Chuvas deixam 6 mortos no RJ; em Japeri, desabamentos matam bebê e mulher

Pelo menos 6 pessoas morreram no RJ durante a tempestade da noite desta quarta-feira (21). Foram 2 mortes em Japeri, 2 mortes em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense; e 2 em Barra do Piraí, no Sul Fluminense.

As vítimas de Japeri estavam em casa, em Engenheiro Pedreira e na Chacrinha, quando barreiras caíram. Uma delas, uma mulher adulta, ainda não entrou na contagem dos bombeiros, porque a ocorrência foi atendida pela Defesa Civil local.

Em Nova Iguaçu, dois homens morreram em decorrência das chuvas. Roberto Mesquita, de 59 anos, foi achado na Rua Brasília, no bairro Jardim Pernambuco. E Felipe Machado, de 37 anos, estava na Estrada do Saco, no bairro Ipiranga, perto de Cabuçu.

Na manhã desta quinta-feira (22), regiões da Baixada ainda estavam alagadas. Uma delas era um conjunto habitacional em Belford Roxo.

Bebê morto em Engenheiro Pedreira

Em Engenheiro Pedreira, um imóvel na Vila Carmelita foi reduzido a escombros depois que parte de um morro veio abaixo. Um menino, Calebe Jefferson Veloso Costa, de 2 anos, foi encontrado sem vida. A irmã gêmea dele foi salva.

Moradores contaram que durante a noite a parte mais baixa da Rua Mocambo alagou. Para sair da enchente, Cristiane e o marido trouxeram os 5 filhos para a casa do cunhado dela, na parte alta.

Quando o casal saiu do imóvel para socorrer a mãe de Cristiane, um deslizamento de terra atingiu a casa. O imóvel desabou e os dois filhos pequenos, Jade e Calebe, ficaram soterrados. Vizinhos tiraram destroços e muito barro, mas o menino foi encontrado sem vida.

Avô do pequeno Calebe, Carlos contou que a tragédia poderia ser ainda maior (veja abaixo).

“Eu tenho muito a agradecer a Deus, porque antes de cair aqui, caiu uma parede na minha casa. Eu reuni a família toda para vir para cá, e seriam 10 pessoas aqui dentro. Quando chegamos aqui, o fato tinha acontecido, o povo já estava cavando na unha”, relatou.

“Com muita luta, conseguimos tirar a menina [Jade], mas infelizmente o menino [Calebe] demorou mais. Com a queda da casa, da estrutura, quebrou o clipe de gás. Ele aspirou muito gás embaixo desse entulho todo”, lembrou.

“Foi tudo conosco e com Deus, porque infelizmente Japeri é um município que não existe. Nem sequer me chega aqui uma Defesa Civil para coordenar a retirada das vítimas”, lamentou.

Outras vítimas

Na Chacrinha, a vítima foi uma mulher, que morreu soterrada. Segundo a prefeitura, ela foi identificada como Ana Carolina Sodré, de 24 anos.

Ana Carolina chegou a ser retirada com vida, mas não resistiu aos ferimentos. Ela tinha cinco filhos.

“A gente tentou tirar. Cavamos com as mãos e com a enxada. Infelizmente, não deu”, disse um vizinho.

A Prefeitura de Japeri havia contabilizado 5 quedas de barreira, 4 deslizamentos e 7 desabamentos, com 40 desalojados, até a última atualização desta reportagem.

Em Barra do Piraí, uma idosa e um homem da mesma família morreram. As vítimas foram identificadas como Lígia Maria de Carvalho, de aproximadamente 60 anos, e Bruno, que não teve a idade divulgada.

O corpo de Lígia foi o primeiro a ser encontrado. Durante a tarde desta quinta, com o apoio de cães farejadores, o Corpo de Bombeiros encontrou o corpo de Bruno.

Os bombeiros ainda procuram por mãe e filho, um bebê de oito meses. Segundo relatos de vizinhos, os desaparecidos estão soterrados.

Lá, a BR-393 (Rodovia Lúcio Meira) foi interditada após um trecho desabar. A via liga Barra Mansa a Além-Paraíba, passando por Volta Redonda.

Em Nova Iguaçu, o resgate de uma família no meio de uma enxurrada viralizou ainda na noite de quarta-feira .

O auxiliar de logística Marcos Vinícius Vasconcelos, de 20 anos, se arriscou na correnteza para salvar mãe e filhas que estavam em um carro prestes a ser levado pela força da água. Ele voltava para casa.

O jovem explicou que o ônibus onde viajava precisou desviar o caminho por causa de alagamentos na Via Light. Na Rua Ministro Lafaiete de Andrade, que não faz parte do itinerário normal, ouviu gritos de socorro de pessoas em uma academia alertando sobre a família presa na enchente.

Marcos correu até a porta do ônibus e prendeu a roda do carro com a perna. A mulher, de dentro do veículo, passou as duas filhas, gêmeas, pela janela. Em seguida, a mulher foi ajudada por Marcos a deixar o carro e a subir no ônibus. As imagens mostram que, imediatamente após o resgate, o veículo é levado pela correnteza.

Segundo Marcos Vinicius, o ônibus sofreu uma pane no motor por conta da água, e os passageiros ficaram aguardando outro coletivo chegar. Como ele estava a 20 minutos a pé de casa, ele preferiu seguir por conta própria.

Ao chegar em casa, Marcos se deparou com o imóvel cheio de água. A tia, que mora na casa ao lado, também teve perdas.

“Obrigado a todos que estão mandando mensagem, estou bem. Cheguei em casa e estou ajudando minha tia, botando meus móveis para o alto também. Depois de um dia desse, olha como está o quintal da minha tia, tudo alagado. Está tudo para o alto, mas Deus sabe das coisas”, escreveu ele.

 

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