Aspirina não aumenta sobrevivência de pacientes com Covid-19, indica estudo de Oxford

Aspirina foi testada em estudo como tratamento para Covid-19

LONDRES — A aspirina não aumenta as chances de sobrevivência de pacientes com formas graves da Covid-19, mostraram os resultados iniciais, divulgados nesta terça-feira, de um dos maiores estudos do Reino Unido sobre o analgésico e anticoagulante de uso comum, conduzido pela Universidade de Oxford.

Como o remédio ajuda a reduzir a formação de coágulos sanguíneos em outras doenças, ele foi testado em pacientes contaminados pelo coronavírus, que correm mais risco de ter problemas de coagulação.

O ensaio faz parte de uma ampla pesquisa britânica, chamada de “Recovery” (Recuperação, em português), que examina uma série de tratamentos potenciais para a Covid-19.

Os cientistas avaliaram os efeitos da aspirina em quase 15 mil pacientes hospitalizados infectados pelo novo coronavírus. Pouco menos da metade dos pacientes foi selecionada aleatoriamente e recebeu 150 mg de aspirina uma vez por dia, e os outros receberam somente os cuidados habituais.

— Embora a aspirina tenha sido associada a um pequeno aumento na probabilidade de sobreviver, isso não parece suficiente para justificar seu uso generalizado em pacientes hospitalizados com Covid-19 — disse Peter Horby, co-investigador-chefe do estudo.

O estudo de Oxford também analisa a eficácia de outros tratamentos, e foi o primeiro a mostrar que o esteroide dexametasona pode salvar vidas de pacientes com casos graves de Covid-19.

A pesquisa também mostrou que o tratamento antiinflamatório com tocilizumabe reduziu significativamente as mortes, mas não encontrou nenhum benefício para os pacientes com a doença que usaram medicamentos como o antibiótico azitromicina nem o medicamento antimalárico hidroxicloroquina.

O estudo sobre a aspirina não mostrou nenhuma mudança significativa no risco de os pacientes progredirem para a necessidade de ventilação mecânica invasiva. Para cada 1.000 pacientes tratados com o medicamento, cerca de seis a mais tiveram um evento hemorrágico importante e cerca de seis a menos tiveram um evento de coagulação, informou Oxford.

A universidade informou que os resultados serão publicados no portal online medRxiv, e foram submetidos para publicação em uma revista científica com revisão por pares.

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