Cantor colombiano e ativista negro é assassinado em boate de Cali

Junior Jein foi um dos autores da música "Quién los mató?", de 2020, sobre brutalidade policial em Cali, na Colômbia

CALI — O conhecido cantor de música urbana da Colômbia do Pacífico, Junior Jein, de 37 anos, foi assassinado a tiros na madrugada desta segunda-feira por dois homens que o atacaram em uma discoteca na cidade de Cali, na Colômbia, segundo autoridades locais.

Por volta da meia-noite de domingo, dois homens atiraram no cantor dentro da boate em que estava com outras pessoas. A polícia local informou à AFP que Junior foi levado a um hospital para ser atendido, mas morreu antes de ser atendido, em consequência dos ferimentos. Além dele, uma mulher foi ferida na perna durante o ataque.

Os homens que atiraram já foram detidos pela polícia de Cali, e as autoridades apreenderam um fuzil e uma pistola de 9 mm. Um dos agressores é ex-integrante das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), guerrilha colombiana que interrompeu as atividades em 2016, segundo o comandante de polícia de Cali, Juan Carlos León.

O oficial afirma ainda que não sabe se Junior Jein sofria ameaças e que os motivos do assassinato estão sob investigação.

Harold Angulo, que adotou o nome artístico Junior Jein, era cantor e ativista negro de renome no país. Em 2020, gravou, junto a outros artistas colombianos, a música “Quién los mató”. A canção prestou homenagem aos jovens assassinados nos massacres que ocorreram na Colômbia após o acordo de paz assinado entre o governo da Colômbia e as FARC, em 2016.

A morte do cantor e ativista negro acentua ainda mais as fragilidades de segurança enfrentadas em Cali, epicentro de manifestações populares contra o governo do presidente Iván Duque, iniciadas em 28 de abril por insatisfação com a proposta de reforma tributária apresentada pelo governo.

Jovens pobres e de classe média foram às ruas em protesto ao aumento dos impostos durante a pandemia. Apesar da medida ter sido derrubada por Duque, a repressão policial dos manifestantes iniciou um movimento sem precedentes, que deixou 61 mortos até esta segunda-feira. Em Cali, morreram 18 pessoas apenas na primeira semana de protestos.

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