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Catarata e falta de óculos são as maiores causas de deficiência visual no Brasil

Três em cada quatro casos de deficiência visual no país são causados por catarata e pela falta de acesso a óculos. O número é do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO), que alerta para a importância de a especialidade fazer parte da atenção primária do Sistema Único de Saúde (SUS).

Em entrevista à CNN, o presidente da entidade, José Beniz Neto, disse que as negociações com o Ministério da Saúde estão avançadas para incluir a oftalmologia no atendimento básico da população, principalmente onde as condições de saúde são mais precárias e o acesso restrito.

“Temos dados que mostram um subaproveitamento de equipamento e espaços privados que poderiam perfeitamente atender a demanda do SUS em alguns dias da semana. A ideia é que sejam feitas essas parcerias para aumentar o acesso da população aos oftalmologistas”, explica o presidente do CBO.

Durante a pandemia, a entidade passou a oferecer uma teleorientação em saúde ocular a pacientes com o auxílio de oftalmologistas voluntários. A ideia é que o programa “Brasil que enxerga” seja expandido.

De acordo com o CBO, há atualmente mais de 22 mil especialistas em atividade no Brasil, distribuídos em 1.632 municípios. Os números indicam a razão de um médico oftalmologista para cada grupo de 9.230 habitantes, enquanto o preconizado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) é de um profissional para cada grupo de 17 mil pessoas.

“Ou seja, temos capacidade de atender toda a população, precisamos distribuir melhor esse acesso. Oitenta e cinco por cento dos problemas de visão dos pacientes podem ser resolvidos em apenas uma consulta. A efetividade do atendimento é grande”, ressalta Beniz.

Ao contrário dos Estados Unidos e alguns países da Europa, onde a venda de óculos não necessita da receita de um oftalmologista, por aqui, essa é uma exigência.

No ano passado, uma decisão do Supremo Tribunal Federal reforçou que a prescrição de óculos e tratamento da saúde ocular é uma prerrogativa do médico especializado em oftalmologia e não pode ser exercida por outros profissionais, como optometristas por exemplo.

O Conselho Brasileiro de Oftalmologia defende essa medida e alega que a consulta com o especialista é imprescindível para detectar outras doenças que também podem levar à cegueira.

Quem depende do SUS, como a família da dirigente de operações logísticas, Renata Calazans, sabe que conseguir acesso a um oftalmologista não é tarefa fácil.

O filho dela, Miguel, de cinco anos, estava com dificuldade para ler e assistir TV e ficou mais de quatro meses aguardando uma consulta.

Até hoje, ele não foi chamado. Mas conseguiu ser atendido gratuitamente por uma médica especializada, conhecida da família, que logo detectou um grau avançado de miopia e prescreveu os óculos.

“É nítido o quanto ele está melhor nas atividades. Foram meses preciosos que meu filho ficou sem enxergar direito pelo simples fato de não ter óculos. Isso para uma criança em pleno desenvolvimento faz muita diferença”, desabafa Renata.

O presidente do CBO acredita que até o fim do ano deve haver alguma sinalização do Ministério da Saúde sobre a inclusão da oftalmologia na atenção básica, colocando os médicos oftalmologistas não apenas nos ambulatórios de especialidades, mas também em postos de saúde.

“Com isso devemos diminuir o tempo de espera por consultas e procedimentos, bem como reduzir os problemas que afetam a saúde ocular e a qualidade de vida da população”, comenta Beniz.

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