Carvalho diz que Davati foi procurada em nome do governo

O vendedor da Davati Cristiano Carvalho deu, à CPI da Covid, nesta quinta-feira (15), uma versão completamente diferente à negociação com o governo federal por doses da vacina AstraZeneca.

Carvalho disse que foi Luiz Paulo Dominguetti quem o procurou atrás de vacinas. Segundo o depoente, o policial militar de Minas Gerais dizia ter uma demanda do Ministério da Saúde por vacinas e estava atrás de um fornecedor.

A declaração vai contra o que disse Dominguetti na mesma CPI. O cabo da PM mineira afirmou que Cristiano havia delegado a ele a missão de oferecer ao Ministério da Saúde as vacinas da AstraZeneca que a Davati dizia ter.

A informação de que havia a demanda do governo federal por imunizantes, diz ele, foi reforçada por conversas que teve com outras pessoas que falavam em nome do governo federal. Entre elas, o ex-diretor do Ministério da Saúde, Roberto Dias.

“Comigo, ele [Roberto Dias] sempre tratou profissionalmente. Ele se apresentou, falou que falava em nome do governo federal e queria saber como era feita essa aquisição, como era pago. Tive poucas conversas com ele.”

Cristiano Carvalho acrescentou que, a ele, Roberto Dias, jamais falou de propina. Dominguetti fez essa denúncia em relação ao mesmo ex-servidor do ministério. De acordo com o policial militar, em denúncia publicada pelo jornal Folha de S.Paulo e repetida na CPI da Covid, Dias pediu US$ 1 para cada dose de vacina comprada pela União.

Carvalho declarou também que não é SEO da Davati Medical Supply no Brasil e sequer tem vínculo empregatício com a empresa norte-americana. Mas admitiu ter exercido a função de aproximar a companhia de autoridades brasileiras que tinham interesse de comprar vacinas.

Ele citou que, além do Ministério da Saúde, a Davati negociou imunizantes com o Governo de Minas Gerais.

De acordo com o representante da Davati, Luiz Paulo Dominguetti o procurou pela primeira vez no início de 2021. “Ele me mandou e-mail em 10 de fevereiro se apresentando: ‘Oi, sou Dominguetti’. Até então, eu o desconhecia.”

Cristiano Carvalho afirmou que Dominguetti e o reverendo Amilton Gomes de Paula, da ONG Senah (Secretaria Nacional de Assuntos Humanitários) foram os responsáveis por levá-lo a uma reunião ao Ministério da Saúde, em 12 de março deste ano.

“Ele [Dominguetti] se empenhou muito na venda das vacinas. Fez um trabalho muito grande com a Senah”, observou Carvalho, ao comentar que sequer sabia que o autor da denúncia de um pedido de propina por parte do Ministério da Saúde exercia também a atividade de policial militar.

Segundo Carvalho, ele, Dominguetti e o reverendo foram a uma ONG, Instituto Força Brasil, do coronel Helcio Bruno, pouco antes da reunião com o governo federal.

“Fui receoso, inclusive, nunca quis ter um envolvimento com o governo federal. Mas os traços de veracidade que chegavam até mim por eles me davam a entender que realmente havia essa demanda do governo federal.”

Helcio Bruno seria colega de turma do ex-secretário executivo do Ministério da Saúde, Elcio Franco, que estava na reunião do dia 12 de março.

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