Aung San Suu Kyi, líder de Mianmar presa por militares que deram golpe de Estado, é acusada de mais crimes

Manifestantes usando máscaras com o rosto de Aung San Suu Kyi protestam na cidade de Yangon, em Mianmar — Foto: Stringer/Reuters

Manifestantes usando máscaras com o rosto de Aung San Suu Kyi protestam na cidade de Yangon, em Mianmar — Foto: Stringer/Reuters

Aung San Suu Kyi, a líder de Mianmar detida desde o golpe militar de 1º de fevereiro, foi acusada nesta quinta-feira (1º) de quebrar uma lei da era colonial do país que pune autoridades que revelam segredos oficiais, disse nesta quinta-feira seu advogado. Essa é a acusação mais séria contra Suu Kyi até agora, uma condenação pode ter uma sentença de até 14 anos.

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Ganhadora do Prêmio Nobel da Paz, ela “parece estar bem de saúde”, disse um de seus advogados, Min Min Soe, na quarta-feira, após falar com ela também por videoconferência.

Ela também enfrenta acusações de incitar a desordem pública e recebido propina.

Suu Kiy pode ser condenada a vários anos de prisão e banida para sempre da vida política.

Muitos membros da Liga Nacional para a Democracia (LND), o partido de Aung San Suu Kyi, foram presos. Dois deles morreram na prisão. Já os deputados da LND expulsos do Parlamento pelos golpistas anunciaram que vão formar um “novo governo civil” de resistência, no início de abril.

Guerra civil

Na quarta-feira, uma enviada da ONU a Mianmar afirmou que há risco de uma guerra civil e de um banho de sangue iminente no país.

Existe a possibilidade “de uma guerra civil em um nível sem precedentes”, declarou na quarta-feira a enviada da ONU para Mianmar, Christine Schraner Burgener, em uma reunião a portas fechadas do Conselho de Segurança das Nações Unidas.

“Exorto este Conselho a considerar todos os meios à sua disposição para tomar medidas coletivas e fazer o que for necessário, o que o povo birmanês merece, para evitar uma catástrofe multidimensional no coração da Ásia”, frisou.

Os 15 membros do Conselho de Segurança não conseguiram superar as divisões. Estados Unidos e Reino Unido defenderam a proposta de que a ONU aplique sanções à junta militar. A China, um aliado tradicional das Forças Armadas de Mianmar, rejeitou a ideia, embora tenha pedido “a volta da transição democrática”.

Mais de 500 mortos

Mais de 530 pessoas, entre elas vários estudantes, adolescentes e crianças, morreram vítimas da repressão do regime às manifestações contra o golpe, segundo a Associação para a Assistência a Presos Políticos (AAPP).

Centenas de pessoas foram detidas, e muitas estão desaparecidas, disse a AAPP.

A resistência ao regime militar continua, com dezenas de milhares de funcionários públicos e trabalhadores do setor privado ainda em greve.

Nesta quinta-feira, vigílias à luz de velas e orações silenciosas foram realizadas em memória dos mortos nos últimos dois meses.

A repressão de civis inflamou o número de grupos étnicos armados em Mianmar. Alguns deles lançaram ataques contra a polícia. O Exército respondeu com bombardeios.

Desde a independência do país em 1948, diferentes grupos étnicos mantém conflitos com o poder central.

Esses grupos pedem mais autonomia e acesso às riquezas naturais

Novas sanções britânicas

Nesta quinta-feira, o Reino Unido anunciou que vai impor novas sanções a empresas ligadas ao exército de Mianmar.

As empresas atingidas são Myanmar Economic Holdings e Myanmar Economic Corporation. Ambas já haviam sido afetadas por medidas punitivas dos Estados Unidos na semana passada.

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