Aumento histórico de tarifa na SuperVia choca passageiros e prejudica mais pobres

O passageiro e líder operacional Eduardo Ricardo dos Santos, de 23 anos, desistiu de andar de trem há mais de um mês por conta da má qualidade do serviço. Ele é morador da Baixada Fluminense e utilizava o transporte saindo da estação do Gramacho, em Duque de Caxias, até a estação Central do Brasil, no Rio. Ele reforçou que a volta para casa era sempre pior, e após um dia traumático utilizando o sistema, ele decidiu trocar o modal por linhas de vans, mesmo pagando mais caro.

 A SuperVia anunciou na terça (1) o reajuste de R$ 5,00 para R$ 5,90 da tarifa. A mudança no preço repercutiu negativamente e o assunto alcançou o Trend Topics do Twitter na tarde desta quarta (2).“Eu até tinha paciência para usar o trem, mas um dia eu me frustrei muito na volta do serviço e desisti por completo, foi quando eu demorei três horas para voltar do centro para casa. Eu faço baldeação para voltar em casa e naquele dia eu peguei o trem às 20h e cheguei em casa quase 23h, os maiores problemas sempre são na hora de voltar”, afirmou Eduardo.

Agora, ele paga R$ 8,55 para utilizar as vans, o que equivale a R$ 17,00 por dia de passagem para evitar os trens. Ele preferiria utilizar o transporte ferroviário pela segurança e para evitar engarrafamentos, mas desistiu depois de tantos problemas. Além da demora, o líder operacional destacou outras precariedades, como a grande quantidade de interrupções entre as viagens.

A assistente administrativa e também moradora da Baixada Fluminense, Patrícia Dantas , de 40 anos, disse que com o aumento da passagem haverá um desconto no seu contracheque. O custo diário dela para ir ao trabalho na Lagoa Rodrigo de Freitas, na Zona Sul, era de R$ 17,10, o valor agora vai subir para aproximadamente R$ 19,00. Ela se preocupa com a situação de passageiros com ocupações informais e que não tem a cobertura da tarifa paga pelas empresas. 

“Muitos usuários não utilizam o bilhete único, aí a conta fica maior. Eu não considero justo o aumento em função do serviço oferecido. O ramal Saracuruna só tem uma linha, se um trem dá defeito para tudo. Desanima precisar desse transporte, como moradora da Baixada Fluminense fujo do ônibus pelo engarrafamento”, lamentou.

Em levantamento feito, foi verificado o aumento da passagem nos últimos sete anos, a partir do final de 2014, e constatou que o atual reajuste foi o maior na tarifa das passagens dentro do período analisado. Em 2014, o trajeto poderia ser feito com um serviço de integração mais amplo, e mesmo que os passageiros não tivessem o benefício, o custo da passagem era R$ 3,20, o valor percentual era 54% menor. (O levantamento pode ser conferido no final da matéria).

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