Aprovação da OMS dá ‘aval’ à Coronavac, dizem especialistas

Depois de uma sequência de estudos que reforçaram nas últimas semanas a eficácia da vacina Coronavac contra a covid-19, o imunizante desenvolvido pela farmacêutica chinesa Sinovac recebeu mais uma sinalização positiva nesta terça-feira (1/6): a Organização Mundial da Saúde (OMS) aprovou seu uso emergencial.

Isso quer dizer, na prática, que países poderão acelerar seus processos de aprovação interna para uso de vacina, casos suas regras permitam que decisões de órgãos internacionais como a OMS sirvam como comprovação de eficácia e segurança; e que o imunizante poderá ser incorporado ao consórcio Covax Facility, liderado pela o OMS com o objetivo de distribuir doses entre os países de forma mais igualitária.

No Brasil, a Coronavac já tem autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para uso emergencial e é produzida em parceria com o Instituto Butantan, vinculado ao governo estadual de São Paulo.

“É mais uma aval que a gente não tinha muita dúvida que viria, porque (a vacina) preenche todos os requisitos. Os dados da CoronaVac realmente são muito bons no mundo real, no Uruguai, Chile, no município de Serrana (SP), mostrando o impacto positivo da introdução da vacina em programas públicos de imunização”, explica o médico infectologista Renato Kfouri, diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), citando estudos recentes que mostraram os benefícios da vacina em diferentes lugares.

“O estudo de Serrana é emblemático porque tem uma situação experimental e controlada, quase um laboratório da vida real, demonstrando que a vacina consegue reduções expressivas no número de casos, na hospitalização e mortalidade. E isso em um cenário de circulação predominante da (variante) P.1”

Kfouri se refere a um estudo conduzido no município paulista e que teve resultados apresentados nesta segunda-feira (31/5).

Lá, 95% da população adulta foi vacinada com duas doses da CoronaVac — chegando a aproximadamente 28 mil pessoas na cidade cuja população é de 45 mil. Segundo os dados apresentados em entrevista coletiva, as mortes por covid-19 foram reduzidas em 95%; as internações, em 86%; e os casos sintomáticos, em 80%.

As reações adversas também se mostraram pouco significativas: 4,4% dos participantes apresentaram algum incômodo após a primeira dose, e apenas 0,02% deles tiveram efeitos colaterais grau 3, como dor na cabeça ou nos músculos, que chegam a prejudicar as atividades diárias.

É importante destacar, porém, que estes resultados ainda não foram publicados em uma revista científica, onde eles costumam passar pela avaliação de cientistas independentes, na chamada “revisão dos pares”.

No Uruguai, também citado por Kfouri, o Ministério da Saúde divulgou em 25 de maio que duas doses da CoronaVac conseguiram reduzir em 97% a mortalidade por covid-19 na população imunizada; em 95% a internação em UTI; e em 57% a ocorrência da doença.

O ministério da Saúde do Chile também publicou em abril resultados preliminares mostrando que a eficácia da CoronaVac, depois de duas doses, foi de 80% na prevenção de morte; 89% na internação em UTI; e 67% na ocorrência da doença com sintomas.

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