Caso Fabrício Queiroz, ex-motorista e ex-assessor de Flávio Bolsonaro

Nesta quinta-feira (17), mais um capítulo envolvendo Fabrício José Carlos de Queiroz, ex-motorista e ex-assessor do deputado estadual e senador eleito Flávio Bolsonaro, ganhou destaque. Flávio Bolsonaro obteve uma liminar do Supremo Tribunal Federal (STF) para suspender as investigações sobre as movimentações envolvendo seu ex-funcionário.

Elas envolvem um relatório do Conselho de Atividades Financeiras (Coaf), que apontou operações bancárias suspeitas de 74 servidores e ex-servidores da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). O documento revelou a movimentação atípica de R$ 1,2 milhão na conta de Queiroz.

Década de 80: Amizade de Queiroz e Bolsonaro

Fabrício Queiroz e Jair Bolsonaro se tornam amigos nos anos 80. Os dois podem ser vistos juntos em momentos de lazer em algumas imagens publicadas em redes sociais, que mostram Queiroz pescando com Bolsonaro.

A amizade antiga chegou a ser citada pelo atual presidente durante uma coletiva de impresa em um evento da Marinha. Na ocasião, ele disse que era amigo de Queiroz há muitos anos e que já o auxiliou com empréstimos algumas vezes porque o ex-assessor do filho estava com problemas financeiros. Segundo Bolsonaro, Fabrício Queiroz devia R$ 40 mil.

Anos 2000: segurança e motorista de Flávio

Durante os anos 2000, Fabrício trabalhou por mais de dez anos como segurança e motorista de Flávio Bolsonaro, o filho mais velho do presidente. Queiroz recebia da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) um salário de R$ 8.517 e acumulava rendimentos mensais de R$ 12,6 mil da Polícia Militar. Ele foi exonerado do gabinete de Flávio na Alerj em outubro de 2018.

Nathalia Mello de Queiroz, filha de Queiroz de 29 anos, também foi funcionária de Flávio Bolsonaro entre 2007 e 2016. Menos de uma semana depois de ser exonerada, em dezembro de 2016, foi nomeada para o cargo de secretária parlamentar de Jair Bolsonaro na Câmara dos Deputados, em Brasília.

Além de Nathalia, a mulher de Fabrício, Márcia Oliveira de Aguiar, e outra filha dele, Evelyn Mello de Queiroz, trabalharam no gabinete de Flávio Bolsonaro.

Márcia aparece na folha de pagamento da Alerj de agosto de 2017 como consultora parlamentar e salário de R$ 9,2 mil. Evelyn foi nomeada em dezembro de 2016 como assessora parlamentar, na vaga da irmã Nathalia. Na última folha de pagamento, o salário dela é de R$ 7,5 mil.

2016 e 2017: movimentações suspeitas

Ex- assessor e ex-motorista de Flávio Bolsonaro movimentou em uma conta o total de R$ 1.236.838 entre 1º de janeiro de 2016 e 31 de janeiro de 2017. Durante esse período, Queiroz, de acordo com apontamentos do Conselho de Atividades Financeiras (Coaf), fez saques em espécie no total de R$ 324.774, e teve R$ 41.930 em cheques compensados.

Na época, um dos favorecidos foi a ex-secretária parlamentar, atual mulher do presidente eleito, Jair Bolsonaro, Michele de Paula Firmo Reinaldo Bolsonaro, que recebeu cheque no valor de R$ 24 mil.

O presidente eleito Jair Bolsonaro negou qualquer irregularidade nos depósitos realizados na conta da mulher dele, Michele de Paula Bolsonaro, por Fabrício José Carlos de Queiroz.

Dezembro de 2018: relatório do Coaf

No fim de 2018, foi divulgado o relatório do Conselho de Atividades Financeiras (Coaf), que apontou operações bancárias suspeitas de 74 servidores e ex-servidores da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). O documento revelou a movimentação atípica de R$ 1,2 milhão na conta de um ex-motorista e ex-assessor do deputado estadual e senador eleito Flávio Bolsonaro (PSL).

O caso Queiroz veio à tona a partir da investigação iniciada com a Operação Lava Jato no Rio de Janeiro, que analisa a ação de deputados estaduais da Assembleia Legislativa (Alerj) em contratos.

19 e 21 de dezembro: ausência em audiências

Na tarde de 19 de dezembro, Queiroz era aguardado para prestar depoimento no Ministério Público sobre suas movimentações bancárias atípicas. Foi a primeira vez em que ele não comparaceu ao órgão.

Naquela ocasião, seus advogados afirmaram que “não tiveram tempo hábil para analisar os autos da investigação” e solicitaram cópias dos documentos, além de terem justificado a ausência de Fabrício ao órgão por conta de uma “inesperada crise de saúde”.

Dois dias depois, Queiroz voltaria a deixar os promotores esperando. Pela segunda vez, ele não compareceu ao depoimento. Naquele dia, o advogado do investigado compareceu à sede do MP, às 14h, para informar que seu cliente precisou ser internado, “para realização de um procedimento invasivo com anestesia”.

26 de dezembro: primeira entrevista de Queiroz

No dia 26 de dezembro, Queiroz deu uma entrevista ao SBT. Foi a primeira vez que ele falou ao público depois que seu nome apareceu em um relatório do Coaf sobre movimentações financeiras atípicas de funcionários e ex-funcionários da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. No caso de Fabrício Queiroz, a movimentação foi de R$ 1,2 milhão durante um ano, segundo o Coaf.

Em uma das respotas, ele explicou de onde viria o dinheiro que movimentava: “Eu sou um cara de negócios. Eu faço dinheiro. Eu faço, assim, eu compro, revendo, compro, revendo. Compro carro, revendo carro. Eu sempre fui assim. Sempre. Eu gosto muito de comprar carro em seguradora. Na minha época, lá atrás, comprava um carrinho, mandava arrumar, vendia. Tenho segurança”.

Janeiro 2019: internação

Nos primeiros nove dias do ano, Queiroz esteve internado no Hospital Albert Einstein, Zona Sul de São Paulo. Segundo o advogado da família, ele foi submetido a uma cirurgia para a retirada de um tumor maligno no intestino.

12 de janeiro: dança em vídeo

No dia 12 de janeiro, um vídeo que mostrava Queiroz dançando no Hospital Albert Einstein, em São Paulo, enquanto tomava soro, tornou-se viral nas redes sociais.

As imagens mostram Queiroz e mais duas mulheres. Uma delas seria a filha dele, que faz a gravação e diz: “Agora é vídeo, pai! Pega teu amigo, pega teu amigo!”.

Segundo informações do advogado Paulo Klein, “os familiares de Fabrício Queiroz gravaram o vídeo de alguns segundos, no raro momento de descontração na visita deles no Albert Einstein, pois ele passaria por séria cirurgia nas horas seguintes, inclusive com risco de morte”.

10 de janeiro: Flávio não comparece ao MP

No dia 10 de janeiro, o deputado estadual e senador eleito Flávio Bolsonaro (PSP-RJ) não compareceu ao Ministério Público do Rio de Janeiro para depor sobre a movimentação financeira atípica de funcionários do seu gabinete na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) registrada em relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). Ele havia sido convidado pelos promotores.

14 de janeiro: apresentação de denúncia

O procurador-geral de Justiça do Rio de Janeiro, Eduardo Gussem, disse na segunda-feira (14) que o Ministério Público (MP-RJ) não precisa ouvir os depoimentos do senador eleito Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) e de seu ex-assessor Fabrício Queiroz para apresentar uma denúncia no caso das movimentações financeiras suspeitas identificadas pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).

Segundo Gussem, que foi reconduzido ao cargo nesta segunda, a investigação é baseada em “provas documentais consistentes” e os depoimentos seriam para apresentar versões das defesas dos acusados.

17 de janeiro: suspensão da investigação

O ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), mandou suspender provisoriamente o procedimento investigatório instaurado pelo Ministério Público do Rio de Janeiro para apurar movimentações financeiras de Fabricio Queiroz consideradas “atípicas” pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).

Vice-presidente do STF e ministro de plantão durante o recesso do Judiciário, Fux atendeu a pedido do deputado estadual e senador eleito Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), de quem Queiroz foi assessor.

O ministro defendeu sua decisão, afirmando que apenas enviou o caso ao relator, Marco Aurélio Mello, e disse que, se não tivesse o feito, as provas poderiam ser perdidas.


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