fbpx

Ao vivo: CPI da Covid ouve executivo de empresa que multiplicou por 12 a venda de vermífugo com a pandemia

A CPI da Covid ouve nesta quarta-feira Jailton Batista, diretor-executivo da empresa farmacêutica Vitamedic. Ele foi convocado para falar sobre as vendas da ivermectina, um vermífugo que foi propagandeado, mesmo sem comprovação científica, como remédio para o tratamento da Covid-19.

Segundo dados fornecidos pela própria empresa à CPI, o número de comprimidos vendidos se multiplicou por 12 entre 2019, quando não havia pandemia, e 2020, quando a doença se espalhou, passando de 24,7 milhões para 297,6 milhões.

A ivermectina faz parte do chamado “kit covid”, ao lado de outros medicamentos também sem comprovação científica para o enfrentamento à doença, como a cloroquina. Esses remédios, em especial a cloroquina, foram a grande aposta do governo federal na pandemia, tendo como principal garoto-propaganda o presidente Jair Bolsonaro.

Em junho, a pedido do relator, o senador Renan Calheiros (MDB-AL), a CPI aprovou a convocação do empresário José Alves Filho, da Vitamedic. Ele, porém, alegou ser apenas um dos acionistas e disse que “a administração das rotinas diárias é encargo da Diretoria-Executiva, contratada pelo Conselho de Administração, no presente caso, liderada pelo Sr. Jailton Batista”.

Assim, a CPI substituiu o depoimento de um pelo outro.Em 10 de junho, a CPI aprovou um requerimento do senador Humberto Costa (PT-PE) para que a empresa fornecesse informações sobre a venda de nove remédios e suplementos do “kit covid”. Em resposta, a Vitamedic informou comercializar quatro deles: ivermectina, suplemento de zinco, suplemento de vitamina C e suplemento de vitamina D.Os dados fornecidos pela empresa mostram um crescimento muito grande no faturamento da empresa em 2020, quando a pandemia teve início. A empresa vende três tipos de caixa: uma com dois comprimidos de ivermectina, uma com quatro, e outra com 500.

As vendas entre janeiro e maio de 2021 também continuaram altas: 173,9 milhões de comprimidos. Isso é mais do que em todo o ano de 2019, e proporcionalmente maior do que em 2020.O preço médio, segundo a empresa, também subiu. A caixa com dois comprimidos custava R$ 2,01 ao distribuidor em 2019, e R$ 3,24 em 2020.

A de quatro saiu de R$ 3,29 para R$ 6,68. A de 500 pulou de R$ 73,87 para R$ 240,90.O requerimento do senador Humberto Costa também pedia informações sobre gastos com publicidade. A empresa não informou nenhum valor entre 2016 e 2019. Em 2020, foram R$ 12 mil em publicidade da ivermectina e, em 2021, R$ 39 mil.Houve também um crescimento muito grande na venda de vitamina D entre 2019 e 2020.

A empresa vende o produto em gotas e em seis tipos de caixa em que há variação da concentração da substância e da quantidade de comprimidos. Em três casos, houve aumento das vendas, e, em outros quatro, a produção começou apenas em 2020. A produção de zinco e vitamina C também teve início somente no ano passado.Em 16 de junho, a CPI também quebrou os sigilos bancário e fiscal da Vitamedic. A Receita Federal e os bancos já repassaram os dados à comissão.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

%d blogueiros gostam disto: