Análise: Vasco é melhor, reforços dão indícios de que podem agregar, mas bola aérea – outra vez – traz sufoco

O Vasco sofreu desnecessariamente na reta final do jogo por conta do crônico problemas das bolas aéreas, mas voltou de Tombos com a classificação e vários pontos de evolução a serem celebrados. Nos 2 a 1 sobre o Tombense, o Vasco mostrou o que vinha apresentando nos últimos jogos: tem cara de time, coisa que não tinha na temporada passada. É intenso, trabalha a bola, e o meio-campo, setor que deve ser o cérebro de toda a equipe, pensa e constrói.

Time vai para cima, Morato dá mostras de bom futebol, e coletivo funciona

O Vasco pela terceira vez consecutiva entrou em campo jogando bola. Intenso, bem posicionado e sempre alerta. E assim foi rapidamente premiado, logo aos dois minutos, não numa jogada trabalhada, mas em movimentos sagazes que demonstram o espírito dessa garotada. Galarza subiu para dividir bola que talvez um outro baixinho evitasse. Ganhou com uma cabeçada, e Pec, ligado, meteu-se no meio de três zagueiros, disparou e bateu na saída de Felipe.

Depois disso foi a hora de observar Morato, que teve estreia bem interessante com a camisa do Vasco. De futebol compatível com o proposto por Marcelo Cabo, mexeu-se bastante, trocando de posição com Marquinhos Gabriel constantemente e voltando para ajudar na recomposição. E o mais importante: apesar dos poucos treinos, mostrou bom entendimento com Cano, com quem ensaiou boas tabelas. No segundo tempo cansou, mas o saldo foi positivo.

No setor ofensivo, a atuação de Pec, agora com cinco gols em 10 jogos, também merece destaque. Lutou muito e terminou como líder de desarmes do time (com seis, ao lado de Andrey) e de faltas recebidas (quatro).

Morato teve boa estreia pelo Vasco contra o Tombense — Foto: Rafael Ribeiro/Vasco da Gama

Galarza mais uma vez foi exemplo de intensidade e entrega. Além da luta no gol de Pec, deu carrinhos e nunca se omitiu da marcação. E, por não se esconder, errou oito passes, um deles perigoso e que quase terminou em gol adversário. Nada, porém, que pudesse apagar a ótima atuação do jovem.

Se no ataque Cano e Morato se deram bem, no meio o paraguaio e Andrey também estavam entrosados e tabelavam até chegar perto da área. Marquinhos Gabriel é o principal pensador do trio e, em seus lampejos, mostra que pode ajudar e muito. Quase marcou em bela jogada individual e no segundo tempo presenteou Figueiredo com lindo lançamento de primeira. Pena que o garoto não aproveitou.

O meio-campo do Vasco voltou a pensar, algo que não existia mais em São Januário principalmente após a chegada do português Ricardo Sá Pinto, que lotou o time de zagueiros, abriu um buraco no meio-campo e mergulhou os vascaínos num jogo sem qualquer criatividade.

Calcanhar de Aquiles aparece no primeiro tempo

O ponto negativo do Vasco na etapa, já tratado como calcanhar de Aquiles por Marcelo Cabo em outras entrevistas, foi a bola parada. Daniel Amorim venceu a zaga pelo alto duas vezes, mas parou em Lucão, que voltou a fazer grande defesa. Em outra, numa cobrança de falta, João Paulo levantou, Wesley ganhou de Andrey, e Matheus Lopes isolou.

Time controla o jogo, mas erro recorrente traz sofrimento

A exemplo do primeiro tempo, o Vasco marcou cedo novamente. Após boa jogada ofensiva com participação de Morato, Cano foi fazer o corta-luz e acabou derrubado dentro da área. Leandro Vuaden marcou erradamente fora dela, mas Andrey deu de ombros para o equívoco da arbitragem. Cobrou no canto do goleiro, mas com força e precisão venceu Felipe. Indefensável.

Morato encerrou sua participação aos 22 minutos, e Figueiredo, seu substituto, por pouco não ampliou em seu primeiro toque na bola. Dominou mal, porém, um lindo lançamento de primeira de Marquinhos Gabriel.

O jogo estava sob controle e com o Tombense precisando sair, o Vasco passava a chegar mais. Cano, por exemplo, que não havia finalizado na etapa inicial, esteve perto de marcar em dois lances consecutivos.

Como escrito acima o jogo “estava sob controle” do Vasco. Até o fantasma da bola aérea dar o ar da graça. Dois minutos após Cabo optar por três zagueiros, João Paulo teve todo espaço para cruzar. Daniel Amorim veio de um lado para o outro, antecipou-se a Ricardo, que acabara de entrar junto com Miranda, e se abaixou para cabecear, diminuir e botar fogo no jogo.

A partir daí, o Tombense sabia o que fazer: chuveirinho. O Vasco havia perdido o meio-campo com a opção por três zagueiros, e o adversário encontrava espaço para cruzar. Sorte de Marcelo Cabo é que os levantamentos não foram os melhores.

– Sobre os três zagueiros, tínhamos 30 minutos, e eles botaram Rubens e Daniel, que foram meus atletas. Primaram por um 4-4-2 e colocou dois jogadores com mais de 1,90m, e eles iam alçar bolas aéreas. Procurei espelhar com três zagueiros, tendo dois na marcação e um na sobra. O Tombense não pressionou, ficou alçando bola na área. Eu precisava reforçar essa bola aérea. Acabamos dando bom encaixe ali. Tiveram a bola na intermediária, tivemos duas ou três boas transições, e poderíamos ter feito o terceiro gol – explicou Cabo.

Outro estreante da noite, o atacante Léo Jabá entrou só aos 42 minutos da etapa final e, aos 44, puxou contra-ataque em velocidade e deixou Cano em boas condições. Pena que não era dia do argentino no quesito finalizações. É bom destacar, porém, que ele foi importante com as constantes saídas da área para dialogar com os meias e ao confundir a marcação.

O Vasco foi melhor o tempo todo. Mostrou intensidade, troca de passes, mas a bola aérea segue levando pânico ao time e ao torcedor. Serão sete dias até o clássico com o Flamengo, no Rio, pelo Carioca. É o dever de casa a ser feito à exaustão. E Marcelo Cabo com certeza repetirá muito esse fundamento nos próximos dias. Há outros ajustes defensivos a serem feitos, principalmente em relação ao buraco que costuma se abrir entre meio e zaga quando o time se cansa, mas, pela terceira vez seguida, o saldo vascaíno foi positivo.

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