Análise: Vasco regride após definir sistema ideal, e Cabo precisa encontrar alternativas

Foi na vitória por 2 a 1 sobre o Tombense, pela Copa do Brasil, em 7 de abril, que Marcelo Cabo revelou ter definido o esquema tático e time ideais do Vasco. Pouco mais de dois meses depois, com uma sequência de cinco más atuações, a equipe parou de evoluir e, em alguns aspectos, regrediu. O treinador precisa encontrar alternativas.

O empate em 1 a 1 com a Ponte Preta, domingo, em Campinas, representou o primeiro ponto conquistado na Série B. Porém, o desempenho deixou a desejar. Se o começo deu esperança de evolução, com a retomada da marcação sob pressão no campo do adversário e time compactado, o restante dos 90 minutos mostrou, mais uma vez, uma construção ofensiva lenta e pouco criativa e atletas em má fase técnica.

O Vasco entrou em campo no 4-2-3-1 e, no segundo tempo, variou para o 4-3-3, como tem ocorrido em todo o ano. Na comparação com o jogo contra o Tombense, Galaraza virou reserva e Romulo, titular. Marquinhos Gabriel e Leandro Castan, machucados, deram lugar a Sarrafiore e Ricardo Graça. O problema é que nomes como Zeca, Andrey, Gabriel Pec e Morato caíram de rendimento, e o time deixou de ser intenso, passou a dar espaços, não conseguiu manter a marcação adiantada por muito tempo e ficou lento na saída de bola e na construção ofensiva.

– No jogo passado, entramos 38 vezes no terço final, hoje foram 40 vezes, mas a tomada de decisão está ruim. Entendo que nos primeiros 15 minutos construímos bastante, tivemos transição, o Andrey fez a ultrapassagem com aproximação ao Morato, tivemos passes entrelinhas e criamos. Depois dos 15, realmente, houve problema, ficamos muito espaçados.

– No segundo tempo, conseguimos nos organizar. O Andrey teve muita chegada pela direita, finalizou, cruzou, chegou… Não acredito que tivemos volume pequeno de jogo se chegamos 40 vezes no terço final do campo. Criamos, precisamos ter um pouco mais de capricho. O problema não é a bola chegar nos homens de frente, o problema é o acabamento – contra-argumentou Cabo.

É verdade que, na maior parte da partida, o Vasco não foi ameaçado. Porém, apesar das limitações, a Ponte teve as melhores chances. Foram 13 finalizações (uma bola na trave e um gol) do time paulista contra oito (um gol de pênalti) da equipe carioca. O Vasco ficou com 59% da posse de bola, que não se transformou em vantagem no placar.

No domingo, Léo Jabá, que costumava entrar bem, não conseguiu ser efetivo. Mesmo assim, é uma opção que deve ser insistida pelo treinador. Morato teve muito mais chances e, por ora, não se justificou. Galarza, que entrou na reta final do segundo tempo, é uma alternativa que pode dar mais dinamismo no meio, apesar de ter feito atuações irregulares recentemente. Romulo e Andrey são muito parecidos.

Jogadores do Vasco comemora gol de Cano contra a Ponte — Foto: Rafael Ribeiro/Vasco

A boa notícia ficou pelo retorno de Marquinhos Gabriel. Mesmo que não tenha sido decisivo, é o meia que melhor deu resposta. Joga aproximado, consegue viabilizar troca de passes e abastecer o ataque. Talvez, a partir dele, o Vasco possa retomar o bom futebol a começar contra o Boavista, quarta-feira, pela Copa do Brasil.

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