Bolsonaro está mostrando face que ficou oculta em 2018, diz Kassab

Gilberto Kassab, presidente nacional do PSD, afirma que Jair Bolsonaro mostra uma face que ficou escondida nas eleições de 2018 ao ter “arroubos autoritários”. Ainda assim, diz considerar que o presidente da República vá chegar a dezembro de 2022 sem que um processo de impeachment seja aberto contra ele.

O presidente Bolsonaro faz uma leitura totalmente equivocada da relação dele com a sociedade”, declara Kassab em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, publicada neste domingo (11.jul.2021).

Ele assusta, está amedrontando o eleitor, mostra uma face que ele não mostrou na campanha eleitoral em 2018. Na democracia, as pessoas querem ver o presidente dando exemplo. Isso afasta ele do eleitor.

Kassab diz não acreditar que Bolsonaro vá sofrer impeachment. “O voto precisa ser valorizado. E, nessa altura dos acontecimentos, eu não acredito que vá acontecer um impeachment. Eu acho que é um governo que vai até o fim”, fala.

O ex-ministro, no entanto, afirma que isso não significa que o governo não tenha errado.

Qualquer cidadão do planeta, se tem uma preocupação hoje, é covid, e o governo não soube transmitir esse sentimento num país que daqui a pouco chega a 600 mil mortes”, declara.

A CPI traz um desgaste, é evidente que ainda não concluiu nada, mas a gente percebe que, se você quiser ser generoso com o governo, aquilo lá era uma bagunça. Uma bagunça em uma gestão de algo tão importante, de uma pandemia, já é extremamente reprovável.

ELEIÇÕES 2022

Kassab declara ser contra o distritão –algo que, segundo ele, “acaba com a política, deixa o sistema muito vulnerável quanto à interferência do crime organizado, das milícias”.

No distritão, assumem os candidatos mais votados, independentemente do desempenho dos partidos. Essa modalidade de eleição enfraquece os partidos políticos.

Ele [distritão] gera a possibilidade de um candidato procurar partido, por mais irrelevante que seja, fazendo qualquer negociação menor, conseguindo legenda”, fala Kassab.

O ex-ministro diz que o PSD estuda lançar candidato próprio a governador do Rio de Janeiro, de Minas Gerais, de São Paulo e do Paraná.

Mas não é aquela diretriz fechada. A política se impõe, sempre existem as exceções que têm de ser admitidas, mas a recomendação é de que, em especial nos grandes colégios eleitorais, tenhamos candidaturas a governador”, afirma.

Sobre a possibilidade do candidato em São Paulo ser Geraldo Alckmin, atualmente filiado ao PSDB, Kassab fala que não considera “politicamente correto” se manifestar antes de uma decisão oficial.

O que tenho dito é que nossa diretriz é ter uma candidatura. Entendemos que, se Alckmin formalizar sua pretensão de ser candidato a governador, por todo histórico que ele tem conosco, tem tudo, todas as condições que já foram manifestadas a ele, primeiro para ratificar o convite que fizemos para que se filie ao partido, segundo para que a gente possa trabalhar para que ele seja um bom governador, se vencer as eleições.

No plano nacional, Kassab reitera a vontade de ter o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), como candidato pela legenda.

É uma pessoa que mostrou talento para a política. Minha manifestação pessoal é de que ele pode, sim, ser um candidato do PSD à Presidência”, diz.

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