Argentina e Uruguai têm alta de casos, mas evitam impor restrições severas

Profissionais de saúde coletam amostra para teste de Covid-19 em crianças na periferia de Montevidéu, no Uruguai, em 18 de março de 2021 — Foto: Matilde Campodonico/AP

Profissionais de saúde coletam amostra para teste de Covid-19 em crianças na periferia de Montevidéu, no Uruguai, em 18 de março de 2021 — Foto: Matilde Campodonico/AP

A Argentina e o Uruguai enfrentam por altas nos números de infecções por Covid-19, mas os governos dos dois países contam com o programa de vacinação para ajudar a conter a pandemia e tentam evitar medidas muito restritas.

Um carregamento de um milhão de doses da vacina Sinopharm, fabricada na China, chegou a Buenos Aires na quinta-feira (1º).

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O presidente Alberto Fernández afirmou que se empenha para que as vacinas cheguem o mais rápido possível em uma entrevista a uma rádio.

Com a chegada de um milhão de doses nesta quinta-feira, a Argentina recebeu cerca de 7 milhões de doses no total. Dessas, quatro milhões já foram aplicadas, de acordo com um comunicado da Presidência.

Há previsão de um novo carregamento com doses da Sputnik V para sexta-feira (2). Essa é a principal vacina usada na Argentina.

O governo pretende acelerar a campanha para chegar ao final de abril com a população em maior risco e os mais expostos já vacinados, disse Fernández.

Além do forte aumento de casos, surgiram novas variantes. Nas últimas 24 horas, 83 mortes e 14.430 casos de Covid-19 foram notificados na Argentina.

“Acreditamos que estamos iniciando a segunda onda, com um aumento sustentado de casos, o que causa preocupação”, afirmou a ministra da Saúde, Carla Vizzotti, a uma rádio.

Nem fábricas, nem salas de aula

O governo analisa novas restrições, mas quer evitar um novo confinamento rígido, como o de 2020. A medida agravou a recessão que já durava dois anos quando Fernández assumiu o cargo, em dezembro de 2019.

“Não é em uma fábrica, não é em uma sala de aula onde ocorrem infecções. Sabemos que atividades produtivas com protocolos não são fontes de contágio. As infecções acontecem nos momentos de descanso, quando os cuidados são reduzidos”, afirmou o ministro Vizzotti.

As fronteiras aéreas e terrestres estão fechadas para turistas estrangeiros, mas dezenas de milhares de argentinos se deslocam pelo país neste fim de semana de Páscoa.

O presidente convocou o prefeito de Buenos Aires, Horacio Rodríguez Larreta, para uma reunião de emergência no sábado para analisar a situação na capital, onde os casos dobraram em uma semana, assim como na periferia superlotada.

Casos no Uruguai

O Uruguai registrou nesta quinta-feira um recorde diário de 35 mortos pela Covid-19, superando mil óbitos desde o começo da pandemia, em meio à escalada dos contágios.

O país, de 3,5 milhões de habitantes, alcançou 1.009 mortos e totaliza 108 mil casos da doença desde que foi declarada a emergência sanitária, em março de 2020. O aumento sustentado dos casos coloca em risco o atendimento nos hospitais públicos e privados do país, onde 42% dos leitos estão ocupados por pacientes com Covid.

O país vive o pior momento da pandemia, mas o presidente Luis Lacalle Pou se mostrou resistente a endurecer as medidas para restringir a mobilidade, argumentando que seu governo não acredita em um “Estado policial” e mostrando confiança no programa de vacinação, que avança bem.

Quase 20% da população já recebeu ao menos a primeira dose da CoronaVac ou Pfizer desde o começo da campanha, em 1º de março.

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