Chamusca treinou Botafogo com demissão já decidida, e torcedores foram avisados em reunião

Botafogo demitiu Marcelo Chamusca nesta terça-feira, mas a decisão já estava tomada desde domingo, quando os dirigentes se reuniram e a maioria optou pelo desligamento. A busca por um substituto começou antes mesmo do anúncio oficial da saída de Chamusca. Desavisado sobre a situação, o treinador ainda comandou atividade no Nilton Santos na tarde de segunda, enquanto torcedores conversaram com membros da diretoria em protesto no estádio.

Pouco depois do treino, o vice-presidente Vinicius Assumpção conversou com um grupo de torcedores fora do estádio. O ge confirmou que na conversa o dirigente disse que a troca de comando não havia sido feita ainda porque o Botafogo tinha dificuldades de encontrar um substituto, como informou antes o FogãoNET. Consultado, Vinicius negou ter passado essa informação aos torcedores.

Encarregado de comunicar a Chamusca com atraso o que fora acertado nos dias anteriores, o diretor de futebol Eduardo Freeland foi justamente quem defendeu a permanência do treinador. Números e dados foram levantados durante o debate em defesa do técnico, e um dos argumentos foi que, apesar dos resultados ruins, o time desempenhou melhor que os adversários em muitos momentos, e circunstâncias que fogem das mãos de Chamusca implicaram no placar final. Mas o diagnóstico que se impôs foi de fracasso do trabalho, apesar de alguns elogios e do empenho no dia a dia.

Marcelo Chamusca foi demitido pelo Botafogo na última terça-feira — Foto: Vitor Silva/Botafogo

Um dos pontos que pesaram a favor de Chamusca foi a relação com o elenco, consultado pela diretoria. Os jogadores acreditavam no trabalho do treinador e pediram pela continuidade, mas o amparo não foi suficiente para a decisão.

Em encontro com torcedores na última segunda, o diretor de futebol Eduardo Freeland citou a aprovação de mais de 80% que o técnico teve junto à torcida no momento da contratação e disse que a questão financeira acaba prejudicada com a troca de comandante. O dirigente defendeu a permanência do treinador, mas foi voto vencido.

A relação entre diretor de futebol e treinador era pacífica, tanto que foi Freeland quem comunicou Chamusca sobre o desligamento. Em conversa sem ânimos exaltados, a justificativa, além dos resultados, foi a pressão dentro e fora do clube.

A cronologia dos fatos que levaram à demissão:

Quando trouxe Chamusca, o Botafogo optou por um nome mais barato no mercado, mas que tinha o estofo pelos acessos que conquistou na carreira. Externa e internamente, a sensação quase que geral era de um nome que se encaixava na realidade financeira e nas pretensões do clube. A demissão gera custos, assim como a nova contratação.

O Botafogo terá dinheiro para buscar alguém de uma prateleira acima no mercado? É improvável, a não ser que uma situação muito especial se apresente. Por isso, os dirigentes titubearam. Foram consultados nomes do mercado nacional e internacional, mas Lisca é o mais forte para assumir o time. O clube abriu negociações com o treinador e está otimista por um desfecho positivo.

Agora, mais do que nunca, sem espaço algum para erro: a Série B se aproxima do fim do primeiro turno, e essa será a última cartada da diretoria, já que o regulamento não permitirá uma terceira troca de técnico. Se o próximo trabalho não der certo e o clube optar por nova demissão, o campeonato será finalizado sob comando de um auxiliar.

Enquanto o Botafogo não define o novo comandante, o auxiliar técnico Lucio Flavio e o técnico do time sub-20, Ricardo Resende, preparam o elenco para enfrentar o Brusque, às 19h do próximo sábado, fora de casa, pela 12ª rodada da Série B.

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