Cedae detecta substância após análises na água, mas afirma que não há risco à saúde da população

Moradores receberam água com cor barrenta na torneira Foto: Marcelo Theobald / Agência O Globo

Após realizar análises na água que chega às torneiras dos cariocas, motivada por diversas reclamações pela cidade, de pessoas que relataram água com cor, cheiro e gosto barrentos, a Cedae afirmou, na noite desta terça-feira, que foi detectada a presença da substância orgânica Geosmina nas amostras. De acordo com a companhia, o composto não representa nenhum risco à saúde dos consumidores e, desta forma, a água pode ser consumida pela população. A informação foi antecipada pela coluna de Ancelmo Gois.

“A substância não oferece riscos à saúde, mas altera o gosto e o cheiro da água. O fenômeno natural e raro de aumento de algas em mananciais, em função de variações de temperatura, luminosidade e índice pluviométrico, causa o aumento da presença deste composto orgânico, levando a água a apresentar “gosto e cheiro de terra”. Casos semelhantes ocorreram no Rio de Janeiro 18 anos atrás; em São Paulo, em 2008, e em municípios dos estados da Paraíba e do Rio Grande do Sul em 2018, por exemplo”, esclareceu a Cedae.

Pessoas dizem ter passado mal

Esta semana, moradores de várias regiões do Rio começaram a relatar que a água que saía das torneiras estava turva, com forte cheiro e gosto de terra. Apesar do esclarecimento da Cedae, neste período, várias destas pessoas também contaram ter passado mal do estômago após ter consumido a água.

O inspetor educacional Alessandro Pinheiro, de 43 anos, há cerca de uma semana começou a perceber que a qualidade da água não estava a mesma. No início, ele pensou que era apenas cloro, mas dias depois o líquido começou a aparentar estar “barroso”.

— Continuamos consumindo até minha esposa e filhos passarem mal. Ela inclusive começou a ter problemas de coceira na pele por causa do banho. Comprei água mineral para eles, mas continuei tomando a que vem da torneira. Eles melhoraram e eu comecei a adoecer — conta Alessandro, que mora na Vila da Penha e reclama de fortes dores abdominais, diarreia e febre.

Morador de Irajá, também na Zona Norte do Rio, o aposentado Alberto Cerqueira conta que começou a passar muito mal após consumir a água:

— Estou tendo que comprar água mineral. Como sou paraplégico, preciso tomar muito líquido e há alguns dias sofro com diarreia. Conseguimos sentir diferença no sabor e no cheiro da água. Parece barro — contou Alberto.

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