Aos 98 anos, morre em Salvador o sambista Riachão

Morreu em Salvador, na madrugada desta segunda-feira (30), Clementino Rodrigues, o sambista Riachão. Ele tinha 98 anos e morreu de causas naturais.

Segundo a família, o sambista sentiu dores no abdômen no domingo (29) e precisou de atendimento médico. Apesar disso, ele foi dormir após ser medicado. A morte de Riachão só foi descoberta pela manhã, quando os familiares foram ver como ele estava.

Ainda de acordo com a família, a previsão é que o enterro ocorra no Cemitério Campo Santo, no bairro da Federação, em Salvador, ainda nesta segunda.

Nascido no bairro do Garcia, na capital baiana, ele compôs a primeira canção aos 12 anos, em 1921. Ele era um dos mais importantes sambistas do país.

Entre as canções mais famosas do músico, está “Cada Macaco no seu Galho”, lançada em 1972 nas vozes de Caetano Veloso e Gilberto Gil .

Além disso, Riachão é compositor de sambas como “Vá morar com o diabo”, apresentado em disco em 2000, em dueto dele com Caetano, mas popularizado no ano seguinte com a gravação feita pela cantora Cássia Eller (1962 – 2001) para o álbum e DVD ao vivo da série Acústico MTV.

Outro artista consagrado que gravou Riachão foi Jackson do Pandeiro. O sambista baiano gravou o primeiro CD aos 80 anos.

Durante a carreira, o sambista fez participação no filme “Os Pastores da Noite”, do francês Marcel Camus, baseado na obra homônima de Jorge Amado. [Relembre a entrevista de Riachão ao G1 no vídeo acima]

Grande figura do bairro do Garcia, o artista também foi homenageado, em 2014, pela “Mudança do Garcia”. Um ano depois, em 2015, o circuito “Mudança do Garcia” mudou de nome e passou a ser chamado oficialmente de “Riachão“.

Já no mês passado, o sambista participou do carnaval no circuito que leva seu nome. [Veja momento no final da matéria]

Para este ano, ele planejava lançar o álbum “Se Deus quiser eu vou chegar aos 100“, com repertório inédito e autoral. Este seria o primeiro disco de Riachão desde “Mundão de Ouro”, lançado em 2013.

Repercussão

O prefeito de Salvador, ACM Neto, lamentou a morte do sambista. Por meio de nota, ele disse que Riachão sempre foi uma referência e, por isso, influenciou “importantes nomes da MPB, como Gilberto Gil, Cássia Eller e Jackson do Pandeiro”. Além disso, desejou que Deus conforte familiares e amigos “neste momento de profunda dor”.

A Secretaria de Cultura da Bahia (Secult) emitiu uma nota de pesar, divulgada no site oficial. Na publicação, a Secult manifestou solidariedade ao samba brasileiro, que “perde hoje um dos seus maiores bambas, e aos familiares do cantor e compositor Clementino Rodrigues, o nosso eterno Riachão”.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

%d blogueiros gostam disto: