Após manobra da Cedae, Rio registra 11 bairros que poderão ficar sem água por até 48 horas

Após a Estação de Tratamento do Guandu ter uma parada do início da noite de terça-feira até as 7h de quarta-feira para a instalação de um sistema que visa reduzir a poluição na lagoa de captação de água, alguns bairros da capital e da Região Metropolitana estão tendo o fornecimento de água interrompido ou funcionando de forma irregular. Só no Rio, há relatos de que 11 bairros que estão sem água, podendo levar até 48 horas para que o retorno seja normalizado.

No Rio, há registros de interrupção no fornecimento em Rocha Miranda, Tijuca, Rio Comprido, Santo Cristo e Vila Isabel, na Zona Norte; Campo Grande e Freguesia, na Zona Oeste; Lapa e Santa Teresa, na Região Central; e em Ipanema e no Leme, na Zona Sul. Já na Baixada Fluminense, são os bairros dos municípios de Nova Iguaçu e Duque de Caxias que estão com falta de água.

No Leme, além do fornecimento de água ter parado até o início da noite desta quarta-feira, o líquido se apresentou, além com o odor e gosto típicos da geosmina, com uma característica diferente. Quem percebeu foi a comunicóloga Marcela Salgueiro, que mora no bairro:

— Eu não sei nem o que usar para falar dessa água. O cheiro está de barro e as garrafas de vidro estão com essa aparência de gelatina. Agora, estamos só na água mineral.

Na Freguesia, a professora Luiza Villela segue sem água desde o início da tarde de quarta-feira. Com uma filha de 4 anos, a sua preocupação também é com a qualidade da água que retornará, principalmente, agora que se confirmou que a Cedae está utilizando um produto altamente tóxico para reduzir o nível de geosmina conforme demonstrou a reportagem do jornal O Globo.

— É muito complicado passar por todos esses problemas por tanto tempo. Com a descoberta de que essa última manobra lançou metais pesados, eu e meu marido ficamos ainda mais apreensivos. Como fica a situação de quem não pode bancar água mineral? Graças à Deus este não é o nosso caso, mas os últimos dados mostram que um quinto dos cariocas se encontram na miséria. Como a Cedade vai ampará-los em caso de intoxicação? — indaga a professora.

Também com base na reportagem, a deputada estadual Renata Souza (Psol) redigiu, na quarta-feira, um ofício com perguntas bem específicas dirigidas ao presidente da Cedae sobre a denúncia de contaminação da água do Rio com lantânio. Dentre os sete questionamentos, que também serão objeto de requerimento formal via Alerj, estão qual seria a concentração do metal pesado que a população fluminense estaria ingerindo e se eles causam danos à saúde humana.

Procedimento está sendo ‘exitoso’, diz presidente da Cedae

O presidente da Cedae, Eder Fernandes, afirmou, em entrevista ao telejornal “RJ1”, da TV Globo na quarta-feira, afirmou que o segmento operacional de descarga que foi realizado na madrugada desta quarta-feira está sendo “exitoso” e que pode ser realizado quantas vezes forem necessárias, com respaldo do Comitê Guandu, da Secretaria do Meio Ambiente, do Inea (Instituto Estadual do Ambiente) e de empresas de consultoria. A afirmação foi dada após Eder ser questionado sobre o problema da alta incidência de geosmina na água que a companhia não consegue resolver desde o ano passado. Antes do problema, a companhia realizava esta manobra, em geral, uma vez por ano, e de modo preventivo. Este ano, no entanto, a Cedae já executou o procedimento outras três vezes.

— Usamos pouco porque, para ele, é preciso parar a estação e a população fica sem água. Isso é para atuar na causa da geosmina, ou seja, aonde está havendo proliferação de cianobactérias. Estão sendo, sim, exitosas as ações porque estamos conseguindo diminuir a quantidade de bactérias no lago. Na estação de tratamento, nós estamos usando o carvão ativado para diminuir a concentração de geosmina e está diminuindo. Se você verificar as análises deste ano em relação ao ano passado, vai ver que estão dando padrões muito mais baixos. No mês passado, a OMS divulgou um novo relato sobre a geosmina que conta que, em quatro partes pro trilhão, é possível o olfato humano detectar a geosmina. Então nós estamos conseguindo sim reduzir, mas ainda sim é possível perceberem concentrações baixas — declarou Fernandes.

Na última terça-feira, o Ministério Público do Estado (MP-RJ) e a Defensoria Pública do Estado (DPE-RJ) sancionaram que a Cedae apresente, em até três dias, os dados qualitativos sobre as reclamações de consumidores via ouvidorias que relatam a falta d’água e/ou a desconformidade dos seus padrões de potabilidade no município. O período compreendido é desde a retomada da operação das elevatórias do Lameirão em 21 de dezembro do ano passado até o atual. Também foi solicitado o credenciamento e habilitação do laboratório utilizado pela Companhia que monitora o gosto e o odor da água fornecida. Sobre a questão, Eder afirmou que as respostas serão dadas ao MP apenas no tempo e na hora definidos:

— A portaria que define os padrões de potabilidade de água também define a periodicidade de análise e as exigências para os laboratórios que fazem essas análises, que tenham um processo de gestão de qualidade, não é obrigatório a certificação. um dos laboratórios tem a certificação para um dos parâmetros, já o outro não tem mas está habilitado porque tem uma gestão de qualidade implantada e é isso o que exige a legislação. Nós estamos cumprindo o que a legislação nos exige.

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