Após retonar ao Brasil, médico detido por assédio no Egito afirma que dará ‘prioridade à família’

Médico de Porto Alegre Victor Sorrentino foi detido no Egito

O médico Victor Sorrentino, preso no Egito após ser acusado de assediar a vendedora de uma loja, retornou ao Brasil do domingo. Ele chegou a Porto Alegre, onde vive, pouco depois das 23h. Em nota, Sorrentino afirmou que todos os esclarecimentos sobre o caso foram encerrados e que “apesar do desejo de retornar ao trabalho”, dará “prioridade à família” após voltar para casa.

“A todos os meus amigos, pacientes, alunos e seguidores, retornei ao Brasil após encerrar todos os esclarecimentos solicitados e ser libertado pelas Autoridades Egípcias. Embora meu desejo seja de retornar minhas atividades aqui nas redes sociais imediatamente para agradecer a todos pelo carinho, afeto, e amor que tenho recebido de todos vocês, preciso priorizar a atenção e apoio a minha família neste primeiro momento. Meu mais sincero agradecimento a todas as manifestações de carinho e afeto”.

‘Não será esquecido’, diz ONG

Segundo a ONG Speak UP, que atua para dar apoio a mulheres vítimas de violência no Egito, a prisão do médico foi um “esforço coletivo” que envolveu a colaboração de mulheres brasileiras. Em texto publicado nas redes sociais após a liberação de Sorrentino, a organização afirmou que “o caso não será esquecido” e que ele “não é mais bem-vindo no Egito”.

“É preciso enfatizar que o assédio sexual não é uma brincadeira ou elogio. O assédio sexual é crime. ‘Piadas’ sexuais são assédio mesmo que a vítima decida perdoar”, ressaltou a Speak UP.

Pedidos de desculpas

A liberação de Sorrentino ocorreu após a vendedora aceitar o pedido de desculpas do médico. Ele foi detido após publicar um vídeo no Instagram em que constrange a mulher. Na gravação, pergunta em português: “Vocês gostam mesmo é do bem duro, né?”, enquanto ela mostrava um papiro em uma loja na cidade de Luxor. Depois, em tom de deboche, ainda afirma: “E comprido também fica legal, né?”. Sem entender o idioma, a atendente responde “sim”, enquanto ele e os amigos riem.

De acordo com o Ministério Público do Egito, a atitude violou os princípios e valores familiares da sociedade egípcia e desrespeitou a vida privada da vítima ao expor sua imagem na internet.

Diante da repercussão negativa, o médico restringiu o acesso dos perfis nas redes sociais. Ele ainda excluiu o vídeo ofensivo e publicou outro no qual pede desculpas e diz que foi “uma brincadeira”. No domingo (30), o Ministério do Interior do Egito emitiu um comunicado sobre medidas judiciais que foram tomadas contra um estrangeiro.

No dia 3, a família do médico também divulgou um pedido oficial de desculpas no qual se solidarizava com a vítima e com o povo egípcio e prometia reparar os danos morais e materiais causados pelo brasileiro.

“Quanto aos eventos recentes que aconteceram no caso do médico brasileiro Victor Sorrentino no Egito, e aos danos morais e materiais causados em todos os afetados. Nós, da família de Victor Sorrentino, em nome do Victor, oferecemos oficialmente desculpas à vítima, à família dela e todos os que se envolveram com o assunto. Além de todo o querido povo egípcio e todos os funcionários do Estado de Egito. Nós estendemos nossos sentimentos mais sinceros e a promessa de reparação de todos os danos morais e materiais. Nós pedimos que aceitem nosso pedido de desculpas”, diz o texto.

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