Canadá reconhece como ato terrorista assassinato de família muçulmana; entenda por que país vai aumentar vigilância sobre extremistas de direita

Mulher muçulmana presta homenagens à família morta em atentado terrorista de extrema direita no Canadá em foto de 7 de junho de 2021 — Foto: Brett Gundlock/The Canadian Press/AP

O primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau, reconheceu nesta terça-feira (8) como ato terrorista o assassinato de quatro membros de uma família muçulmana durante o fim de semana.

Um canadense de 20 anos atropelou e matou duas mulheres, um homem e uma adolescente que aguardavam para atravessar a rua em uma calçada na cidade de London, a 180 km de Toronto.

Após o ataque, Trudeau prometeu aumentar o controle e vigilância dos serviços de segurança nacional para desmantelar os grupos de extrema direita (leia mais abaixo).

“Este foi um ataque terrorista no coração de uma de nossas comunidades”, disse Trudeau. “Continuaremos a lutar para desmantelar grupos de ódio de extrema direita.”

Mulher presta homenagem a família muçulmana morta durante atentado de extremista no Canadá em foto de 8 de junho de 2021 — Foto: Carlos Osorio/Reuters

Mulher presta homenagem a família muçulmana morta durante atentado de extremista no Canadá em foto de 8 de junho de 2021

Atropelamento em London

No domingo (6), Nathaniel Veltman de 20 anos, foi preso após subir na calçada e atropelar cinco membros da família Afzaal. Ele fugiu do local do crime.

No dia seguinte, as autoridades de Ontário denunciaram Veltman com quatro acusações de homicídio doloso, quando há a intenção de matar, e uma tentativa de homicídio – uma criança está hospitalizada.

Os policiais de London acreditam que o crime foi premeditado e que teve como motivação o ódio e intolerância religiosa.

“Temos evidências de que este foi um ato planejado, premeditado, por razões de ódio”, disse em entrevista coletiva o investigador da polícia, Paul Wright. “Acreditamos que as vítimas foram atacadas por serem muçulmanas”.

Polícia canadense investiga atentado contra família muçulmana no Canadá, em foto de 7 de junho de 2021 — Foto: Geoff Robins/The Canadian Press/AP

Polícia canadense investiga atentado contra família muçulmana no Canadá, em foto de 7 de junho de 2021

Quem são as vítimas?

As vítimas do ataque pertenciam todas à mesma família.

  • Salman Afzaal, homem de 46 anos, pai e fisioterapeuta
  • Madiha Afzaal, mulher de 44 anos, mãe e doutoranda em engenharia
  • Yumna Afzaal, adolescente de 15 anos, filha e estudante do nono ano
  • mãe de Salman, de 74 anos, não teve seu nome revelado

Segundo um porta-voz da família, o caçula, Fayez Afzaal, de 9 anos, sobreviveu ao ataque mas está se recuperando de ferimentos graves.

Jovens fazem homenagem à família morta no domingo em ato terrorista de extrema direita no Canadá. Foto de 8 de junho de 2021 — Foto: Carlos Osorio/Reuters

Jovens fazem homenagem à família morta no domingo em ato terrorista de extrema direita no Canadá. Foto de 8 de junho de 2021

Aumento da vigilância

Em uma sessão do parlamento canadense, o premiê pediu um minuto de silêncio pela memória da família Afzaal e afirmou que vai fortalecer a luta contra os grupos extremistas no país.

“Continuaremos a lutar contra o ódio online e offline, inclusive tomando mais medidas para desmantelar grupos de ódio de extrema direita”, disse Trudeau.

O primeiro-ministro citou também as ações de seu governo tomadas contra o grupo extremista americano Proud Boys, adicionando à lista de terroristas (leia mais adiante).

Trudeau prometeu também continuar financiando iniciativas que protegem escolas e templos em comunidades ameaçadas com Security Infrastructure Program (Programa de Segurança e Infra-estrutura, em inglês).

“Vamos continuar fazendo de tudo para manter as comunidades em segurança”, disse o premiê.

Ataques anteriores

O ato contra a família Afzaal reacendeu memória de recentes atos de violência motivados pelo ódio e intolerância religiosa no país.

Em janeiro de 2017, um tiroteio dentro de uma mesquita matou 6 pessoas e deixou outras 8 feridas no Quebec.

No ano seguinte, um ataque com uma van em Toronto matou 10 pessoas.

Policiais são vistos no local e um ataque em Toronto, no Canadá em fotode 2018

Extrema direita no Canadá

Trudeau prometeu aumentar vigilância sobre extremistas de direita e desmantelar grupos que ofereçam riscos à comunidade canadense.

Ele citou, por exemplo, que poderá fazer com que grupos deste tipo tenham o mesmo fim que o extremista americano Proud Boys, que foi colocado neste ano na lista de grupos terroristas.https://tpc.googlesyndication.com/safeframe/1-0-38/html/container.html

A organização é apontada como uma das responsáveis pela invasão do Congresso dos Estados Unidos, no início de janeiro.

O Ministério da Segurança Pública canadense chamou os Proud Boys de “organização neo-fascista” e disse que o grupo teve “um papel fundamental para a insurreição no Capitólio dos EUA”.

Enrique Tarrio em protestos dos Proud Boys em dezembro de 2020 — Foto: Jim Urquhart/Reuters

Com a classificação, a entidade fica ao lado de grupos como Al-Qaeda, Estado Islâmico e Al-Shabab. Atualmente o Canadá mantém uma lista com 73 grupos terroristas, que é constantemente atualizada.

Uma vez considerado um grupo terrorista, ficam vetadas quaisquer negociações ou financiamento entre pessoas, entidades e bancos no Canadá – e caso a medida não seja cumprida, o país pode aplicar sanções com “consequências significantes”.

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