fbpx

Auxílio Brasil: primeiro dia de pagamento é marcado por filas e falta de informação

O primeiro dia de pagamentos do Auxílio Brasil, que entrou no lugar do extinto Bolsa Família, foi marcado por filas — como as observadas nos últimos dias em todo o país — e muita desinformação. Em Bonsucesso, na Zona Norte, Eliane Cristina da Silva, de 32 anos, moradora de Inhaúma, aguardava havia mais de três horas para entrar na agência, a fim de descobrir quanto receberia.

— O aplicativo não funciona, no Caixa Tem não é possível ver o saldo, e ninguém sabe informar nada.Peguei uma senha e estou aqui esperando para entrar na agência — explicou Eliane, que é mãe de três filhos menores e ex-beneficiária do Bolsa Família.

— Recebia R$ 300 de Bolsa Família. Tenho três crianças cadastradas, mas não sei quanto vou receber. Tentei (o saque) na lotérica, mas meu cartão (do Bolsa Família) está bloqueado — reclamou Eliane, que paga aluguel e tinha expectativa de já receber os R$ 400 prometidos por Jair Bolsonaro.

O pagamento deste valor, no entanto, está atrelado à aprovação da PEC dos Precatórios pelo Congresso Nacional. O texto ainda tramita no Senado. Portanto, ainda não há fonte de custeio para pagar os R$ 400.

Andreia Júlia Neves teve o cartão do extinto Bolsa Família bloqueado, e o aplicativo da Caixa não funciona

O cartão do Bolsa Família bloqueado foi o que levou Andreia Júlia da Silva Neves, de 51 anos, moradora de Guadalupe, na Zona Norte, à agência da Caixa de Rocha Miranda.

— Estou aqui desde as 7h para tentar sacar meu dinheiro. Tenho o cartão do Bolsa Família, mas está bloqueado, e o aplicativo da Caixa não funciona — lamentava Andreia: — Toda vez é isso. É sempre esse descaso com o povo. As pessoas estão desmaiando por causa do calor. Já são 11h30 e eu continuo aqui na fila.

Sem qualquer renda mínima

Maria da Penha, de 78 anos, não recebe qualquer programa social do governo federal
Maria da Penha, de 78 anos, não recebe qualquer programa social do governo federal

Sem saber se teria direito ao Auxílio Brasil, Maria da Penha Domingues, de 78 anos, moradora de Costa Barros, também na Zona Norte, era mais uma das pessoas na fila da Caixa em Rocha Miranda. De posse de um cartão Família Carioca, ela buscava informações sobre como fazer para ter direito à renda mínima do governo federal.

Analfabeta, ela vive na comunidade em Costa Barros e não recebe nenhuma ajuda alguma do governo federal, nem mesmo o Benefício de Prestação Continuada (BPC/Loas), pago a idosos acima de 65 anos e pessoas com deficiência, mesmo que não tenham contribuído para o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), desde que comprovem baixa renda.

— Nunca recebi Bolsa Família e sobrevivo catando latinhas, mas tem tanta gente pegando latas na rua que tem vezes que não consigo nada. Na pracinha da comunidade, distribuem quentinha às vezes. Tem dias em que consigo pegar. Em outros, não. Uma vez levei (uma quentinha) para casa e tentei dividir para comer por dois dias, mas a comida acabou estragando, porque não tenho geladeira — contou.

Vanessa da Silva: medo de que o dinheiro do Auxílio Brasil suma da conta como ocorreu com o auxílio emergencial
Vanessa da Silva: medo de que o dinheiro do Auxílio Brasil suma da conta como ocorreu com o auxílio emergencial

Vanessa Nunes da Silva, de 39 anos, de Rocha Miranda, se abrigava do sol com uma sombrinha colorida. Além de não saber quanto receberia de Auxílio Brasil, a dona de casa, que é mãe de 4 filhos, lembrava dos problemas que teve para receber o auxílio emergencial:

— Recebi as parcelas de R$ 1.200 em 2020. Só que depois, quando (o benefício) virou R$ 600, não consegui mais sacar. O dinheiro estava na conta, mas indisponível para retirada. Meu medo agora é não conseguir tirar o novo Bolsa Família (Auxílio Brasil). Como vou dar de comer às crianças?

Resposta da Caixa

Procurada, a Caixa Econômica Federal informou que não foram constatadas instabilidades no aplicativo e que não será emitido um novo cartão para o saque do Auxílio Brasil. O do Bolsa Família continua valendo.

“O app está funcionando bem, e os cartões do Bolsa Família não foram invalidados”, assegurou a instituição.

Exigência: ter CadÚnico

É importante destacar que agora somente vão receber o Auxílio Brasil as 14,6 milhões de pessoas que recebiam o Bolsa Família, segundo o Ministério da Cidadania. Informações iniciais do governo davam conta de que esse número chegaria a 17 milhões, já em dezembro deste ano. Essa previsão, porém, caiu por terra. Ou seja, 2,4 milhões de pessoas que seriam incluídas no Auxílio Brasil ainda em 2021 — inclusive as que já estavam na fila de espera do Bolsa Família — terão que esperar mais um pouco.

Com as inclusões ao programa suspensas por 120 dias, a contar de outubro desde ano, é provável que novas inserções aconteçam somente a partir de fevereiro de 2022.

Para receber o Auxílio Brasil e os demais programas sociais do governo federal, é necessário fazer a inscrição no Cadastro Único (CadÚnico). A procura pelo cadastramento tem feito, inclusive, as pessoas dormirem nas portas dos Centros de Referência de Assistência Social (CRAS) espalhados por todo o país.

O Ministério da Cidadania, gestor desses programas, afirmou ao Extra que a inscrição no Cadastro Único não resulta na imediata concessão dos benefícios do Auxílio Brasil”.

De acordo com a pasta, “serão priorizadas famílias a partir de critérios baseados num conjunto de indicadores sociais capazes de estabelecer com mais precisão as situações de vulnerabilidade social e econômica”.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

%d blogueiros gostam disto: