Imagina em um momento desses, que partiu sem a chance de dar tchau para ele. A gente jamais imaginou que fosse tão grave. A gente fica triste, chateado. Era uma figura ímpar daquele grupo, com aquele jeito de cativar as pessoas, falando macio. Nunca se exaltava com ninguém, mesmo no calor do jogo. Eu convidei ele para ser meu padrinho de casamento. Para ver o tanto que o cara era importante para mim – recorda China.

– Vamos guardar os grandes momentos que o Tarciso teve como atleta e como homem, ajudando muitas pessoas. Temos que falar dos momentos inesquecíveis que vivemos juntos. O torcedor deve estar sentido, mas tem que levar esse legado que ele deixou para os torcedores gremistas. É um sentimento enorme de gratidão por estarmos com um colega extraordinário. Em todos os aspectos, o Tarciso era uma alegria. Todos gostavam muito do Tarciso. Era um atleta que sempre dava o máximo tanto em treinos quanto nos jogos – ressalta Baidek.

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