Botafogo erra muito e não consegue repetir time compacto dos testes pré-Brasileirão

Um time sem compactação, triangulações, criatividade e agressividade. Esse foi o Botafogo da estreia no Campeonato Brasileiro, no empate em 1 a 1 com o Bragantino na noite da última quarta-feira. Paulo Autuori não conseguiu colocar em prática os conceitos que a equipe exibiu nos testes pré-Brasileirão.

Mas tenhamos calma. O desempenho ruim precisa ser colocado dentro de um contexto: a falta de ritmo de jogo do Botafogo vai ser um problema nas rodadas iniciais. A inexperiência do time também pode ser um obstáculo. Porém, um empate fora de casa contra uma equipe que se organizou e investiu para a temporada não é uma tempestade.

– Se a equipe tivesse um pouco mais de trabalho e competição, certamente poderia ter definido o jogo de maneira diferente. Mas a gente sabia que essas coisas iam acontecer… Além de termos uma equipe nova, temos muitos jogadores que estão disputando o Campeonato Brasileiro pela primeira vez – argumentou Paulo Autuori após a partida.

Dito isso, o problema não está no resultado, mas no comportamento da equipe. O diferencial do Botafogo pré-Brasileiro foi a compactação. Autuori impressionou pela distribuição do time em campo, com os setores aproximados e as triangulações. Não vimos isso na estreia. O Bota não jogou nem com a bola nem sem ela.

Barrandeguy, Nazário e Rhuan foram os mais apagados em campo. Gatito, Guilherme e Babi se salvaram.

O primeiro tempo, com exceção dos quatro primeiros minutos, é pra ser esquecido. O Red Bull Bragantino deitou em cima da defesa do Botafogo pelo lado esquerdo de ataque, e Matheus Jesus deixou ótima impressão. Rhuan não conseguiu se entender com Barrandeguy, e os buracos pelo lado direito foram frequentes. O gol do adversário saiu por ali num erro do Bota, que não diminuiu o espaço.

O time da casa pressionou muito bem o Botafogo desde a saída de bola, encurtou os espaços e forçou o time visitante aos erros, que foram consecutivos na etapa inicial. Paulo Autuori conseguiu corrigir algumas situações no intervalo. O Botafogo melhorou a marcação na segunda etapa, foi mais agressivo e conseguiu o gol de empate, com Matheus Babi, mas deixou o Estádio Nabi Abi Chedid com pontos mais negativos do que positivos.

Babi foi o melhor jogador do Botafogo contra o Bragantino — Foto: DIOGO REIS/AGIF - AGÊNCIA DE FOTOGRAFIA/ESTADÃO CONTEÚDO

Deu bom

  • Guilherme Santos. O lateral substituiu Rhuan no segundo tempo e, utilizado na ponta esquerda, foi o responsável por mudar o jogo. Conseguiu participar nas ações defensivas e foi fundamental no gol de empate com velocidade e experiência no lance que terminou com Babi empurrando para as redes. Foi o ponto alto da equipe.
  • Matheus Babi. O garoto, que havia marcado no amistoso contra o Fluminense, fez seu primeiro gol com a camisa oficial do Botafogo. Se firma como forte concorrente para Pedro Raul. Sobrou nas disputas e teve muito mérito no gol. A noite abaixo de todo o time impossibilitou uma aparição melhor do jovem atacante de 23 anos.

Deu ruim

  • Compactação. Faltou juntar o time, a começar pelos meio-campistas. Honda e Caio Alexandre não mostraram o entendimento que aconteceu no pré-Brasileirão. Sem aproximação, o show de espaços foi aproveitado pelo Bragantino.
  • Marcação e pressão. O Botafogo não conseguiu subir a marcação e pressionar a saída de bola do adversário. É preciso variação de jogo.
  • Bruno Nazário. O meia, que costuma jogar mais próximo de Honda e Caio e é quem mais aparece em campo, ficou apagado e não ditou o ritmo do time. Participou de poucas jogadas e perdeu grande chance.

Foi só o primeiro teste. O Botafogo precisa aprender a sofrer e tirar lições dos momentos de dificuldades, como aconteceu em Bragança Paulista. Ainda há jogadores para completar o elenco, casos de Marcinho, Cícero, Luiz Fernando e Salomon Kalou, por exemplo. A partir dos próximos jogos teremos uma noção melhor do que a equipe poderá apresentar no campeonato. Ainda é cedo para qualquer avaliação concreta.

– Certamente daqui a três, quatro jogos vamos produzir de uma maneira diferente, mais próxima daquilo que a gente deseja. Até porque muitas equipes vão sentir esse período e para ganhar esse ritmo vamos precisar de alguns jogos. Enquanto isso, teremos que ser uma equipe organizada, com espírito de sacrifício e capacidade de sofrimento para poder colher resultados que nos deem uma certa tranquilidade – concluiu Autuori.

Nesta quinta-feira o Botafogo deixa Bragança Paulista rumo ao Ceará, onde vai enfrentar o Fortaleza no próximo domingo, às 19h30, na Arena Castelão. O calendário e as viagens em sequência são outros obstáculos para o clube assimilar nesta parte mais importante da temporada.

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