Às vésperas do 10º jogo da gestão de Sá Pinto, Vasco tem desafios: melhorar ataque e como mandante

Quando foi apresentado pelo Vasco, em 16 de outubro, Ricardo Sá Pinto chegou determinado a arrumar o setor defensivo. “Defensivamente não há negociação. Porque se não fizerem o que penso, não conseguiremos evoluir”, disse o treinador na entrevista coletiva. Também pudera, já que o time vinha de uma sequência de 12 gols sofridos no cinco jogos anteriores à estreia do português – média de 2,4 por partida.

Meta estipulada, questão resolvida: desde que Ricardo Sá Pinto estreou, a equipe vascaína levou apenas seis jogos gols em nove partidas, o que corresponde a uma média de 0,66 por partida. Mesmo indisponível por conta da Covid-19 para o duelo com o Ceará, nesta segunda-feira, às 18h, em São Januário, sabe-se que o português é quem dá as cartas para o auxiliar Alexandre Grasseli montar o time. Com isso, às vésperas do 10º jogo de sua gestão, Sá Pinto tem dois novos problemas a atacar: o péssimo rendimento ofensivo e o aproveitamento discretíssimo da equipe como mandante.

Sá Pinto, Vasco — Foto: André Durão / ge

Gols raros e, para variar, concentrados em Cano

Sob a batuta de Sá Pinto, o Vasco tem média de gols baixíssima: 0,77 por jogo (marcou sete em nove partidas). No último jogo, no empate por 1 a 1 com o Defensa y Justicia, apesar de a equipe ter sido esfacelada por 10 desfalques motivados pela Covid-19, a falta de imaginação foi escancarada. Finalizou apenas três vezes.

A distribuição dos gols também é pouco democrática. Germán Cano vem carregando o setor ofensivo nas costas desde janeiro, e isso não é novidade para ninguém, já que 20 dos 39 gols (51,2% do total) do Vasco foram marcados por ele. A conta é mais expressiva a partir da chegada do português. O argentino fez quatro dos seis gols (66%). Léo Matos, Ribamar e Tiago Reis fizeram os outros.

Dificuldades no estádio que apaixonou Sá Pinto

Ao desembarcar no Galeão, em 15 de outubro, Ricardo Sá Pinto prometeu que logo criaria rápida identificação, avisando: “Vesti a camisa e vou morrer por ela”. E a união Brasil-Portugal que mexeu rapidamente com o treinador foi o Estádio de São Januário. Em entrevista ao ge publicada na semana, revelou o encantamento.

– Adoro São Januário, adoro aquela fachada. Me faz lembrar Portugal e a colônia portuguesa. É lindíssima (a fachada). É um estádio lindíssimo, e é uma pena que esteja vazio. Estou à espera de ver esse estádio cheio. Cuidado, quando vierem a São Januário vai ser complicado saírem vivos de lá (risos).

Pois é, Sá Pinto ainda não pôde conhecer o Caldeirão com a torcida vascaína e nem entender por que ele é chamado assim. Nos quatro jogos em que dirigiu o time, o aproveitamento (33,3%) foi paupérrimo – quatro pontos em 12 possíveis.

A única vitória em casa deu-se contra o Caracas, por 1 a 0, no apagar das luzes do jogo de ida entre os times pela segunda fase da Sul-Americana. Perdeu para Corinthians e Palmeiras pelo mesmo placar em duelos equilibrados e fez um 0 a 0 sofrível com o Fortaleza, no último dia 19.

O Vasco tem oportunidade de ouro para reverter ou, pelo menos, atenuar esses dois panoramas desfavoráveis. Joga duas vezes na Colina Histórica, segunda contra o Ceará, pelo Brasileiro, e quinta diante do Defensa y Justicia, pela Sul-Americana.

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