fbpx

Câmara do Rio deve adiar novamente votação do armamento da Guarda Municipal

Dois dias após um guarda municipal atirar e matar um policial na Baixada Fluminense, a Câmara dos Vereadores do Rio traz na ordem do dia desta terça-feira a apreciação de uma proposta que pretende armar a Guarda Municipal do Rio. O Projeto de Emenda à Lei Orgânica 23/2018 foi incluído na pauta a pedido do vereador Jones Moura (PSD), um dos autores da medida polêmica. Embora esteja previsto na agenda — é o 9º projeto da lista —, a votação deve ser adiada, de acordo com o presidente da Casa, Carlo Caiado (DEM). Segundo ele, a matéria ainda precisa passar pelo colégio de líderes.

— O colégio de líderes delibera e busca ter um entendimento antes de levar à votação. Logicamente o plenário é soberano. Mas ainda estamos em processo de discussão — diz Caiado, coautor da proposta, que evita opinar sobre os rumos da proposta: — Temos que discutir mais e descobrir qual o melhor caminho.

O projeto, que se arrasta desde dezembro de 2018, quando foi publicado com a assinatura de 21 vereadores, divide opiniões dentro e fora da Câmara. Nos bastidores do Palácio Pedro Ernesto, sede do Legislativo carioca, comenta-se que será necessário um “empurrãozinho” do governo Paes para que a medida seja aprovada. Por se tratar de uma alteração na Lei Orgânica, é necessário quórum de dois terços (34 dos 51 vereadores) em duas votações para dar aval ao texto.

Em uma audiência pública realizada na última quinta-feira, o vereador Jones Moura citou um estudo conduzido pelos pesquisadores Paulo Arvate e André Portela, da Fundação Getulio Vargas (FGV), que mostrou que a redução de homicídios foi maior nos municípios com guarda armada. Nas cidades mais violentas, a taxa por 100 mil habitantes caiu até 63%, segundo a pesquisa.

— A pesquisa prova que onde a guarda municipal foi armada os índices de homicídio despencaram em até 60%. Significa que se a guarda for armada, menos pessoas morrerão, principalmente nas mãos de criminosos — afirmou.

O vereador Tarcísio Motta (Psol) se posiciona contra a proposta e avalia que se o projeto for levada a plenário não será aprovado.

— O clima na Câmara não é de aprovação desse projeto agora. Ainda falta amadurecer esse debate e levar em consideração o contexto específico do Rio. Mais armas em circulação, em uma cidade dominada por milícias, significa mais mortes e mais acesso dos milicianos a arsenais para que possam manter seu domínio — afirma.

Da mesma opinião partilha o vereador Paulo Pinheiro (Psol).

— A violência diminui na medida em que você reduz a quantidade de armas em circulação, e não o contrário. Se truculência e armas nas mãos da população funcionassem, o Rio de Janeiro hoje seria mais seguro do que Genebra — diz.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

%d blogueiros gostam disto: