Análise: trocas de Luxa e postura do time fragilizam setor defensivo, e Vasco é presa fácil em Fortaleza

Vanderlei Luxemburgo diagnosticou o problema corretamente, mas a execução da solução pensada não deu certo. Ao tentar dar mais dinamismo ao time, algo que faltou na derrota para o Flamengo, o treinador mudou peças e esquema de jogo. O resultado foi um setor defensivo exposto que, combinado com má postura dos jogadores, tornou o Vasco presa fácil diante do Fortaleza.

O placar de 3 a 0 só não foi maior pois o time da casa, após encaminhar a vitória no primeiro tempo, deu a bola ao Vasco e esperou o tempo passar. Contou com a total inoperância ofensiva adversária e perdeu chances, o que não lhe impediu de respirar na luta contra o rebaixamento.

Já os vascaínos ocupam a 17º posição, dentro do Z-4, e enfrentam o Internacional, candidato ao título, no domingo.

Benítez teve má atuação diante do Fortaleza — Foto: Rafael Ribeiro / Vasco

Luxa teve o desfalque de Léo Matos, suspenso. Cano, sem treinar por dois dias devido a uma indisposição estomacal, começou no banco (como entrou no intervalo, não seria melhor que começasse o jogo, afinal, podendo ajudar a construir o resultado?).

Sem duas peças, Luxa recuou Pikachu para a lateral direita. Na frente, escalou Ygor Catatau. Na comparação com o clássico, modificou mais ainda o time: Leo Gil e Pec deram lugar a Carlinhos e Juninho, e Caio Lopes foi outra novidade. Logo no começo, com pouco mais de um minuto, em boa trama coletiva, Carlinhos chutou de fora da área e acertou a trave. Deu pinta de que daria certo.

Foi efêmero. À medida que o Fortaleza atacava, o Vasco se mostrou um time desorganizado. E fácil de ser envolvido. O esquema com um meio recheado e apenas um homem na frente (ora Catatau, ora Benítez) fracassou rotundamente. Os atletas estavam, na maior parte das vezes, fora de posição, distantes uns dos outros. Além disso, a postura revelou uma marcação frouxa, com muito espaço na frente da área de defesa.

Escalação de Luxemburgo não deu certo — Foto: Reprodução

O primeiro gol foi um exemplo. David saiu da esquerda, cortou para o meio, avançou, passou por três marcadores sem ser parado. Fez a jogada do gol de Igor Torres. Eram seis minutos e, a partir dali, o Vasco desmoronou.

Não à toa os outros dois gols começaram em erros de saída de bola. Atrás no placar, o Vasco tentou manter a calma e criar. Se mostrou nervoso e atrapalhado. No segundo gol sofrido, Henrique e Benítez trocaram passes na fogueira, pouco antes da linha do meio de campo, e perderam a bola. Ela foi lançada a David, que pegou a defesa desarrumada. No terceiro, Fernando Miguel fez lançamento ruim para Marcelo Alves, que não dominou a bola. Osvaldo cruzou, e Romarinho completou para o gol.

As substituições durante o jogo não surtiram efeito. Cano não foi abastecido – conseguiu aproveitar um rebote, fez gol, anulado pelo VAR. Benítez continua em má forma física e, nas últimas rodadas, passou a viver má fase técnica: nada dá certo. Pouco para um time que depende demais dos argentinos.

Vasco precisa retomar o que deu certo

Na coletiva pós-jogo, Luxa admitiu a má atuação. Disse que, nos treinos, a escalação apresentou resultado. E não jogou a toalha. Afirmou que é possível, sim, escapar da Série B.

Para tal, o caminho com maiores certezas parece ser o que apresentou resultado anteriormente. Luxa chegou dizendo que o time precisava melhorar defensivamente e vencer confrontos diretos. Conseguiu ao empatar com o Atlético-GO e vencer o Botafogo, confrontos nos quais adotou um sistema claro: dois jogadores pelos lados, um atacante centralizado e um volante entre as linhas. As mudanças feitas contra Fortaleza, Flamengo e Bragantino não funcionaram.

No domingo, diante do Inter, o alento ao torcedor é que trata-se de jogo grande. E, recentemente, o Vasco teve dois bons exemplos: venceu Atlético-MG e empatou com o Palmeiras.

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